Carros

Novo Peugeot 308 é "Golf francês" que Brasil não verá tão cedo

Eugênio Augusto Brito
Murilo Góes

Do UOL, em Frankfurt (Alemanha)

No estande da francesa Peugeot no Salão de Frankfurt, uma mulher com olhar chocado praticamente barrava ao companheiro metros à frente: "Isso é o Golf, isso é o Golf". Não podia haver melhor comparação para a segunda geração do hatch médio 308, que estreia globalmente no evento alemão.

Global, porém, não é o melhor termo para este lançamento. O Brasil, por exemplo, foi "esquecido" e seguirá por muito tempo -- muito mesmo -- sem saber qual é a cara do modelo. Afinal de contas, o primeiro 308 surgiu por aqui há apenas um ano e meio (releia nossas impressões feitas em 2012, aqui).

Se serve de consolo -- e aí, você decide, caro leitor -- o carro vendido no país (e que é fabricado na Argentina) terá novidades no próximo mês, com a adoção sistemática do câmbio automático de seis velocidades e aposentadoria da caixa de quatro marchas (que já vai tarde).

É curioso, porém, saber que o novo 308 terá a missão de "fazer frente aos alemães" na Europa, segundo executivos da marca. Mas que, no Brasil, um desses alemães terá a missão facilitada por enfrentar o antigo 308. O Volkswagen Golf 7, que acaba de ser apresentado ao mercado brasileiro, será ao mesmo tempo rival ferrenho e mais doce inspirador.

Esta segunda encarnação do 308 é construída pela Peugeot sobre a nova plataforma modular (a EMP2), a exemplo do que a Volks faz com sua base modular (MQB) para ter o Golf. Além de configurações variadas e diversas possibilidades de motorização, entre outras características, a modularidade permitirá à marca reduzir custos de produção, uma vez que modelos diferentes podem ser produzidos com menor investimento. Ainda assim, a montadora acredita que o gasto na atualização não se justifica para o mercado sul-americano.

MASCULINO
Perde o consumidor: o Brasil não verá a versão mais máscula do modelo médio, com frente mal-encarada, traseira cortada rente, eixos mais próximos das extremidades e consequentemente, ótimo espaço interno; e perde a marca: que abre mão de competir de verdade no segmento.

Por dentro, o 308 aposta no chamado "i-cockpit" ou posto de condução interativo. Trata-se de uma evolução da cabine montada para o compacto 208, novamente com volante pequeno e em posição mais esportiva (com posicionamento mais baixo e pegada mais ligeira e precisa); painel de instrumentos elevado; central de infotenimento digital, com visual de smartphone e capacidade de controlar tudo, dos ajustes do carro e música à telefonia Bluetooth.

Mas não é mera cópia do 208 em tamanho M. O novo 308 também tem sua personalidade. Apesar de menor (são 4,25 metros de comprimento contra 4,27 do 308 atual), o modelo está ligeiramente mais generoso com os ocupantes (2,62 m de entre-eixos ante 2,61 m). Os bancos são amplos e aconchegantes, mas ainda assim com uma ponta de esportividade. Os ótimos materiais no revestimento de painéis e consoles surpreendem. Já o amplo teto solar panorâmico é opcional já conhecido. No porta-malas, apenas 420 litros, redução de 50 litros para o carro atual. No conjunto óptico, a maior afinidade com o irmão menor, com uso massivo de LEDs e lentes que lembram o olhar de felino (faróis) e a marca da garra do leão (lanternas).

Se viesse ao mercado brasileiro, poderíamos dizer que as motorizações mais interessante seriam aquelas movidas a gasolina, com turbo e injeção direta (THP), de 1,6 litro. Uma configuração rende 127 cavalos, enquanto a outra entrega os conhecidos 156 cavalos, sempre com câmbio manual de seis marchas. Rodas mais de raio 17 (ou 18 opcionais) completam o perfil esportivo.

Resta sonhar com a derivação que a Citroën fará em breve, sob o rótulo de novo C4. Ou então fazer como a Peugeot local e facilitar para os alemães.

FALA, XARÁ

Há alguns dias, executivos da Volkswagen reclamavam de uma europeia que, nas palavras deles, "copiou nomes de versões, como o GTi, apesar de usar a última letra minúscula". Nenhum nome foi dito, mas o fato é que a Peugeot deixou de mostrar um 308 GTi, a exemplo do que fez com o compacto 208, para jogas as luzes sobre o conceito de esportivo 308 R.

Curiosamente, é a mesma terminação usada pela variante de performance do Golf, posicionado acima do Golf GTI, e que também está sendo apresentado no Salão de Frankfurt.

Viagem à convite da Anfavea

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