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Volkswagen Golf Highline, R$ 67.990, é completo, moderno e bom de dirigir

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/10/2013 06h55

Poucos carros foram tão esperados pelos brasileiros como o novo Volkswagen Golf. Na verdade, não necessariamente o Golf 7, mas qualquer Golf que fosse mais contemporâneo que a geração 4 reestilizada, ainda vendida no país.

A Volkswagen pulou 5ª e 6ª gerações (insinuadas no Brasil, respectivamente, no Jetta 2.5 e no Jetta Variant 2010, com o mesmo visual dianteiro) e foi direto à 7ª, lançada em 2012 e unanimemente elogiada pela crítica europeia -- em resumo, o que se disse por lá é que se trata do melhor carro que pode sair de uma linha de montagem do grupo alemão.

Note que falamos do "grupo", e não da "marca". Basicamente, porque este Golf é um Audi mais barato.

UOL Carros acompanhou a apresentação do modelo em Berlim (Alemanha), e lá experimentou a versão Highline com o câmbio DSG de sete marchas e a esportiva GTI, com o conhecido motor 2.0 usado no Jetta TSI e no Fusca (mas com 220 cavalos). Faltava testar a Highline com um câmbio manual acoplado ao motor 1.4.

Ela é, por ora, a opção mais em conta do hatch, a R$ 67.990, e enquanto ele vier da Alemanha será assim. A fabricação local, prevista para 2014, deve oferecer opções mais baratas -- talvez até com o motor 1.6 VHT que por anos a fio inaugurou a gama do "Golf 4,5".

  • Murilo Góes/UOL

    Poucos carros foram tão aguardados no Brasil quanto o novo Golf, de 7ª geração

Como é praxe de todas as montadoras, a Volkswagen nos emprestou uma unidade de teste repleta de opcionais. Eles aparecem nas fotos que acompanham esta reportagem (por exemplo, a megatela tátil de 8 polegadas) e elevam o preço dela a impensáveis R$ 103.450 (R$ 25 mil do pacote Premium, R$ 3.730 do Park Assist, R$ 6.730 da telona).

Bem, por esse preço fica fácil ser o The Very Best, como propagandeia a Volkswagen, mas também fica difícil de comprar (lembrando que o mítico Golf GTI parte de R$ 94.900). Por isso é importante checar a lista de itens de série do Golf Highline e saber o que você leva para casa pelos R$ 67.990 propostos como piso.

Parte do que o modelo oferece de melhor (e de mais importante) é invisível a olho nu. Confira:

Sete airbags (dois frontais com desativação do lado do passageiro, dois laterais nos bancos dianteiros, dois de cortina e um de joelho para o motorista); freios com sistema antitravamento (ABS) e distribuição de força de frenagem (EBD); bloqueio eletrônico do diferencial (EDS e XDS); controles de tração (ASR), de estabilidade (ESC) e de velocidade (cruise control). É um pacotaço de tecnologia que faz do Golf um dos hatches mais seguros à venda no Brasil.

Entre os itens de conforto, o modelo traz: ar-condicionado digital de duas zonas de climatização; apoio de braço dianteiro com ajustes de altura e longitudinal; apoio de braço traseiro; retrovisores externos rebatíveis, com ajuste elétrico e "tilt down" (espelho aponta para baixo, evitando raspadas na guia), e interno antiofuscante; volante multifuncional; e rádio  e CD-player com tela tátil de 5,8 polegadas, sensor de aproximação para alguns comandos, Bluetooth, SD-Card e interface para iPod.

Outros itens que valem menção: sensores de chuva e luminosidade; sensores de estacionamento dianteiro e traseiro; lanternas traseiras e de neblina com LEDs; freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold (segura o carro na partida em aclive).

Já deu?

Bem, ainda falta mencionar o trem-de-força, que inclui o (merecidamente) premiado motor 1.4 TFSI, aqui com o sobrenome Bluemotion, mas já bem conhecido do Audi A1. Com a ajuda do turbo, o pequeno propulsor (somente a gasolina; o flex está sendo aperfeiçoado) oferece 140 cavalos e um exuberante torque de 25,5 kgfm (já a 1.500 rpm). A caixa de marchas manual tem seis velocidades. Para incrementar a economia de combustível, da qual falaremos mais adiante, há o sistema Start-Stop, que desliga o motor em paradas e o religa assim que se pisa na embreagem para engatar a marcha de saída.

  • Murilo Góes/UOL

    Traseira inspirada no cupê Scirocco aposentou elementos redondos desde a 6ª geração

EM MOVIMENTO
Claro, tudo isso seria inútil se o novo Golf fosse um carro ruim de guiar. E, claro também, ele não é; na verdade, é um dos carros mais prazerosos que UOL Carros já experimentou.

