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Montadoras voltam a ser campeãs em envio de lucros ao exterior

Rodrigo Paiva/Folhapress
Linha de montagem automotiva em SP; investimento prometido é de US$ 30 bilhões em cinco anos Imagem: Rodrigo Paiva/Folhapress

Pedro Kutney

Especial para o UOL

28/01/2014 13h58Atualizada em 28/01/2014 17h42

As fabricantes de veículos instaladas no Brasil voltaram a ser campeãs de remessas de lucros ao exterior, à frente de empresas de todos os outros setores econômicos. Segundo dados consolidados divulgados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira (24), em 2013 as montadoras enviaram US$ 3,3 bilhões para pagar dividendos às suas matrizes. O valor é 35% superior ao de 2012, quando remeteu US$ 2,44 bilhões e ficou na segunda posição -- naquele ano, perdeu por pouco para o setor de bebidas, que mandou US$ 2,49 bilhões.

As remessas de 2013 (13,8% de todos os pagamentos registrados pelo BC na categoria) ainda estão longe de atingir o recorde de 2011, quando as montadoras pagaram US$ 5,6 bilhões em lucros, depois dos US$ 4,1 bilhões de 2010. Mas a cifra obtida no ano passado continua expressiva e voltou a crescer, comprovando que o setor vem conseguindo construir resultados consistentes no Brasil -- a despeito de todas as reclamações sobre margens apertadas.

Há mais de dez anos o setor automotivo sempre fica entre os que mais remetem lucros. Apenas nos últimos quatro anos, os dividendos pagos pelas fabricantes de veículos no Brasil às matrizes atingem US$ 15,4 bilhões, levando em conta só os registros oficiais do BC. Esse valor já é quase a metade do que os fabricantes prometem investir no Brasil até 2017.

No sentido contrário, na conta do investimento estrangeiro direto (IED), as matrizes das montadoras injetaram no Brasil em 2013 o total de US$ 1,87 bilhão, valor 48,6% maior que o US$ 1,25 bilhão de 2012. Embora a expansão seja grande, o setor é apenas o oitavo que mais recebeu IED no Brasil no ano passado (responsável por 3,8% do total investido). 
 
Mesmo que o IED das montadoras no país chegasse a US$ 2 bilhões por ano, e assim se mantivesse nos próximos anos, não fecharia a conta do montante que prometem investir no Brasil -- segundo a Anfavea (associação das fabricantes), este chega a R$ 75 bilhões de 2013 até 2017, ou cerca de US$ 30 bilhões pelo câmbio atual.

Portanto, para sustentar esse investimento, as montadoras deveriam aportar mais de US$ 6 bilhões por ano no período proposto. Como não fazem isso, ou estão investindo menos do que dizem, ou se valendo de outras formas de captação de capital, especialmente de recursos subsidiados pelo governo federal na forma de empréstimos do BNDES e outras instituições de fomento, além de incentivos fiscais estaduais e federais.

Pedro Kutney é editor de Automotive Business, que publicou este texto

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