Carros

Estranho remédio: Ford e Renault enfrentam crise com carros mais caros

Eugênio Augusto Brito
Murilo Góes

Do UOL, em Frankfurt (Alemanha)

13/09/2013 19h25Atualizada em 13/09/2013 19h36

Nenhuma montadora sabe direito o que esperar da Europa, que se recupera devagar da crise econômica, que atingiu seu auge em 2008/09 e ainda não se desfez. Algumas falam em cortes no chão de fábrica e nos portfólios (Peugeot, Opel), outras se mostram cautelosas (Fiat). Mas entre as que se sofreram menos com o furacão financeiro e podem se arriscar, duas se destacam pela mesma ideia ousada neste Salão de Frankfurt: Ford e Renault decidiram seguir um caminho trilhado antes por Citroën (com sua grife DS) e Volkswagen (que investe pesado na Audi) e fazer carros mais caros.

Isso mesmo: enquanto muitos contam os centavos no momento de decidir o que colocar na garagem, as duas marcas apostam em quem pode pagar mais caro pela ideia de exclusividade sobre rodas. A Ford aposta na divisão Vignale, estúdio italiano de design, que passará a nomear séries de seus modelos a partir de 2015, a exemplo do que a Ghia fazia até 2010. Já a francesa Renault ressuscita o nome Initiale para definir versões mais caras de seus veículos.

Em ambos os casos, a largada se dá com conceitos que antecipam os modelos reais. Nas duas histórias, refinamento exterior, alta qualidade na cabine e serviços extras definem a oferta. Nenhum preço foi definido, mas é inegável: serão mais caros que as versões topo de gama atuais.

ÍTALO-AMERICANO
Vignale é o nome do estúdio criado em Turim e que prestou serviços a montadoras locais como Fiat, Alfa Romeo e Ferrari por duas décadas entre a parte final dos anos 1940 e 1960, quando parou na mão da DeTomaso e Ford. Após nomear alguns conceitos esparsos, ressurge sob os holofotes no lugar "espiritual" do estúdio Ghia, que emprestava seu escudo às versões mais caras de modelo da marca americana até 2010.

Com uma diferença: além do visual mais apurado e exclusivo -- muito cromado (embora isso seja de gosto duvidoso), couro de alta qualidade e oferta de mimos como rede de internet no interior da cabine --, a Ford promete oferecer ainda o chamado serviço conciérge, buscando e trazendo o carro de reparos, bancando a lavagem para o resto da vida e garantindo cortesias em espetáculos e restaurantes.

O primeiro modelo previsto é o novo Mondeo, sedã e perua, versão europeia do americano Fusion, cuja personalização é visto como conceito no salão.

EURO-CANADENSE
Além do médio-grande com acabamento luxuoso, outra estrela do estande é o conceito S-Max, com duas funções. A mais imediata é atualizar o visual da minivan disponível na Europa com a family-face da Ford. A outra também tem a ver com o estilo do modelo, mas é mais interessante para o Brasil: os traços do S-Max serão aproveitados também na reestilização do grandalhão Edge, que chega ao nosso país importado do Canadá. Consegue ver?

UM CONCEITO PARA MUITOS

  • Murilo Góes/UOL

    Essa frente de minivan cabe no Edge? A Ford diz que sim... e que vai ficar bom

À FRANCESA
Initiale rima com Vignale, no som e na estratégia. A Renault retoma um nome que mantém desde meados da Segunda Guerra e que usou aqui e ali ao longo dos últimos 70 anos. No centro do estande com estilo premiado (onde luminárias adornam todo o teto, enquanto poltronas em forma de ovos fofos e gigantes se espalham pelo chão), uma minivan púrpura com carroceria cintilante atende por Initiale Paris.

Este é o sexto e último carro-conceito criado pelos franceses na tentativa de redefinir linhas e usos de seus modelos. Os anteriores deram origem à identidade atual (com faróis, grade e logo integrados numa espécie de letra V bem aberta pelo protótipo DeZir), a um crossover (Captur), a uma minivan compacta (R-Space), a um utilitário mais avançado (e conectado, mostrando propagandas e catálogos em telas integradas à lataria) que o Kangoo (Frendzy) e à nova geração do sub-compacto Twingo (Twin'Z e Twin'Run). Este último vai virar a nova Espace e define a era da "sabedoria, do conhecimento sobre a vida" -- quando teoricamente alguém já experimentou tudo e pode escolher o melhor, segundo a montadora.

Futurista, tem teto de acrílico e metal, que se acende para exibir o mapa de Paris (a cidade-luz); LEDs que se rearranjam no conjunto óptico (ideias); partes da carroceria que se movem como partes de asas de avião (viagens); e portas suicidas que revelam o interior em forma de sala (aconchego).

Quase nada disso interessa ao Brasil: no caso da Ford, mais pela nova cara do Edge; pela Renault, só por conta do visual que já está (improvisado) no nosso Clio, estampará Logan a partir de novembro (e Sandero em 2014) e deve chegar logo ao Fluence e, se tudo der certo, ao esportivo Mégane R.S..

Mas americanos e franceses parecem ter o rapper brasileiro Emicida como guru ao acreditar que quem pensar pequeno vai ficar sem nada.

Viagem a convite da Anfavea

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