Tudo que era bom no Golf 4,5 ficou exponencialmente melhor no 7. A plataforma modular da Volks, usada também no novo Audi A3, se apóia numa suspensão capaz de operar milagres no piso irregular de nossas ruas: quando o asfalto é bom, a vibração é praticamente zero, e o Golf desliza como um daqueles trens que nem chegam a tocar os trilhos; quando há irregularidades, o sistema cede na medida certa para poupar os ocupantes de incômodos. E estamos falando de um carro dotado de rodas 17" (opcionais; as de série são 16") e pneus 225/45.

O motor turbo de 1,4 litro é uma joia da tecnologia automotiva. Se os seus 140 cv permitem uma velocidade máxima de 212 km/hora, a disponibilidade do torque máximo de 25,5 kgfm a meros 1.500 giros é sua característica crucial. Devido a ela, o Golf Highline faz várias coisas que outros modelos não fazem. Entre elas, retomadas de velocidade seguras em sexta marcha e a possibilidade de, com um pouco de sorte no trânsito e nos faróis, cumprir longos trajetos urbanos sem mudar de marcha nem uma vez sequer (é só manter em quarta).

Atiçado, o motor aciona a turbina uma fração de segundo após o início do movimento, quando muito provavelmente a primeira marcha ainda estará engatada. A saída nervosa obtida nessas circunstâncias é um dos indícios de que a alma do Golf é esportiva mesmo sem o emblema GTI cravado na grade. Segundo a fabricante, o carro vai de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos. Deve ter faltado braço aos testadores da Volks.

CONFORTO
Na cabine, o ambiente é de paz. A unidade testada tinha 4.000 km, cumpridos nas mãos de pessoas que não pagaram R$ 67.990 para usá-la (muitas delas acreditam ser pilotos, aliás). Ainda assim, não havia um único ruído de partes móveis. O pacote Exclusive inclui bancos em couro com aquecimento, mas mesmo no carro de entrada há regulagem de altura e de apoio lombar para motorista e passageiro.

O espaço no Golf é excelente para quatro adultos, mas um 3º passageiro traseiro não chega a estragar a percepção de conforto. Com 1,70 metro, este repórter desfrutou de ampla distância entre a cabeça e o teto no banco de trás; "sentado atrás de si mesmo" (atrás do banco do motorista, com este fixado na melhor posição para dirigir), encontrou rara liberdade para as pernas.

  • Murilo Góes/UOL

    Painel de instrumentos do Golf tem iluminação branca e esbanja elegãncia

IGUAL, MAS DIFERENTE
Um questionamento possível ao Golf 7 é no quesito estilo, e aí entra a subjetividade. Em nossa opinião, a estratégia family face de Volkswagen e Audi, em que todos os carros têm praticamente a mesma cara, caiu bem no hatch, ao menos na comparação com as duas gerações europeias anteriores. No Brasil, alguém meio distraído pode confundir Fox, Jetta, Voyage etc. Mas o Golf está fora disso, em parte devido às secções internas do conjunto óptico.

As linhas mais conservadoras, de 2º volume cerca de 50% mais alto que o 1º, além do corte traseiro quase perpendicular ao solo, contrastam com a proposta de rivais como Ford Focus e Chevrolet Cruze, mais horizontalizados e com janelas traseiras fortemente inclinadas. Não deixa de ser uma maneira de se diferenciar.



MODERADO
Deixamos para o final a bela marca de consumo de combustível obtida pelo Golf Highline. Mantivemos o carro rodando principalmente na cidade, no modo de condução normal (o sistema Mode, opcional, oferece mais três: esportivo, econômico e customizado), sem preocupação específica de poupar gasolina. Vez ou outra, abusamos nas arrancadas e nas retas. Ainda assim, o motor 1.4 chegou a bons 10,6 km/litro. Certamente dá para conseguir marca ainda melhor.

Talvez seja uma boa ideia esperar o Golf nacional e o pioneiro motor 1.4 flex. Mas talvez seja uma ideia melhor ainda já apostar nesse Highline alemão, um pouco mais caro que a média do segmento -- mas muito mais carro também. Fique atento ao valor do seguro e resista à tentação de acrescentar os caros pacotes de equipamentos; mas avalie a opção de câmbio DSG (dupla embreagem), que custa R$ 7.000 extras (vai a R$ 74.990).

Tomando esses cuidados, você não encontrará nada melhor que o Golf nas concessionárias do Brasil. Nem mesmo nas da Audi. E por um bom tempo.

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