Carros

Atualizada em 20.08.2013 12h29

Sindicato diz que Classic passa a ser argentino e cobra novo carro da GM

Divulgação
Sem Classic, operários cobram fabricação de substituto do Celta (foto) em São José dos Campos Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito
André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

A GM havia comunicado na última sexta-feira (16) o encerramento da produção do sedã Chevrolet Classic, o três-volumes mais barato do país, na fábrica de São José dos Campos (SP). De acordo com a montadora, "altos custos de produção" justificaram a decisão e levaram ao remanejamento da linha para as unidades de São Caetano do Sul (SP) e Rosário (Argentina). O Sindicato de Metalúrgicos local, no entanto, contesta as informações e garante que o modelo passará a ser importado da Argentina apenas.

QUEDA DE BRAÇO

  • Nilton Cardin/Folhapress

    Luiz Moan Yabiku Jr., diretor de assuntos institucionais da GM e presidente da Anfavea (associação das montadoras), apresentou posição da Chevrolet: Classic deixa de ser feito em S. José, mas segue em S. Caetano e Rosário (Argentina).

    Macapá (abaixo), do Sindicato de Metalúrgicos, afirma que GM repassou produção do Classic apenas para a Argentina, reduzindo empregos no Brasil, e cobra retomada do modelo, além de definição sobre chegada de novo compacto da marca, provável substituto do Celta.

  • Lacaz Ruiz/A13

Segundo a entidade, a sede da GM no ABC paulista já opera na capacidade máxima e não é responsável pela montagem do Classic há algum tempo. Além disso, a montadora estaria contrariando dois acordos feitos com os funcionários de São José dos Campos: o de manutenção da produção do Classic até 31 de dezembro de 2013; e a definição da fabricação de um novo compacto popular -- substituto do Celta (veja mais detalhes no site da Car And Driver), provavelmente -- na unidade, decisão que deveria ter sido anunciada em julho.

"O Classic não vai ser montado em São Caetano do Sul, que já opera com a capacidade máxima. Além disso, não há justificativa para que a GM tire a produção do Classic de São José e passe importá-lo da Argentina para o Brasil, tirando empregos daqui", afirmou Antonio Ferreira de Barros "Macapá", presidente do Sindicado de Metalúrgicos de São José dos Campos, em entrevista a UOL Carros.  

Macapá afirma que a decisão de interromper a fabricação do Classic -- segundo ele em território nacional, segundo a GM apenas em São José -- "rompe acordo multilateral assinado pela GM, pelo sindicato, pela secretaria nacional do Ministério do Trabalho, pela Prefeitura de São José dos Campos e por representantes do governo estadual e deixa 750 operários desassistidos".

"A GM foi a montadora que mais cresceu em vendas este ano, recebe incentivos do governo federal para manter empregos e produção no país e agora descumpre os acordos feitos", acusa o sindicalista.

Além disso, segundo Macapá, a confirmação do acordo de investimento de R$ 2,5 bilhões para a construção de nova linha de montagem para um carro inédito na unidade de São José deveria ter sido anunciado em 6 de julho. "[O acordo] já havia sido definido pela GM, inclusive com a presença do presidente mundial da empresa, mas a marca afirma agora ainda estar definindo qual modelo será feito", complementa Macapá.

Sem o Classic, a unidade de São José é responsável neste momento pela produção dos utilitários S10 (picape média) e Trailblazer (SUV derivado da picape), de motores e transmissões e de estamparia para outras unidades.

  • Divulgação

    Classic "segue ciclo normal em 2014", segundo GM; sindicato diz que sedã será feito apenas na Argentina, contrariando anuncio da montadora

FIM DE VIDA?
A linha de São José era responsável pela fabricação de cerca de 150 unidades/dia do Classic e trabalhava em turno único há alguns meses. O Classic foi o sexto carro mais vendido de julho, com 10.973 unidades emplacadas, e acumula 54.659 veículos vendidos desde janeiro. Segundo a GM, o modelo tem previsão para seguir seu ciclo "normal" em 2014.

Atualmente, o sedã 1.0 de 78 cavalos (com etanol) é vendido por iniciais R$ 26.540, na configuração "pelada". Com direção hidráulica, ajuste de altura dos cintos de segurança e freios com ABS (antitravamento), salta para R$ 26.740. Para ter ar-condicionado, além dos freios mais seguros com ABS, é preciso pagar R$ 29.240. Por fim, o pacote com freios com ABS e airbag duplo, entre outros itens -- única configuração a ser aceita a partir de janeiro de 2014, de acordo com a lei -- faz o preço chegar a R$ 30.440 (pacote opcional identificado como PDA no site da Chevrolet).

O hatch Celta, estruturalmente próximo ao Classic, também conta com pacotes que variam de R$ 25.040 (duas-portas, "pelado") até R$ 30.240 (quatro-portas com freios com ABS e airbag duplo frontal -- itens que não são vendidos na configuração de duas portas).

Ambos são derivados de projetos dos anos 1990 e divergem, estruturalmente, dos carros de passeio mais recentes da GM, em sua maioria montados sobre uma única plataforma -- desta base, nascem:

Hatches: Onix (feito em Gravataí, no Rio Grande do Sul) e Sonic (importado anteriormente da Coreia do Sul e agora do México).
Sedãs: Prisma (RS), Sonic (mesma origem do hatch) e Cobalt (São Caetano do Sul).
Monovolume: Spin (São Caetano do Sul).

Um novo compacto, substituto sobretudo para o Celta, que caiu em vendas com a chegada de concorrentes atualizados (como Hyundai HB20, Toyota Etios e atualizações de Volkswagen Gol e Fiat Uno) e do próprio Onix hatch e não mais se recuperou, seria um movimento mais do que esperado por parte da GM e deveria chegar até 2017, data prevista pelo planejamento inicial da marca.

NEGOCIAÇÕES
O Sindicato de Metalúrgicos prepara uma reunião para a próxima quarta-feira (21), às 10h, com os operários da unidade de São José dos Campos. "O objetivo é mobilizar os trabalhadores da fábrica e a cidade de São José", diz Macapá, que promete uma marcha até Brasília, caso as conversas com a GM não deem resultado.

Na sexta-feira (23), será a vez de nova rodada de negociação com a General Motors. Não estão descartados planos de aposentadoria e acordos para demissões voluntárias, mas a GM afirma que pretende remanejar todos os funcionários.

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