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Charme do Punto 2013, nova lanterna vira aborrecimento

Divulgação
Gama 2013 do Punto, do Attractive ao T-Jet (foto), traz como marca lanternas mais retilíneas e com LEDs Imagem: Divulgação

Renata Turbiani

Colaboração para o UOL

17/05/2013 16h00

Lançado em julho do ano passado, o Fiat Punto ano-modelo 2013 fez sucesso entre os brasileiros por conta do visual remodelado, que passou a incluir lanternas traseiras mais altas, retilíneas e com iluminação por LEDs. Segundo dados da Fenabrave (associação das revendas), de agosto de 2012 até abril deste ano foram emplacadas 38.896 unidades do hatch premium.

Mas, passado o encantamento inicial com a novidade, muitos proprietários do Punto notaram um imprevisto: a presença de água dentro das charmosas novas lanternas.

Só para ter uma ideia da extensão do problema, um tópico criado em fevereiro por um cliente da marca, o arquiteto Márcio Henrique Colauto, 24 anos, no fórum do site Punto Clube, registrava até a primeira semana de maio 35 reclamações sobre as lanternas. UOL Carros conversou com alguns desses proprietários do Punto 2013. Eles afirmam que o carro apresenta um possível defeito de fabricação que permite a entrada de água (infiltração) sob as lentes das lanternas traseiras.

Os relatos são de que as peças ficam embaçadas e cheias de gotas. O problema, que não tem relação direta com o uso de LEDs em vez de lâmpadas comuns, pode durar de algumas horas até vários dias, e ocorre principalmente (mas não só) quando chove, ou no processo de lavagem do automóvel.

  • Renata Turbiani/UOL

    Jonatan Roberto dos Santos ao lado de seu Punto (no detalhe, a lanterna afetada): "Embaça todos os dias, nem precisa chover", diz o programador, que afirma ter desistido da Fiat

No caso de Colauto, que comprou seu Punto Essence 1.6 em outubro de 2012 na revenda Auto Via, em Palmas, no Tocantins, o problema foi percebido já nos dois primeiros meses de uso, após período de fortes chuvas na região. "Não dei muita importância, mas foi se repetindo e resolvi levar o carro à concessionária", diz o arquiteto. Segundo ele, após vários testes lhe foi dito que as peças seriam trocadas, e que um pedido seria feito à Fiat. "Nunca me procuraram para agendar a troca e, há algumas semanas, quando levei o carro para fazer a revisão dos 7.500 quilômetros, me informaram que a Fiat não havia autorizado a substituição", lamenta Colauto.

Escolhi o Punto porque gostei do design. Na época de chuvas, percebi que as duas lanternas estavam embaçadas. Levei na concessionária e, para minha surpresa, disseram que é normal. Toda vez que chove ou que lavo fica assim. Uma advogada me aconselhou a ir ao Procon

RAFAEL GUIMARÃES ROQUE, 29 anos, chaveiro, de Belo Horizonte (MG) e dono de um Fiat Punto Essence 1.6

Um gerente da Auto Via, que pediu para não ser identificado, disse a UOL Carros que a troca não foi feita por não se tratar de um defeito. "O que aconteceu no Punto do cliente não foi infiltração, e sim condensação", afirmou. Seria o mesmo fenômeno que ocorre com o parabrisa quando há diferença nas temperaturas externa e interna. Para o gerente, a condensação dentro das lanternas é normal, especialmente em Palmas, uma cidade de clima úmido. "Quando um cliente nos procura com essa queixa, fazemos um teste: rodamos com o automóvel com a lanterna acesa por cerca de 15 minutos, e se o embaçado continuar, aí sim consideramos um problema", explicou o gerente. Não foi o caso do Punto de Colauto.

O arquiteto reage: "Isso depende da quantidade de água que entrou", garante. "Meu Punto já chegou a ficar desse jeito por três dias, e por isso acho absurdo dizerem que é normal".

Peguei meu Punto em janeiro e reparei no problema no mês seguinte. Procurei a concessionária e ninguém me levou muito a sério. Depois a lanterna embaçou de novo e ficou cheia de gotículas. Corri lá para eles verem e acabaram fazendo a troca, mas não adiantou nada. Voltei, e começaram com a história de que não é defeito. Me sinto enganado. Sei que isso não é normal, sou engenheiro.

ELISEU RINCON GARCIA JR., 35 anos, engenheiro, morador de Maringá (PR) e proprietário de um Fiat Punto Essence 1.6

Outro insatisfeito é o analista de suporte Bruno Martani, 25 anos, de Piracicaba, no interior de São Paulo. Ele comprou um Punto Essence 1.6 na concessionária Stefanini em outubro de 2012. Seu relato: "Na primeira vez que lavei o carro, notei que a lanterna estava embaçada e com água na parte interna. Levei na revenda e, na mesma hora, fizeram o pedido de novas lanternas. Mas, no dia da troca, me informaram que solicitaram  a peça errada e que teriam de fazer um novo requerimento. Isso foi no final do ano passado, e estou esperando até hoje".

