Carros

Jaguar XFR, esportivo de R$ 450 mil, é exagerado demais para nós

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/10/2013 06h55

Você já viu um Jaguar XFR pelas ruas? Muita gente viu a unidade vermelha testada por UOL Carros na última semana e aproveitou para sacar o celular do bolso e fotografar, mesmo no meio do trânsito. Quem o fez, agiu bem: é raro mesmo. O XFR é a configuração esportiva do sedã executivo de luxo XF, ou seja, é a versão menos pedida de um carro que já não vende muito. Ainda assim, a linha XF é a mais popular da Jaguar no país: emplacou, até setembro, cerca de 170 unidades.

Mas não é isso que faz do XFR um carro de poucos (raro que é) e para poucos (com seu preço). A questão é que ele desafia algumas "regras", a saber:

+ É bom, mas nada barato: vamos aos fatos, estamos falando de um sedã com motor de Range Rover Sport. São 510 cavalos e mais de 63 kgfm produzidos pelo V8 de 5 litros e despejados sobre as rodas traseiras. Ainda assim, a cabine é muito (muito) espaçosa, confortável e silenciosa o bastante para fazer os fãs mais ardorosos do borbulhar de motores a andarem apenas de janelas abaixadas. Mas isso o faz custar praticamente o dobro do XF 2.0 (R$ 225 mil). Para colocar o emblema R (de Racing) no lado oposto ao das letras XF, é preciso ter R$ 450.500.

+ É forte, mas "estabanado": se estiver na cidade, resista à tentação de pisar fundo no acelerador. Você jamais terá espaço suficiente para satisfazer a sede por asfalto do XFR. Ele cumpre o 0-100 em menos de cinco segundos -- no cronômetro, são 4,9 s, de acordo com a fabricante (baixe a ficha técnica do Jaguar XFR).

A escala do velocímetro vai até os 300 km/h, mas a máxima é limitada eletronicamente aos 250 km/h. Que bom! Em São Paulo (SP), andar a bordo de um é pedir para passar raiva: pisou, freou. Pisou... freou.

Além disso, é preciso ter alguma experiência para domar o felino e colocá-lo na direção certa. Apesar de menos musculoso, o inglês XFR está mais para o estilo americano de fazer esportivo. Acelere com mais ímpeto e veja a traseira oscilar toda, a frente afundar em direção ao solo e seu braço e receber o tranco do volante. Nosso repórter André Deliberato deu um exemplo interessante sobre este comportamento:

"É como se você tivesse um cachorro grande, forte, mas brincalhão. Você chega em casa, ele fica todo feliz, abana o rabo, mexe as patas traseiras sem parar e até te assusta, mas não vem para cima".  

Assim, tem de ter braço, pé e mente de piloto para fazer bem com o XFR o que qualquer outro faria sem suar a bordo de um carro alemão, por exemplo. E se você for bom o bastante para movimentar um japonês com o ímpeto necessário, saiba que isso não vai te dar o mesmo prazer se estiver conduzindo o XFR.  

Ele acelera forte, freia ainda mais (tem discos e pinças da Brembo e sistema antiblocante de quatro canais) e até pode ser regulado para uma movimentação mais esportiva (os controles de estabilidade e tração podem ser dosados). Mas falta algo na história, falta um pouco de emoção.

O câmbio automático de seis marchas permite trocas em borboletas atrás do volante, mas poderia ser mais ligeiro (ou seja, poderia ser substituído por uma caixa automatizada de dupla embreagem). O teto solar simples poderia ser panorâmico. A tecnologia poderia ser ampliada.

Mas aí esbarramos na característica final de todo e qualquer Jaguar: o excesso de tradição.

+ Tradição: "Você está de Jaguar? Ele não tem de ser verde?", perguntou uma amiga ao encarar o belo tom vermelho da carroceria do XFR. Embora seja a cor mais conhecida da marca inglesa (um tanto à frente do azul fechado), é bom que o esportivo tenha fugido à paleta. Mas poderia ter escapado mais do conservadorismo.

A cabine é muito espaçosa. Tanto, que chega a ser desnecessária. Quem leva mais de uma pessoa como acompanhante num passeio em alta velocidade? Amigos de trabalho? Família? Nem pensar. O porta-malas fica tão exagerado nesta situação, com seus 500 litros, que só dá margem a pensamentos mafiosos -- aqui, devemos dizer que um comando elétrico teria sido um acréscimo de bom tom.

Excesso de formalidades também poderiam ter sido dispensadas na execução dos LEDs, que ajudam a compor o conjunto óptico. Formam a letra "J", tudo bem, mas parecem comprador por conta numa lojinha de segunda mão qualquer, tão distantes estão da última palavra em iluminação automotiva. O mesmo pode ser dito da tela sensível ao toque no interior do habitáculo. O delay na resposta aos comandos e a dificuldade em se achar cada uma das funções é tanto, que existem teclas físicas dedicadas logo abaixo para a mesma função. Ou seria o contrário e, por haver necessidade das teclas físicas (é mesmo tão necessário?), ainda não se pensou num sistema digital mais veloz?

Implicância com o XFR? Que nada, ele proporcionou ótimos momentos à reportagem, pelo menos em terreno rodoviário, com sua tocada firme, a entrega linear da força quase inextinguível e o bom comportamento a altas velocidades. Mas estes momentos são efêmeros (e não puderam ser totalmente registrados pela falha no computador de bordo, que não mantém os dados após o desligamento do motor).

Mas como a realidade pede mais foco e decisões acertadas, e a Jaguar sabe disso: tem o XF (que pode ser visto também no vídeo após o final deste texto) para o público mais conservador; e para quem precisa de ação e velocidade na medida certa há o XKR-S e, agora também, o cupê F-Type.

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