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Citroën C4 Lounge THP escapa da caretice com motor 1.6 turbo

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

13/08/2013 19h12Atualizada em 14/08/2013 21h19

UOL Carros guiou por quatro dias e 325 quilômetros o C4 Lounge Exclusive 1.6 THP, versão mais cara, equipada e potente do novo sedã da Citröen, que substitui a contento o decadente C4 Pallas. Por R$ 77.990, é inédito e totalmente exclusivo nas ruas, tem visual mais atual que o do modelo anterior (lembra as criações recentes da marca) e trem-de-força interessante (motor 1.6 a gasolina, com turbo, injeção direta, 165 cavalos de potência a 6.000 giros e torque de 24,5 kgfm logo a 1.400 rpm; o câmbio automático tem seis marchas, mas esquece das trocas no volante). Nesse tempo, ninguém abordou nossa equipe no trânsito para saber algo sobre o carro -- isso é tão raro, que sequer lembramos de outro caso como este.

TODOS OS PREÇOS DO C4 LOUNGE

2.0 Flex Origine M/TR$ 59.990
2.0 Flex Tendance M/TR$ 62.490
2.0 Flex Tendance A/TR$ 66.990
2.0 Flex Exclusive A/TR$ 72.490
1.6 THP Exclusive A/TR$ 77.990

Pode ser que o tom de cinza da carroceria tenha ajudado a "camuflar" o C4 Lounge no mar cinza/prata de sedãs do nosso trânsito. Mas o ponto é que o novo três-volumes fabricado em El Palomar (na Argentina, fábrica que entrega toda a linha de médios da PSA) é um modelo careta, conservador mesmo. Nesse sentido, ele é quase que simetricamente oposto ao C4 Pallas, que tinha uma verve contestadora quando foi lançado (basta lembrar do volante com cubo fixo, do perfumador de ambiente e até mesmo das linhas externas).

Ainda que seu visual siga a atual tendência da Citroën -- frente do C4 hatch europeu, estilo lateral que lembra o primo-irmão Peugeot 408 e traseira que evoca modelos alemães -- é inegável notar que o resultado da mistura é mais racional e menos de vanguarda. Com um dedo da China no projeto, o C4 Lounge foi pensado para atrair o consumidor de mercados emergentes, mais tradicionalista. Apesar de ter chegado tarde ao segmento (já bem definido) e o fazer com preço um tanto elevado para o que se imagina ser a importância da marca no segmento (ainda que seja mais barato que muitos dos concorrentes), pode ser que as coisas caminhem bem por conta desse traço conservador -- afinal, os líderes Honda Civic e Toyota Corolla (este principalmente) também se valem desse perfil menos disposto a riscos. 

O PONTO DA DISCÓRDIA

  • Murilo Góes/UOL

    Simplificação do aro visto no luxuoso DS4 (abaixo), volante tamanho GG do C4 Lounge dificulta manobras, sobretudo na hora de estacionar, e mal cabe na foto.

  • Murilo Góes/UOL
  • Murilo Góes/UOL

    Cria do mesmo grupo, Peugeot 208 e seu volante tamanho P (acima) facilitam condução e manobra. Propostas são diferentes, mas boa ergonomia poderia ser padrão.

Neste momento, seria hora de falar do que o C4 Lounge traz de bom. Mas vamos ter de adiar: o primeiro e mais constante contato do motorista com o carro, na cabine, é com o volante; e nossa relação foi complicada. Nossas fotos não mentem, a realidade muito menos. A peça emprestada do DS4 (mas com menos teclas rápidas e menor sofisticação) é grande e pesada demais, muito incômoda em manobras. A assistência elétrica deixa as coisas tranquilas em velocidade de cruzeiro, mas operá-lo no trânsito nosso de cada dia e nas balizas cada vez mais constantes de vagas cada vez mais curtas torna-se quase um martírio. Fica difícil imaginar que um comprador real não vá sentir vontade de mudá-lo com o tempo -- o volante com cubo fixo do antigo C4 tem aro fino e leve e quase pedimos para ressuscitá-lo.

De resto, é um show de ergonomia: os bancos são amplos e confortáveis como o sofá de casa, os instrumentos são voltados para o condutor e têm cor de iluminação variável (do azulado ao branco) e tudo é pensado para sanar as necessidades de forma prática. Os comandos do sistema de climatização estão agrupados; o mesmo ocorre acima, com os comandos da tela de LCD colorida de sete 7 polegadas -- CD/rádio/MP3, telefonia, GPS e a bem-vinda câmera de ré --, ainda que se leve algum tempo até se descobrir que um comando giratório serve para o volume e o outro para percorrer as opções e/ou canais (no volante, de novo, as coisas são piores com a mesma "legenda" para as duas teclas -- sinais de "mais" e "menos" -- ainda que as funções sejam diferentes).

É preciso abrir um parêntese para o botão de partida do C4 Lounge THP. Com a chave no bolso (ou bolsa), é possível destravar o carro e dar a partida no motor. Mas, de novo, seria melhor ter o comando numa outra posição, que não à esquerda do volante. Os defensores vão dizer que isso evoca uma tradição esportiva, mas essa não é a proposta do carro. E se fosse, a falha de posicionamento (a mesma mão esquerda que dá a partida deveria estar pegando o cinto de segurança) e o atraso decorrente acabariam com tudo.

EM MOVIMENTO
Com 1.512 kg e o mesmo motor 1.6 turbo do cupê esportivo DS3, o C4 Lounge tem um comportamento interessante, longe de qualquer visceralidade, mas apto a livrá-lo da pasmaceira. O melhor da história está na entrega do torque, logo aos 1.400 giros, permitindo boas saídas de semáforos e aquela sensação de que o carro tem saúde para retomadas e ultrapassagens. A Citroën promete aceleração de 0 a 100 km/h em quase 9 segundos e máxima de 214 km/h.

Bem ajustado, o câmbio de seis marchas mantém o ritmo adequado, abaixo do patamar de 2 mil giros sempre que possível, sem trancos e (melhor) indecisões ou ruídos chatos. Se tudo está tranquilo, a sexta marcha chega rápido e ajuda a poupar combustível. Na pressa, marchas mais baixas deixam o sedã ágil. O mesmo pode ser dito do ajuste de suspensão, cada vez mais adequado ao piso brasileiro (eterno pesadelo de quem tinha/tem carros franceses mais antigos), ainda que as belas rodas de 17 polegadas e 15 raios da versão (com pneus 225/45) aumentem a sensibilidade a pisos mais afetados.

Haverá alguém para reclamar da perda de capacidade no porta-malas, dos 580 litros do Pallas para 450 litros no Lounge. O fato é que o espaço ainda é bom e ganhou-se no visual externo e no conforto dos passageiros, que têm espaço de sobra (de verdade) para pernas no banco de trás, ainda que o entre-eixos seja o mesmo, com 2,71 metros.

No geral, o ânimo de passageiros e motorista agradece e o bolso também: enquanto o C4 Pallas automático penava para fazer 4 km/l (etanol), encostando nos 6 km/l com gasolina, o C4 Lounge chega fácil aos 10 km/l, passando de 12 km/l na estrada (só com gasolina, lembre-se). E isso é o que vale.

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