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No limite, Hyundai repete receita do hatch para emplacar sedã HB20S

Divulgação
HB20S: apesar do preço, equipamentos e marketing pesado farão o carro ser onipresente Imagem: Divulgação

André Deliberato

Do UOL, em Foz do Iguaçu (PR)

05/03/2013 13h20

Há fila de mais de três meses para se estacionar um Hyundai HB20 na garagem. O aventureiro HB20X mal foi lançado e já comemora centenas de encomendas (de acordo com a fabricante). Agora, o sedã HB20S chega para completar a família, com preço inicial de R$ 39.495, sabendo que terá a mesma procura, se não mais.

Pelo menos é o que espera a Hyundai, já celebrando. Os executivos afirmam que a empresa está feliz em receber tantos pedidos e já estuda o aumento na carga de trabalho na fábrica de Piracicaba, no interior de São Paulo, onde os modelos são produzidos. O fluxo de produção atual é de 150 mil carros por ano, mas a ideia é ampliar a oferta para cerca de 180 mil carros/ano, somente para atender o mercado nacional. Para isso, um terceiro turno teria de ser adotado.

"Estamos felizes com a demanda, mas não podemos fazer nada para acabar com as filas de espera. Com o tempo, se a procura continuar forte do jeito que está, teremos de rever os planos de produção na fábrica, um terceiro turno já é cogitado", explica Maurício Jordão, gerente de comunicação da Hyundai do Brasil. "Motores e câmbios são importados da Coreia. Quem sabe a gente não os faz por aqui para aumentar a velocidade de produção", completa.

Os preços anunciados não parecem ser problema para a marca. Para Rodolfo Stopa, gerente de produto da Hyundai, o que interessa é o pacote de série oferecido: "O brasileiro sabe o que quer em um carro. Não vale a pena lançar um modelo sem ar-condicionado, trio elétrico e som, porque o cliente quer esses equipamentos".

NO LIMITE
É por essa onda que segue o HB20S. A empresa quer vender 3,5 mil unidades por mês (40 mil carros no ano) e esgotar a carga máxima de produção da fábrica. Apesar dos valores elevados, a Hyundai aposta no design e na lista de equipamentos recheada para repetir com o sedã o sucesso de vendas do hatch.

UOL Carros teve a oportunidade de rodar com todas as configurações do modelo, do 1.0 manual ao 1.6 automático, e entrega um dossiê sobre o sedãzinho.

1.0 ESPERTO
Completo desde a versão de entrada, que no sedã é a Comfort Plus, um nível acima do hatch, o HB20S traz direção hidráulica, ar-condicionado, alarme, travas elétricas e vidros elétricos nas quatro portas, sistema Isofix para a fixação de cadeirinhas nos bancos traseiros, rádio CD-Player com MP3, entradas auxiliar e USB, conexão Bluetooth e airbags duplo frontal. Custa R$ 39.495, mas tem prazo de validade inferior a um ano: em 2014 terá de ter freios com ABS (antitravamento) obrigatoriamente. O equipamento de segurança ativa (pode evitar um acidente) só é entregue, atualmente, a partir da versão seguinte, a Comfort Style, de R$ 42.675, junto com luzes de neblina e rodas de liga leve aro 14".

Visualmente, o carro é bonito e imponente, até, embora seja muito mais conservador que o hatch. A frente é a mesma que a do HB20, mas a traseira é diferente do que se especulou. As lanternas não são as mesmas do hatch e o desenho geral é menos sinuoso, em nada lembrando o médio Elantra -- o arranjo está mais para exemplos de fora, como o Ford Fiesta.

Por dentro, espaço e refino são os mesmos encontrados no hatchback. O plástico que reveste o painel tem qualidade e não foi possível notar pontos de rebarba ou falhas de produção na unidade avaliada. A ergonomia é boa, com comandos do rádio e ar-condicionado bem localizados, assim como o cluster, atual e bem iluminado.

A posição de dirigir é um pouco elevada, mesmo com o banco do motorista na posição mais baixa. Qualquer pessoa com mais de 1,80 m já raspa a cabeça no teto. Apesar disso, o volante não é torto e a manopla de câmbio fica à mão.

Atrás, duas pessoas vão bem, com bom espaço para a cabeça e área apenas regular para as pernas. Um terceiro ocupante vai ficar sem cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça, além de apertar os demais. O porta-malas leva até 450 litros, o que não é muito se comparado à atual concorrência, mas suficiente para uma família com dois filhos.