Martani diz que, caso o Punto fique exposto ao sol, o embaçado e as gotículas somem mais rápido. "Mas na sombra leva mais de uma hora", lamenta.

Há mais casos. Jonatan Roberto dos Santos, 25 anos, programador, está tão decepcionado com o carro (outro Punto Essence 1.6) que pretende vendê-lo assim que quitar o pagamento junto à revenda Auguri, de Osasco (SP). Seu depoimento: "Um automóvel desse valor [R$ 42 mil] não pode apresentar esse tipo de defeito. Todos os dias as duas lanternas embaçam, e nem precisa entrar água para isso acontecer. Mas o pior é a Fiat tratar como condensação, como algo normal. É muita falta de respeito com o consumidor. Esse é meu primeiro e último Fiat".

  • Renata Turbiani/UOL e arquivo pessoal

    Lanternas dos Fiat Punto de Bruno Martani, Eliseu Rincón Garcia Jr. e Márcio Colauto

QUATRO TROCAS
O servidor público Fabrício Souza, 31 anos, dono de um Punto Essence 1.6 desde agosto de 2012, diz que a montadora italiana está tentando se esquivar da responsabilidade ao tratar a situação como habitual. No caso dele, as lanternas do carro já foram trocadas quatro vezes.

Na primeira lavagem do Punto já notei que as lanternas estavam embaçadas -- e elas nunca mais desembaçaram. Na concessionária, usaram um secador para tirar a água e solicitaram novas lanternas à fábrica. Quando voltei, me mostraram comunicado da Fiat dizendo que a troca não seria feita. Avisei que iria ao Procon e me pediram mais duas semanas. As lanternas chegaram. Se acontecer de novo, vou ao Procon.

JEFFERSON FERREIRA DE OLIVEIRA, 24 anos, designer gráfico, morador de São Paulo (SP), tem um Punto Essence 1.6

"Pela quantidade de vezes que substituíram as peças do meu carro, e pelos vários outros relatos de usuários, percebo que este é um problema ou de projeto da lanterna, ou do próprio carro, já que toda a água que desce pelo teto do veículo, na chuva ou numa lavagem, passa por detrás das lanternas", avalia Souza. "Não dá para aceitar essa alegação de que é característica do veículo", desabafa.

Bruno Grangeiro, gerente de pós-venda da concessionária Estação, de Brasília (DF), onde Souza adquiriu o Punto, disse a UOL Carros que se tratou de um caso isolado: "O Punto dele realmente apresentava infiltração nas lanternas; foi falha do produto, mas algo pontual e que já foi resolvido".

Reclamações de outros donos de Punto quanto às lanternas com suposta infiltração estão reproduzidas nesta página. Procurada por meio de sua assessoria de imprensa, a qual foi informada das queixas dos clientes, a Fiat enviou à reportagem a seguinte nota de esclarecimento:

"A condensação da umidade do ar nas lanternas, com ocorrência predominante nos dias mais frios e úmidos, é prevista no Manual de Uso e Manutenção [do Punto] e não afeta a funcionalidade do conjunto. É diferente de infiltração, onde não só água, como sujeira, pode invadir o componente. A Fiat encontra-se à disposição para, através de sua rede de concessionárias, atender eventuais reclamações, identificando a origem correta do inconveniente e providenciando as intervenções necessárias".

O QUE ACONTECE?
Especialistas ouvidos por UOL Carros avaliam que o problema relatado pelos proprietários de Punto não é normal. Nilton Monteiro, diretor-executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), afirma que a condensação é um fenômeno natural, mas nela a peça não continuaria embaçada ou com gotas d’água após 10 ou 15 minutos.

Tive Punto antes e nunca deu problemas, então resolvi comprar o novo. Quatro meses depois notei a infiltração. E nem precisa chuva ou lavagem. A lanterna fica embaçada do nada, à noite, ao amanhecer e mesmo com sol forte. Já chegou a ficar um dia inteiro assim, mas normalmente dura entre três e oito horas. A concessionária diz que isso é normal em alguns casos. Nem sei muito bem o que fazer agora.

CARLOS HENRIQUE CIRÍACO, 20 anos, encarregado de sistemas de segurança eletrônica, de Linhares (ES) e dono de um Punto Attractive 1.4

"A condensação acontece quando há diferença de temperatura entre o interior e o exterior, mas a água tem de evaporar rapidamente. Se permanece ou se ficam gotículas dentro da lanterna, aí podemos dizer que se trata de infiltração", comenta Monteiro. Ele ressalva que, para emitir uma opinião conclusiva, teria de examinar as peças afetadas.

Ricardo Bock, professor da FEI e especialista em automóveis e projetos veiculares, a presença de umidade dentro do bloco óptico não pode ser considerada normal. "Isso pode acontecer, por exemplo, se houver deficiência na colagem do conjunto ou falta de vedação devido a problemas na fabricação da peça", explica. Segundo o professor, a umidade no interior das lanternas pode afetar a película refletiva, diminuindo a capacidade de iluminação do conjunto. Curto-circuito e queima das lâmpadas são possibilidades remotas.

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