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Mercedes-Benz Classe A chega em março mirando Audi A1 e A3

Murilo Góes/UOL
Hatch tem missão de ser real carro de base da marca e pode até ter preço sub-100 Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

01/02/2013 09h00

A Mercedes-Benz do Brasil apresentou o novo Classe A, na noite da última quarta-feira (30), em festa para celebridades e endinheirados, potenciais compradores do novo modelo, em São Paulo. O carro abandonou a carroceria de monovolume que nunca fez muito sucesso e agora é um hatch com estilo, ângulos e porte esportivos e chega oficialmente às lojas do país em março.

Quem está ligado no segmento premium sabe: na Europa, o novo Classe A se inicia em 24.000 euros (quase R$ 65 mil) e foi construído para encarar de igual para igual os rivais alemães que sempre dividiram as atenções do mercado, Audi A3 (que estreará sua nova geração no Brasil ainda no primeiro semestre) e BMW Série 1 (rodando por aqui desde o ano passado na mais recente geração). Mas as coisas nem sempre são simples no Brasil e a Mercedes sabe disso.

Numa festa que tinha como tema a paixão e a beleza de casais jovens (respectivamente, o sentimento pretensamente despertado pelo novo carro, que é realmente muito bonito, e o tipo de público desejado pela marca), a Mercedes mostrou três unidades do Classe A, mas descartou uma delas e afirmou ainda estar estudando a viabilidade de outra.

O palco principal foi dominado pelo esportivo A 250 Sport, ostentando LEDs diurnos, faróis de bi-xênon, o centro do para-choque (inspirado em carros de Fórmula 1) grifado de vermelho, teto solar panorâmico, a maravilhosa grade diamante e fendas no para-choque traseiro herdados do carro-conceito, além da mexida esperta da AMG em chassi, suspensão, rodas, tração (integral), câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas (DCT) e no motor 2.0 turbo (211 cavalos). Guarde o sorriso! Ele está fora dos planos para o Brasil (UOL Carros torce para que isso mude num futuro próximo).

Teremos por aqui, inicialmente, apenas o A 200, dotado do mesmo motor 1.6 turbo do Classe B lançado no final de 2012, com injeção direta de gasolina, que gera 156 cavalos de potência com torque de 25,5 kgfm (desde os 1.250 giros) despejados sobre as rodas dianteiras e que se vale da dinâmica do downsizing para atuar como um motor maior, de 2 litros (daí a numeração 200 do nome), com consumo na casa dos 10/12 km/l na cidade, graças ao gerenciamento das setes marchas do câmbio DCT. Preços e pacotes ainda estão sendo estudados e poderão ser uma mistura dos outros dois carros mostrados na festa.

UOL Carros tende a apostar numa estratégia muito similar àquela feita justamente para o Classe B, que compartilha plataforma e equipamentos com este novo Classe A, e que foi lançado aqui nos pacotes B 200 Turbo e B 200 Turbo Sport. Assim, possivelmente, veremos dois pacotes também do A 200: um mais despojado, com grade em colmeia com duas aletas adornando a estrela de três pontas, faróis com dois refletores, luzes de neblina, mas sem xênon, nem LEDs e outras simplificações; e outro mais invocado, com grade com filete simples ao lado da estrela, rodas e bancos mais esportivos (o da festa tinha pacote AMG, com aros de 18 polegadas e assentos do tipo concha, algo nada definitivo), talvez um acerto mais baixo de suspensão, e canhões bi-xênon que cumprem todas as funções de iluminação (inclusive dos neblinas, inexistentes na configuração) e LEDs dominando faróis e lanternas com a assinatura Mercedes-Benz gravada nas lentes.

A filial brasileira praticamente descartou também, de início, a presença do A 180 (o motor 1.6 gerando 122 cavalos); por outro lado, torce por uma liberação pela matriz da venda da grade diamante como item avulso.

PREÇOS E PREÇOS
O mantra dos executivos da Mercedes-Benz em relação ao preço do novo Classe A no Brasil é uníssono: "Entre 100 e R$ 120 mil". Mas nenhum dos engravatados deixou de falar também em outra cifra mágica, algo em torno dos R$ 98 ou 99 mil, sonora por ficar abaixo do mítico patamar da centena de milhar e que ajudaria a alavancar as vendas de um carro esperado, mas que é uma incógnita para o público -- que ainda pensa, vale dizer, no "carrinho de mãe" ou no "Mercedes de brinquedo" quando ouve o nome Classe A.

UOL Carros também ouviu elogios ao Audi A1 Sportback, a versão de quatro portas do compacto da fabricante de Ingolstadt, muito "bem alinhada ao interesse do brasileiro", na opinião de fontes da Mercedes. E talvez esta seja a chave de tudo.

Embora o rival direito, em porte e especificações, do novo Classe A seja o A3, a Mercedes brasileira deverá mirar também o A1, pelo preço. O modelo custa R$ 94.900 em sua versão 1.4 turbo de 122 cavalos e 20 kgfm de torque, chegando a R$ 115 mil na versão de 185 cavalos e 25 kgfm (com o mesmo 1.4 sobrealimentado por turbo e compressor). E o BMW Série 1? Este tem tração traseira e seu ataque deverá ser indireto.

CLA CONTRA FUSION E SONATA, GLA COMO ANTI-X1
Sim, o Classe A será o grande lançamento de 2013 para a Mercedes, até porque é a única novidade (no termo estrito) disponível. Prepare-se para ouvir falar muito sobre o carro até março e após este período. Mas saiba que ele é apenas um degrau inicial do ataque que a marca prepara para recuperar vendas e prestígio e que terá sua principal fase em 2014.

Para a marca será fundamental ter um modelo de base -- algo que o Classe C nunca conseguiu ser de fato --, mas admite que o jogo só vai esquentar para as rivais com a chegada do CLA, o sedã-cupê baseado no Classe A apresentado no começo do mês, antes do Salão de Detroit, e que desembarca no Brasil no começo do próximo ano com configuração idêntica à do hatch. O carro custará US$ 30 mil nos Estados Unidos, 29.000 euros na Europa e... preço ainda indefinido no Brasil, mas certamente na faixa dos R$ 120 mil, como UOL Carros já relatou.

Nesta faixa, você pode elencar quaisquer três-volumes de Audi, BMW e até Volvo que conseguir, mas a Mercedes tem seus alvos delimitados: quer roubar vendas do novo Ford Fusion (cuja versão topo Titanium AWD 2.0 turbo começa a ser vendida no Brasil a R$ 113.000) e parar de perder compradores para a Hyundai e seus Sonata e Azera. Parecem carros bem diferentes, mas o dinheiro preciso para colocar um na garagem virá da mesma conta-corrente.

Por fim, talvez já em 2015, será a vez da Mercedes-Benz usar outra cria de sua nova plataforma compacta (atenção, compacta para europeus e americanos) para encarar um rival que neste momento nada de braçada por aqui. O crossover GLA, ainda em testes e jamais visto sem cobertura (sequer como conceito), deve ser apresentado no Salão de Frankfurt em setembro próximo. Quando chegar ao Brasil, já terá título e função definidos: ser o anti-BMW X1. A briga entre os alemães vai esquentar.

  • Worldcarfans

    Acima, ainda extremamente camuflado, o crossover GLA, anti-X1 da Mercedes a ser mostrado no Salão de Frankfurt (setembro). Filial brasileira espera que modelo contenha avanço da BMW

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