Carros

Fiat Punto Blackmotion, R$ 50.550, tem visual forte e cabine caprichada

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo

Quando já estava claro que a Volkswagen perdera o interesse (e o respeito) pelo Polo brasileiro, era divertido ir aos eventos da montadora e dizer ao inevitável executivo que se misturava aos jornalistas: "Vocês abandonaram seu melhor carro!"

O engravatado, que sempre achava que o modelo em questão era de Jetta para cima, fazia cara de interrogação -- mas depois acabava concordando que o Polo, inaugurador do conceito de compacto premium, era mesmo um p... carro, e que era uma pena ter ficado para trás em nosso mercado.

No caso da Fiat, a versão Blackmotion (nome já usado pelo finado Stilo) acaba de nos convencer da supremacia qualitativa do Punto na gama da marca no Brasil. Bravo e Freemont, maiores e mais caros, não lhe fazem cócegas.

O dois-volumes, quarto carro mais vendido da Fiat no país (depois de Uno/Mille, Palio e da picapinha Strada; foram 31.329 unidades até o final de setembro), surgiu na forma atual em 2007 (2005 na Itália). Após a incorporação da Chrysler pela Fiat, ficou claro que seria o modelo mais afetado pela nova ordem do grupo. O facelift de 2012, em vigor no Brasil, serviu para adiar, por ordem direta do CEO Sergio Marchionne, uma eventual (e necessária) mudança de geração.

A Fiat é a única montadora entre as quatro grandes no Brasil que ainda não apostou na globalização de plataformas. A do Punto é herdada de uma colaboração da italiana com a General Motors. Não bastasse isso, o hatch é um produto inviável no mercado dos Estados Unidos, e só vende realmente bem na Itália e por aqui.

  • Murilo Góes/UOL

    Caso você se interesse pelo Punto Blackmotion, sugerimos que seja na cor preta, OK?

A boa notícia é que a Fiat, sempre a mais imprevisível das montadoras, resolveu bombar o Punto, o que é bem diferente de bombardear (ou implodir).

O hatch é oferecido em cinco versões, com quatro opções de motor (1.4, 1.4 turbo, 1.6 e 1.8) e duas de câmbio (manual e Dualogic, automatizado). Os preços vão de R$ 40.870 a R$ 58.300. A Blackmotion 2014, experimentada por UOL Carros, parte de R$ 50.550 e pode chegar a R$ 65.954 com todos os opcionais, sendo que os mais interessantes são o câmbio Dualogic (R$ 2.396), o teto solar Skydome (R$ 4.312), quatro airbags suplementares (laterais e de cortina, por R$ 2.709) e ar-condicionado automático digital e sensores de luz e chuva (R$ 1.695). (Clique aqui para ver equipamentos e dados técnicos do carro testado.)

Basicamente, o Punto Blackmotion é um Punto Sporting (R$ 2.270 mais em conta) abrutalhado externamente à semelhança do turbinado T-Jet; e lapidado internamente com capricho e bom gosto raramente vistos mesmo em modelos muito mais caros (da Fiat ou de rivais).

O trem-de-força é o mesmo nas duas versões: motor E-torq de 1,8 litro, com 130/132 cavalos de potência e 18,4/18.9 kgfm de torque (gasolina/etanol); câmbio manual de cinco marchas ou automatizado Dualogic Plus (de segunda geração).

Os parachoques agressivos, com reentrâncias na dianteira e, na traseira, extrator de ar, par de luzes centralizado e ponteira de escape dupla, são os elementos mais evidentes na "esportivação" desse Punto (e herdados do T-Jet). Contam pontos também as rodas diamantadas de 16 polegadas. De resto, há bobagens como minissaias laterais e adesivação exclusiva.

Na cabine, teto, colunas e painéis das portas têm revestimentos em preto, e preto também é o painel frontal, de vinil texturizado com toque macio. A cor branca predomina na iluminação de instrumentos, teclas, cluster de som e ar-condicionado, e um filete de luz decora graciosamente a seção em frente ao passageiro dianteiro.

Na unidade testada, os bancos eram parcialmente revestidos em couro (R$ 2.156 extras). É um ambiente mais germânico que italiano.

  • Murilo Góes/UOL

    O interior do Punto Blackmotion é caprichadíssimo e muito acima da média do segmento

O comportamento dinâmico do Punto Blackmotion, porém, incorpora o necessário jeitinho brasileiro. Por exemplo, o conjunto de pneus não é o de um carro de performance, mas suas conservadoras medidas (195/55 em aro 16) são mais adequadas para a ruindade de nossos pisos que as do Punto T-Jet, dono de pneus mais baixos em rodas maiores (205/50, aro 17). A calibragem da suspensão tem acerto mais resistente que o de toda a gama "civil" da Fiat; trabalhando com esses pneus, o resultado é estabilidade sem abrir mão do conforto para os ocupantes.

MELHOROU
A grande surpresa foi constatar a evolução do câmbio Dualogic, já em segunda geração (Plus). Mesmo quando era ruim, ele funcionava melhor com motores maiores (caso do Bravo 1.8); agora o sistema foi atualizado e melhorado pela Magneti Marelli (que também faz o I-Motion e o Easytronic, de Volks e GM) e, a depender do estilo de condução do motorista (leia-se, o quanto ele enterra, ou não, o pé direito no pedal), os trancos e engasgos nas mudanças de marcha quase não são percebidos.

Outra vantagem do Punto Blackmotion é o sistema DNA, uma espécie de "tecla Sport" que alterna o comportamento do trem-de-força, partindo do N (de normal) para o trabalho em giro mais alto (D, de dinâmico), ou, e muito pelo contrário, para a economia de combustível (A, de autonomia, mas que poderia ser de "anestesiado", já que o carro passa a responder lentamente ao acelerador).

Como esperável, o máximo de prazer ao dirigir do Punto Blackmotion dá-se em D, com troca sequencial das marchas nas aletas atrás do volante. O mínimo, ao colocar o seletor em A e deixar o Dualogic fazer o serviço. Assim não dá mais para dizer que se trata de um "p... carro", como na desbocada propaganda da versão na TV. Mas no geral é muito agradável dirigir o hatch, tanto na cidade travada quanto em estradas desimpedidas.

O consumo de combustível é um ponto fraco do Punto Blackmotion. Com etanol no tanque, rodando principalmente na cidade, a média obtida foi de 5,5 km/litro. Com gasolina, em circuito misto, a média foi de 8,7 km/litro. Também é de se lamentar que itens como ar automático e sensores de luz e chuva sejam opcionais; e que a Fiat ainda não tenha resolvido a ausência de telas táteis e navegador por GPS (um que seja decente) em seus carros menores. Mesmo assim, deu gosto conviver com esse Punto (muito mais que com Bravo e Freemont).
 

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