Carros

Nissan Altima, R$ 99.800, é o sedã do "tiozaço" sensato

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/11/2013 06h45Atualizada em 12/11/2013 20h38

A Nissan prometeu durante o Salão de São Paulo do ano passado e cumpriu mais de um ano depois: chega ao Brasil o sedã grande Altima, destinado a ser o carro de passeio mais caro da marca japonesa no país: a versão única de conteúdo e acabamento, denominada SL, custa R$ 99.800.

O Altima é importado dos Estados Unidos, onde é fabricado na polêmica unidade Nissan do Tennessee -- palco de não poucos entreveros trabalhistas. Por lá, rivaliza diretamente com Toyota Camry e Honda Accord; até o final de outubro, o Altima foi o sétimo carro mais vendido em 2013 nos EUA, com 271.303 emplacamentos. O Camry ficou terceiro, com 348.134, e o Accord, em quarto, com 307.264.

Como se vê, é briga de sedãs grandes -- e de sedãs japoneses. Nem as marcas americanas se metem (elas não têm carros do segmento entre os 15 mais vendidos nos EUA). Um Altima idêntico ao importado pela Nissan custa US$ 27.760; numa conversão sem considerar impostos, isso dá R$ 64.680 no câmbio desta segunda-feira (11).

  • Divulgação

    O Altima parece um "Sentrão", que parece um Versa melhorado: é a Nissan amada nos EUA

No Brasil, o Altima deve inverter as posições no ranking de vendas, obviamente com centenas de milhares de unidades menos. Os 250 carros que a Nissan planeja negociar até o final do ano já bastariam para superar os rivais japoneses: até outubro o Camry vendeu 189 carros, e o Accord, 97.

A verdadeira disputa por aqui, considerando o porte do Altima (4,86 metros), inclui outros sedãs, como Hyundai Azera e Kia Cadenza; considerando o motor (2.5 de 182 cavalos, aspirado, a gasolina), entram Hyundai Sonata, Kia Optima, Volkswagen Passat, Ford Fusion e Peugeot 508.


Um trunfo da Nissan é o preço: seu modelo é pelo menos R$ 4 mil mais barato que todos os rivais nas configurações equivalentes; excluindo o Fusion, a diferença mínima chega a R$ 7 mil.

Outro é o baixo consumo de combustível. O Inmetro mediu 10,1 km/litro de gasolina na cidade e 13,1 km/l na estrada. UOL Carros conseguiu manter o gasto na cidade sempre melhor do que 9 km/l, e na estrada oscilou em torno de 13 km/l -- em situações excepcionais, como pista plana a 90 km/h, o Altima chegou a cravar notáveis 21 km/l.

Pode-se argumentar que potenciais clientes de sedãs grandes não dão bola para "diferençazinhas" de preço, e muito menos para a conta no posto de gasolina -- o que anularia essas vantagens comparativas. Mas o Altima tem outras. Talvez a maior delas seja a discrição.

Olhe para um Versa. O que se vê é um sedã com linhas abrutalhadas, pedindo refinamento. Agora olhe para um novo Sentra e note como ele lembra... o Versa: é quase despretensioso, mas claramente num patamar estético superior. Por fim, na análise do Altima, o que se vê é um "Sentrão": um três-volumes grande e sóbrio, que não arranca suspiros e que talvez nem agregue status (sic) ao proprietário -- mas que não deve nada em conteúdo, e é muito bom de guiar.

  • Divulgação

    Traseira curta numa carroceria de 4,86 metros é garantia de look à moda cupê

TRANSMITINDO SUAVIDADE
Parte do segredo da dirigibilidade do Altima está na nova geração do câmbio XTronic, do tipo CVT (continuamente variável). A reforma no sistema reduziu o atrito em 40% e o peso do conjunto em 13%, o que se traduz em menor perda de energia na "conversa" entre motor e eixos (também um fator de economia de combustível).

A transmissão possui um software (ACS) que a adapta ao estilo de conduzir do motorista -- na verdade, ela compensa as ações deste buscando rotações mais baixas em alta velocidade e mais altas em baixa, tendo como meta menor consumo e maior conforto de rodagem no primeiro caso, e mais fôlego em saídas e retomadas no segundo. Por estar "sempre alerta", o Altima parece ter um motor maior que 2,5 litros.

As unidades do sedã vendidas no Brasil tiveram de receber amortecedores traseiros mais robustos, devido à qualidade de piso inferior na comparação com as vias dos EUA. De acordo com a Nissan, as demais partes das suspensões (inclusive as buchas extras que refinaram os movimentos à frente e na traseira) não sofreram mudanças.

A mexida deu certo. O Altima trafega com suavidade mesmo em pavimentação irregular, poupando os ocupantes de impactos e sacolejos (a carroceria tem barra transversal oculta entre motor e parabrisa, para dar mais rigidez estrutural). Em estrada de boa qualidade, o que impressiona é o baixo nível de ruído na cabine -- não ha vibrações, a rolagem dos pneus é discreta e, caso se dirija entre 100 km/h e 120 km/h, dificilmente o motor ultrapassará as 1.500 rpm.

ASSISTA AO VÍDEO DE DIVULGAÇÃO OFICIAL DO ALTIMA

THE AMERICAN WAY
Essas características, somadas ao bom espaço interno (entre-eixos de 2,77 metros) e aos bancos dianteiros com projeto ergonômico especial (chamado de Zero Gravity, por inspirar-se no apoio do corpo em situação de gravidade zero, ou seja, de flutuação), e também ao pacote razoável de itens de conforto e segurança (ar-condicionado automático de duas zonas, teto solar, aviso de manutenção de faixa, sensor de ponto cego, câmera de ré, navegação por GPS, sistema de som Bose, controles eletrônicos de tração, estabilidade e subesterço, hill holder, airbags laterais e de cortina, regulagem elétrica do banco do motorista, entre outros), garantem um ambiente de paz a bordo do Altima.

Dá até para perdoar as partes da cabine em plástico duro e o tema meio cafona dos plásticos lisos -- até quando o piano black vai ser considerado chique? Também dá para ignorar o neandertálico acionamento do freio de estacionamento por meio de pedal (para o pé esquerdo).

Os três anos de garantia e os pacotes de revisão que, até 60 mil km, somam menos de R$ 3.500, fazem do Altima um sedã não de "tiozão", como dizia a publicidade do antigo Sentra -- e sim de "tiozaço": um cara que valoriza sua grana e que dá mais importância ao conforto que à imagem. Ainda por cima, é um "tiozaço" sensato. E que faz como fazem os americanos (pagando mais, é claro).

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