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Palio Weekend Trekking agrada sem resolver o dilema das peruas

Murilo Góes/UOL
Um carro em busca de uma razão para existir: Palio Weekend Trekking é boa de guiar, mas e daí? Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio Luís de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

19/02/2013 17h39

Para que serve uma station wagon, tipo de carro mais conhecido no Brasil como perua? Os europeus responderão com outra pergunta: "Você já guiou uma station de Audi, BMW ou Mercedes?"

Mas os brasileiros vão hesitar.

Já vão longe os tempos em que Elba, Quantum, Caravan e Belina, entre outras, eram objetos do desejo de nossa típica família de classe média. Note que citamos um modelo de cada uma das quatro fabricantes veteranas no país -- Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford. Hoje, duas delas, GM e Ford, sequer vendem stations aqui. A Volks matou a Parati e ainda banca a SpaceFox, um modelo que está mais para o Golf Plus europeu que para uma station digna do nome (basta observar como é desconfortável encher seu porta-malas).

As peruas também foram extintas nas gamas de Toyota (Fielder), Peugeot (207, 307 e 407 SW), Citroën (Xsara Break) e Renault (Grand Tour), só para citar os casos mais evidentes e/ou recentes.

Em tese, quem está matando as peruas são os SUVs, os crossovers (alguns deles misturando station e utilitário, como Fiat Freemont e, na nova geração, Honda CR-V) e as minivans. Há preços e opções para todos os bolsos e gostos. Com isso, características típicas de um carro familar, como oferecer conforto às crianças e ter bom espaço para compras e equipamentos de lazer, agora podem ser encontradas em embalagens mais modernas e robustas.

Por isso, não é errado dizer que a Palio Weekend é uma sobrevivente. Como o próprio nome diz, ela nasceu de uma costela do Palio, mas ficou para trás em 2011, quando o hatch adotou a arquitetura do novo Uno; atualmente, é parente próxima do sedã Siena (não do Grand Siena), do qual herda todo o primeiro volume, inclusive o desarmônico conjunto grade/faróis/parachoque.

Em janeiro, a perua vendeu apenas 1.629 unidades; a SpaceFox vendeu 1.977. Ambas estão entre os 50 modelos mais emplacados no país, mas apenas no quinto final da lista.

A versão top do modelo é a Trekking, que UOL Carros acaba de experimentar no ano-modelo 2013. Ela usa o motor E-torq de 1,6 litro, bicombustível, de 111/115 cavalos de potência (gasolina/etanol); a versão mais barata, a Attractive, usa o Fire EVO de 1,4 litro. A variação "cross" da Palio Weekend, pioneira do sub-segmento, agora chama-se simplesmente Fiat Adventure, com seu visual tão exageradamente enfeitado que parece um veículo militar.

A Weekend Trekking, como pede o nome da versão, esboça alguma esportividade na forma e na função: molduras em cinza para as caixas de roda e racks no teto com acabamento escurecido são exemplos. São apelos ao público mais jovem (alvo constante da SpaceFox, aliás), mais afeito a levar pranchas de surfe ou bicicletas no teto de seu carro. 

Depois de digerir (a contragosto) a salada estilística da dianteira, é um alívio reparar que, por trás, a Fiat apostou num salutar "menos é mais" para a Palio Weekend: as lanternas horizontalizadas, também parecidas com as do Siena, são elegantes e continuam lembrando peças da Alfa Romeo.

POR DENTRO
A cabine da perua é agradável e mostra capricho no acabamento, embora utilizando materiais simples. O painel frontal, incluindo o cluster de instrumentos e a área dos comandos de som e climatização, é especialmente bonito. Mas o espaço é um tanto limitado pelo entre-eixos de 2,46 metros, medida esperável de um carro compacto -- sendo que uma perua tem (deveria ter) medidas de carro médio.

Com o banco traseiro em posição normal, a Weekend vai levar você às compras, as crianças à escola e a família toda ao almoço de domingo sem nenhuma dificuldade -- mas em viagens mais longas e com muita bagagem o peso extra vai cobrar um preço na performance. Se a ideia for transportar volumes maiores, é necessário baixar o encosto e transformar a Weekend numa espécie de picape coberta. Mas note que o encosto bipartido, ideal nessa condição, é opcional pago à parte.

Este é outro grande problema da Palio Weekend Trekking, que parte de R$ 44.450, um valor atraente para um carro desse porte, desde que seja bem completo.

O chato é que o carro sai de fábrica com airbags frontais, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição de força da frenagem) e direção hidráulica, mas não muito mais que isso quando se fala de itens de série. O ar-condicionado é pago à parte, podendo custar R$ 3.027 se adquirido isoladamente, ou em pacotes de R$ 4.026 e R$ 4.449, em conjunto com sistema de som (sem ou com Bluetooth) e retrovisores elétricos, além de rodas de liga no pack mais caro. Optando por esse, o carro já está custando R$ 48.900.

A regulagem de altura do banco do motorista vale R$ 304 extras; o banco traseiro bipartido, mais R$ 380; o sensor de ré, item banal que já deveria ser obrigatório por lei, vale outros R$ 639; e, por fim, a chave canivete custa mais R$ 257. Todos esses preços estão no site oficial da Fiat.

Pronto: a sua Palio Weekend Trekking passou dos R$ 50 mil.

EM MOVIMENTO
Com o carro em movimento, dá até vontade de esquecer todos os seus defeitos e escrever um texto elogioso. Tem quem não goste, mas a suspensão típica da Fiat, de construção simples e robusta, mas com acerto macio, voltado ao conforto, agrada incondicionalmente quando já se está cansado de bater roda em buraco e trepidar lateralmente a cada conversão sublinhada por valeta. E o melhor: na estrada, em velocidades mais elevadas, a Weekend mostrou-se totalmente sob controle, sem flutuações.

O motor E-torq de 1,6 litro é perfeito para Palio e Siena, mas na perua deve um pouquinho de força nas arrancadas e retomadas. O que equilibra o jogo é justamente o câmbio, mais firme que a média da gama Fiat, deixando a "conversa" entre motorista e motor menos prolixa, mais objetiva.

UOL Carros rodou 550 km em cidades e estradas com a Palio Weekend Trekking. A média de consumo acusada pelo computador de bordo foi de 7 km/litro, com etanol. Em mais um sinal de que está mesmo virando coisa do passado, o modelo não está no programa de etiquetagem do Inmetro para 2013, que mede a eficiência energética dos veículos. A picape Strada com o mesmo motor cravou 7,4 km/l e 8,7 km/l com o combustível vegetal, em cidade e estrada.

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