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Carros entram na dieta do alumínio para bater meta do consumo menor

Fabrizio Bensch/Reuters
Modelos mais leves gastam menos combustível, e uso do alumínio (ainda que caro) vira obrigação Imagem: Fabrizio Bensch/Reuters

Fernando Calmon

Colunista do UOL

21/03/2013 19h44

Um dos campos em que a indústria automotiva instalada e a se instalar no Brasil, de acordo com o novo regime (o Inovar-Auto, que vai de 2013 a 2017), terá de concentrar atenções é a eficiência energética. Afinal, a média dos produtos novos vendidos (incluindo importados) por cada fabricante deverá melhorar o consumo médio cidade/estrada em 13,6%. Ou seja, deverão consumir (na média) 15,9 km por litro de gasolina e 11 km a cada litro de etanol.

Pode parecer objetivo modesto. Longe disso, equivale à exigência na Europa para 2015, porém a norma de medição lá é mais branda do que a utilizada no Brasil (NBR 7024, por sua vez baseada nos ciclos americanos US-75 modificados).

Fabricantes receberão ainda estímulo adicional: modelos que consumam 15,5% menos ganharão abatimento de um ponto percentual de IPI; 18,8% menos, dois pontos percentuais de IPI. Essa meta voluntária começa depois de 2017. Portanto, o objetivo final é alcançar 17,26 km/l (gasolina) e 11,96 km/l (etanol). Atualmente, o consumo médio nacional situa-se em 14 km/l (gasolina) e 9,71 km/l (etanol).

DIETA JÁ
Atingir o alvo exige vários e onerosos aperfeiçoamentos em motor, transmissão, aerodinâmica e peso do veículo. Usar injeção direta de combustível e turbocompressor são passos essenciais, mas insuficientes. Aperfeiçoar o coeficiente aerodinâmico é trabalhoso. Câmbio automatizado de duas embreagens também tem custo alto.

Avançar na redução de peso parece o caminho mais prático e rápido. Assim, ampliar o uso de alumínio está em foco. Automóveis brasileiros, no momento, carregam apenas pouco mais de 50 kg desse metal. Na Europa, a média é 140 kg de alumínio por automóvel. Modelos têm maior porte nos EUA e carregam 155 kg do metal, mas há previsão de 250 kg até 2025.

A simples substituição, em carro médio-compacto, do bloco do motor em ferro fundido, de 31 kg, por um em alumínio diminui o peso do veículo em 14,5 kg e outros 3,5 kg de forma indireta. Reduzir massa total em 10% significa economia de 5% a 7% no consumo de combustível, se bem aproveitada.

  • Divulgação

    Uso de alumínio na estrutura, motor, capôs e portas é maior em modelos mais caros e estrangeiros, como o Fusion (acima); desafio da indústria, com regras impostas pelos governos, é "popularizar" aplicação -- HB20 (abaixo) usa o metal na construção do bloco do motor.

  • Murilo Góes/UOL

Painéis de alumínio possuem maior espessura que um de aço, mas a economia de peso alcança 50% e chega a 65%, em função do projeto e processo de fabricação. Podem substituir capô, portas, tampa do porta-malas e até o teto. Uso em rodas é tradicional. Carros vendidos nos EUA terão 55% dos capôs em alumínio até 2025. Para-choques e respectivas caixas de absorção de impacto são outras aplicações típicas.

Automóvel e alumínio nasceram, por coincidência, no mesmo ano, 1886. Ferro e aço, porém, avançaram bem mais basicamente por razão de custo. Reciclabilidade infinita, imunidade à corrosão, condutividade térmica, ductilidade, maleabilidade, resistência à fadiga são algumas vantagens da sustentável leveza do metal.

Produzir alumínio primário, no entanto, exige enorme quantidade de energia elétrica e reflete no preço. Simples troca do bloco do motor pode encarecer o custo de um carro compacto em mais de 2%, o que abala sua competitividade. Agora, com queda no preço da energia e corrida em direção ao menor consumo de combustível, chegou a vez do alumínio, apesar de plásticos e, no futuro, matérias compostos também estarem nesse jogo.

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