Carros

Chery Tiggo muda cara e interior e tenta crescer no Brasil

André Deliberato

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/06/2013 19h23Atualizada em 06/06/2013 15h53

Desde que lançou o Tiggo no Brasil, na segunda metade de 2009, a Chery vendeu 9.652 unidades do modelo (média de 215 carros/mês). A maior parte dessas vendas foi entre 2010 e 2011, com 6.788 emplacamentos. Em 2012 esses números pioraram (pouco mais de 2 mil unidades no ano), e em 2013 caíram de vez: de janeiro a maio, apenas 355 Tiggo saíram das lojas.

Boa hora para a Chery se mexer e trazer ao Brasil um facelift do jipinho. Na China, o carro já está sendo vendido. E, diferentemente do que diziam as especulações, o SUV Beta 5, mostrado em Xangai, não é a nova geração do jipinho, mas um modelo maior, de outra categoria, que pode inspirar o desenho do futuro Tiggo (ainda sem previsão de chegada).

O Tiggo reestilizado também entra no mercado do Chile nesta semana e será apresentado à imprensa brasileira no final do mês. Sua chegada às ruas deve acontecer, efetivamente, até o final de julho.

Em abril, UOL Carros teve a oportunidade de conhecer e fazer um rápido test-drive com o Tiggo renovado em circuitos fechados de Wuhu, cidade no interior da China que é sede da Chery. A versão avaliada usava motor quatro-cilindros de 2 litros, câmbio automático CVT e tração 4x4.

A tradicional renovada de meia-vida deu ao Tiggo uma frente mais bem resolvida, com novos faróis, grade e parachoques; interior reformulado; e novas lanternas. Esteticamente ele está melhor que o anterior, embora tenha alguns deslizes, como o desnecessário friso cromado na grade dianteira que faz uma curva abaixo do logo. Sabemos que os chineses gostam de enfeites, mas esse é um ponto que a Chery poderia rever no modelo que será vendido por aqui.

  • Bufalos/Divulgação

    Nada de nova geração: Tiggo 2014 tem facelift para ajudar Chery a esquentar vendas no Brasil

INTERIOR MELHOR
Por dentro, o Tiggo é mesmo outro. O painel ganhou refinamento de carro mais "experiente" (e não de chinês que desconhece o gosto do brasileiro) e chega a lembrar o de modelos coreanos. A ergonomia melhorou. O desenho do interior também evoluiu, mas não a ponto de poder ser comparado com europeus. Lembra o de japoneses de alguns anos atrás: é simples e direto.

Até a posição de dirigir mudou. Muitas reclamações de donos de Tiggo, inclusive no Brasil, eram sobre o banco do motorista mais elevado e o volante inclinado. O modelo agora tem volante alinhado (mais carro, menos "Kombi"), com coluna de direção ajustável em altura e profundidade, e banco mais baixo (também com ajuste de altura).

O espaço é bom para cinco pessoas. Os três passageiros traseiros têm boa área para as pernas e ainda contam com cinto de três pontos e apoio para cabeça. O porta-malas parece manter o mesmo volume do Tiggo atual (520 litros, de acordo com o método VDA de medição), mas a Chery não informou o número exato.

TREM-DE-FORÇA
O carro avaliado por UOL Carros na China usava o mesmo motor 2 litros de 135 cv e 18,2 kgfm de torque (com gasolina) oferecido no Brasil desde o lançamento, há quase quatro anos. O câmbio, no entanto, era CVT (relação de marchas continuamente variável) e não manual. E a tração era 4x4.

Essas duas opções, aliás, devem passar a ser oferecidas pela Chery no Tiggo 2014 (até agora, apenas câmbio manual e tração 4x2 estavam disponíveis no Brasil).

Na prática, as respostas do acelerador continuam semelhantes, ainda que veículo demore mais para reagir por causa do câmbio CVT (com transmissão manual, as trocas são mais rápidas). A tração 4x4 não pôde ser totalmente explorada durante o test-drive, mas alguns exercícios off-road mostraram que o SUV encara leves aventuras em trechos mais difíceis.

A suspensão do carro chinês é molenga, mas isso não é crítica: chineses adoram "barcas" (traduzindo: sedãs em versões alongadas ou utilitários esportivos extravagantes com suspensões "de gelatina") e, como só rodam em asfaltos lisos e sem imperfeições, não precisam de calibração mais rígida. Este é outro ponto importante que a Chery deve rever no carro vendido no Brasil, cuja produção (em CKD, ou seja, apenas montagem de kits de peças) será no Uruguai, país que é membro da união aduaneira do Mercosul (não há imposto sobre a importação).

SEM VERSÕES
Na China o Tiggo também é oferecido com motor 1.6 e em várias configurações de acabamento, mas a marca não deve mudar o catálogo do modelo que será vendido Brasil  -- deve apenas incluir a opção de transmissão CVT e tração 4x4. Uma coisa é certa: a tradição chinesa de preço "baixo" e pacote de equipamentos recheado será mantida. Mas teremos de esperar até o final de junho para saber versões, dados técnicos e preços oficiais.

Concluímos: o Tiggo reformulado melhorou bastante em relação ao anterior. Não a ponto de incomodar Ford EcoSport e Renault Duster, mas sim de poder ajudar a Chery, que constrói sua fábrica em Jacareí (SP), a engrenar de vez no Brasil.

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