Carros

Hyundai justifica queda de preço de i30 e Elantra: "isso é da vida"

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Anápolis (GO)

18/10/2013 12h41

Há cerca de um mês, o grupo Hyundai-Caoa, responsável pela distribuição no Brasil dos modelos da marca sul-coreana acima da família compacta HB20 (esta é produzida diretamente pela filial brasileira da Hyundai, na fábrica de Piracicaba, no interior paulista), fez uma expressiva redução nos preços do hatch i30 e do sedã Elantra, médios da marca. Bom para quem planeja comprar, ruim para quem fechou negócio pouco antes da virada da tabela.

Ladeira abaixo

  • R$ 64 mil

    (era R$ 75 mil)

    Preço do Hyundai i30 de entrada

  • R$ 78 mil

    (era R$ 96 mil)

    Preço do Hyundai Elantra 2.0 Flex

Os valores atuais são referentes a unidades ano/modelo 2013 encontradas em concessionárias de São Paulo (SP).

    "A competição no mercado está muito forte e decidimos reduzir nossa margem de lucro, que já era pequena, para elevar as vendas", justificou Antonio Maciel, presidente do grupo, quando questionado sobre a decisão de desvalorizar i30 e Elantra na quinta-feira (17), durante evento de abertura de nova área da fábrica da Hyundai-Caoa em Anápolis (GO), onde são montados os SUVs Tucson e ix35 nacionalizados.

    Com a redução da tabela, o i30 de entrada passou de R$ 75 mil para R$ 69 mil no modelo 2014. Mas este valor pode ser ainda menor: UOL Carros apurou que há concessionárias onde é possível encontrar o modelo 2013 por R$ 64 mil (uma redução de 15%). Já o sedã médio Elantra, que foi lançado com motor 2.0 flex no início do ano a R$ 96 mil, pode ser encontrado por R$ 78 mil (queda de 19%) -- o 2014 sai a R$ 82 mil.

    GANHOS E PERDAS
    Como as demais empresas que atuam no setor, o grupo Hyundai-Caoa não revela valores de margens de lucro, nem detalhes da operação. No entanto, reduções de preço de até R$ 18 mil levam a crer que ou elas podem não ser tão pequenas ou há mais coisa por trás dos números.

    OPINIÃO DE UOL CARROS

    • Divulgação

      Só pode trabalhar e jogar com diferenças de preço tão grandes uma indústria que lucra muito com seus produtos.

    Pela justificativa dos executivos da marca, porém,  é tudo questão do... acaso. Mas o fato é que a concorrência avançou sobre a Hyundai na virada de linha e se o antigo i30 era praticamente imbatível em vendas, o novo -- mais caro e com motor menor, ainda que mais recheado -- derrapou, derrapou e ficou para trás; dinâmica similar ocorreu com o Elantra, médio com belo design, mas freios traseiros a tambor e que estreou motor flex 2.0 no começo do ano a preço de carro de luxo.

    Com isso, ganharam os rivais -- Ford Focus, Chevrolet Cruze Sport6 e Peugeot 308 entre os hatches; entre sedãs, o modelo da Hyundai só vende mais que o chinês JAC J5, o já falecido Citroën C4 Pallas e seu substituto, o recém-lançado e ainda pouco conhecido C4 Lounge.

    "Não há como prever isso [a variação de preços] na indústria, porque você tem que ir remanejando conforme o mercado. Isso é da vida. Não dá para avisar o cliente antes de baixar o preço. Como pode acontecer de aumentarmos antes da pessoa comprar e ela desistir do negócio", afirmou Maciel. 

    • Divulgação

      Elantra flex foi lançado por R$ 96 mil e hoje pode ser encontrado nas revendas por R$ 78 mil

    DESVALORIZAÇÃO
    O problema é que, além da irritação por ter gasto mais, o consumidor que adquiriu o carro pouco antes da desvalorização pode ter prejuízo também na revenda.

    "A redução no preço do zero-quilometro sempre puxa o valor do usado para baixo. O impacto é maior para quem troca o carro em menos de dois anos", alerta o economista Samy Dana.

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