Carros

"Até criança vai entender", diz brasileiro criador do VW Up

Eugênio Augusto Brito
Murilo Góes

Do UOL, em Frankfurt (Alemanha)

20/09/2013 17h16

A Volkswagen usou o Salão de Frankfurt, na Alemanha, para ampliar a linha de seus dois modelos mais populares na Europa: o médio Golf, que chega este mês às lojas do do Brasil, ganhou versão elétrica (E-Golf, que chega às lojas no segundo trimestre de 2014) e a familiar Golf Sportsvan (que substitui a antiga Golf Plus); as variantes do pequeno Up também têm motor elétrico (saiba mais aqui).

Embora o plano de motorização alternativa da Volkswagen seja ambicioso e inclua o lançamento de mais 11 opções híbridas e elétricas (da marca mãe, mas também de Audi e Porsche) até o final de 2014, para o Brasil valeu mais a indicação dada por uma versão pouco comentada do Up elétrico: o E-Load Up, um furgãozinho baseado no hatch de quatro portas, que promete agilidade de compacto e versatilidade de comercial leve.

Não que haja planos definidos de vendê-lo em nosso país, seja com motor elétrico ou a combustão (que o E-load também pode ter) -- embora já exista até um concorrente local, o Uno Furgão. A grande questão por trás do Up furgão está na simplificação de alguns detalhes, que fazem dele uma espécie de antecipação do que poderemos ver no Up nacional: para-choques destacados do restante da categoria; interior alegre, mas com soluções de custo mais baixo; e, principalmente, tampa metálica, comum, para o porta-malas.

CIDADANIA BRASILEIRA
Apesar de aumentar a robustez do projeto e habilitá-lo ao uso mais severo -- seja transportando cargas, seja no atribulado asfalto brasileiro --, a simplificação não mudou o visual marcante do Up, cria de um designer brasileiro. UOL Carros conversou com Marco Antonio Pavone, que ajuda Walter de Silva e Klaus Bischoff no centro de estilo europeu da Volkswagen.

Marco Antonio tem um irmão gêmeo, José Carlos, também designer da Volkswagen, mas atualmente radicado nos Estados Unidos. Na função desde 2000, desenhou o Gol G4 e a primeira geração da SpaceFox no Brasil. Na Alemanha, onde chegou em 2005, criou o novo Jetta, o novo Polo (que não é vendido no Brasil) e o Up, que apesar do desmentido da montadora deve chegar em breve ao nosso mercado (para a alegria da mãe dos gêmeos Pavone).

Na entrevista logo abaixo, realizada na Alemanha, o designer afirmou ter usado sua "brasilidade" para criar o carrinho -- e confirmou que teve a intenção de criar um ícone, como o antigo Fusca:

UOL Carros -- Temos de começar falando de identidade de marca, até porque a Volkswagen é uma das montadoras mais marcadas e criticadas pelo family face, que deixa todos os carros muito parecidos. É mais fácil ou mais difícil criar carros com linhas pré-determinadas?
Marco Pavone -- É desafiador fazer design para uma marca como a Volkswagen, que tem compromissos definidos e a obrigação de entregar uma quantidade maior de carros. As linhas devem ser simples, extremamente funcionais e atemporais, mas sem abrir mão de uma noção de esportividade.

UOL Carros -- Mas isso não poda o talento do designer e, falando de carros, não tira a graça de se ter este ou aquele modelo? O novo Jetta, que você desenhou, por exemplo, não parece mais simples que os rivais por ter linhas também usadas no Voyage?
Pavone -- 
O novo Jetta é algo único, pois surgiu da necessidade de diferenciação para o Golf e conseguiu ter um caráter mais forte sem perder a referência. É um projeto simples, atemporal, mas que traz toda a noção de esportividade. Diferentemente dos rivais, ele pode ficar cinco anos no mercado sem envelhecer. Compare com os competidores da Citroën, da Toyota... Eu não quero falar mal, mas eles tendem a envelhecer rápido com suas formas apelativas, que parecem ousadas hoje, mas dão um salto tão alto que tendem a perdem força e cair em pouco tempo.

  • Reprodução

    Marco Antonio Pavone, designer da Volkswagen: Up tem toques de brasilidade

UOL Carros -- Então, você acredita que a identidade tão marcada como a da linha da Volks tem mais vantagens que desvantagens...
Pavone -- Essa noção atemporal, da simplicidade de linhas, isso é uma forma de respeito com o comprador. Garante que um carro nosso possa ficar mais tempo na garagem sem que o consumidor comece a pensar que ele está velho. E há também um respeito pela história do modelo predecessor.

UOL Carros -- Explique melhor.
Pavone -- 
Ao desenhar o novo Polo, me perguntei qual era o melhor ponto de cada geração anterior, o que podia evoluir e o que precisava ser mantido. Acabei criando um carro mais masculino e esportivo, mais jovem que o da geração anterior.  E sem perder a ideia de que aquele é um Polo.

UOL Carros -- O Polo que você criou não é vendido no Brasil, mas o Jetta é, e o Up já está próximo de nossas ruas [neste momento, um assessor da Volkswagen interrompe a conversa para "deixar claro que o Up ainda não está confirmado"; Pavone ri]. Como é ver um carro seu, criado neste momento em que você vive no exterior e tem outras influências, rodando pelo Brasil?
Pavone -- 
Ah, posso te dizer que minha mãe adora [mais risos]. Ela vê um Jetta e me liga para avisar. Mas eu crio com um jeito que veio da cultura brasileira, é um raciocínio diferente, algo nosso, uma forma de criar linhas e volumes que é único.

UOL Carros -- O Up é sua mais recente criação. Ele também tem essa cultura brasileira?
Pavone --
Na verdade, o mais recente é um projeto feito para ser o novo Golf, mas que acabou vencido pelo design que você pode ver no carro de produção.

UOL Carros -- Você acha que o "seu" Golf 7 tinha elementos que poderiam ter sido usados no carro de produção? O projeto ainda existe, pode ser visto? Qual dos dois ficou melhor, na sua opinião?
Pavone -- 
Não, o projeto não pode ser visto, é segredo industrial. Mas eu não mudaria nada no Golf 7.

UOL Carros -- Voltando ao Up...
Pavone -- 
O Up é uma ideia simples, porque busquei formas que até uma criança pudesse entender e desenhar. Busquei essa noção de modelo único, de marca, de estilo, aquele carro que passa na rua e você sabe dizer qual é, sem ler o nome. Por que o Fusquinha é um ícone? Por que todo mundo sabe desenhar um Fusca? Porque é uma ideia simples, mas atual e muito funcional. E há muito do ambiente brasileiro nele, porque pensei um volumes e formas, não em linhas. Os traços são fortes, positivos e musculosos [Pavone pega o bloco de anotações e faz o esboço do Up, que pode ser visto no vídeo desta reportagem, encerrando a conversa de forma bem-humorada].

Viagem a convite da Anfavea

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