O motor três-cilindros 1.0 de 80 cv e 10,2 kgfm de torque chega a surpreender no sedã, principalmente por causa do baixo peso do carro (1.014 kg). Outro responsável pela esperteza do HB20S é o câmbio manual de cinco marchas, que tem trocas curtas e precisas. O comportamento do carro, porém, exige que o motorista abuse das rotações mais altas do motor -- a 120 km/h, a rotação era de elevados 4.100 giros.

Mesmo assim, o computador de bordo apontou a média de 11,5 km/l de etanol. O percurso foi dividido entre cidade e trechos de velocidade mais alta. A última lista do Inmetro ainda não possui os dados de economia do HB20 sedã.

1.6 MELHORA VIDA DE QUEM VIAJA
Com motor mais forte, mas ainda com câmbio manual, alguns pontos interessantes do HB20S 1.0 ficam melhores na versão Comfort Plus 1.6, de R$ 44.995. O desempenho melhora sem afetar o consumo de combustível -- a Hyundai divulga que com qualquer motor o carro faz 7,8 km/l na cidade e 11,5 km/l (1.0) e 11,1 km/l (1.6) na estrada.

O carro avaliado por UOL Carros fez 11,8 km/l, com etanol no tanque, número ainda melhor que o obtido com o 1.0 (com ar-condicionado ligado em ambos os casos).

No interior, o plástico tem cor mais clara (o 1.0 vai de interior escuro), volante com coluna ajustável em altura e profundidade e regulagem elétrica dos retrovisores. O sistema de som é o mesmo que o da versão de entrada, com bons agudos e graves. O espaço para os ocupantes é o mesmo.

Com a versão seguinte, a Comfort Style 1.6 de R$ 48.175, as rodas de 14 polegadas passam a ser de liga leve (no 1.0, eram de aço com calotas), faróis de neblina e freios com sistema ABS viram equipamentos de série. No geral, o carro ganha fôlego e, dinamicamente, fica mais esperto, mas essa diferença é quase nula para quem roda somente na cidade. Na estrada, o 1.6 leva vantagem.

Para quem pensa na comodidade e prefere investir no câmbio automático, elevando o preço a R$ 51.375 (ou R$ 53.995 para a Premium 1.6 completona), um alerta: o carro perde o pique da versão 1.6 manual -- por ser antiquada e ter apenas quatro marchas, a transmissão tem relações muito longas, que exigem paciência do motorista em situações de ultrapassagem ou que pedem velocidade. Para um rodar mais calmo pela cidade, o câmbio não chega a atrapalhar.

O interior melhora bastante no caso da versão Premium: volante e manopla do câmbio ganham revestimento de couro e dão mais esmero ao painel; o sensor de ré -- que passa a ser item de série nesta versão -- ajuda o motorista em manobras mais justas com boa intensidade de som.

As rodas aumentam e passam a ser de 15 polegadas, o que melhora dinamicamente o comportamento do carro nas curvas, ainda que seja só um pouco. A suspensão (em todas as versões) se mostrou bem preparada para o piso brasileiro, mas ainda tem leves batidas secas, do mesmo jeito que o HB20 hatch.

Agora fica a questão: vale mesmo os quase R$ 54.000 pedidos? O concorrente Prisma, também bastante atual e espaçoso (são 2,52 m de entre-eixos e 500 litros no porta-malas), tem motor menor (1.4 de 106 cv e 13,9 kgfm de torque com etanol), mas por outro lado conta com nível de equipamentos semelhantes ao do HB20S Premium 1.6 em sua versão mais completa, a LTZ.

E ainda traz firulas interessantes como o MyLink, tela sensível ao toque que reúne computador de bordo, sistema de som e telefonia, além de recursos de internet, enquanto as rodas de também de 15 polegadas são de alumínio. Há ainda a câmera de ré conectada à tela central, como opcional -- item indisponível para o HB20S. A capacidade de produção e a rede credenciada também são maiores. E o preço é substancialmente menor: R$ 45.990.

Se a Hyundai vai vender o que espera, só o tempo vai dizer. UOL Carros acredita que sim, principalmente pelo trabalho de marketing dos coreanos, muito cativante. Uma coisa é certa: o HB20S vai ter trabalho com a presença do Chevrolet Prisma. E ambos vão complicar demais a vida de Renault Logan, Toyota Etios (que já nasceu defasado), Volkswagen Voyage e Fiat Grand Siena, todos com estratégias antiquadas demais para a nova geração de sedãs compactos que acaba de nascer.

Viagem a convite da Hyundai Motor Brasil

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