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Renault Duster 4x4 surpreende com boa performance off-road

Murilo Góes/UOL
Renault Duster 4WD na versão Dynamique: SUV compacto coloca pé na terra com destreza Imagem: Murilo Góes/UOL

Murilo Góes

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/01/2013 11h55

Pouco mais de um ano após o seu lançamento oficial no Brasil, o SUV Renault Duster já tem bastante história pra contar. Na verdade, antes mesmo de nascer já era profetizado como o "anti-EcoSport", e cumpriu logo com sua sina: ano passado ajudou a marca francesa a bater recorde de vendas no país e, com mais de 8 mil emplacamentos de vantagem sobre o modelo da Ford, tirou deste a liderança de mercado entre os utilitários esporte, que perdurava desde 2003.

A tardia aparição da nova geração de arquirrival (que só ganhou a versão 4WD no final do ano) contribuiu em muito para a conquista do Duster. Principalmente pelo fato de o Duster ser uma novidade adaptada (e nacionalizada) da montadora romena Dacia, subsidiária da Renault que atende a mercados mais populares, com design ultrapassado e conforto inferior ao do novo EcoSport -- que, por sua vez, tem ainda uma história vitoriosa e uma legião de seguidores. A reação nas vendas do jipinho da Ford nos últimos meses de 2012 confirma esta tese e promete disputa acirrada entre os modelos para este ano.

Mas será que o Duster não possui atributos suficientes para justificar, ao menos em parte, a conquista de parcela grande dos consumidores que procuram um veículo que vá bem na cidade -- e, mais, possa levá-los um pouco além que um automóvel comum os levaria?

Por 20 dias UOL Carros percorreu mais de 2,5 mil quilômetros ao volante de um Duster Dynamique 2.0 4WD 16V Hi-Flex. Dirigiu o jipinho à noite e de dia, sem e com (muita) chuva fina e grossa, cruzando cidades grandes e pequenas, passando por rodovias modernas e nem tanto, estradinhas vicinais e de terra, esburacadas e com lama – e o carro da Renault surpreendeu principalmente ao revelar uma autêntica vocação aventureira.

Topo da gama, o Duster dirigido por UOL Carros tem preço total sugerido pela Renault de R$ 66.160, já incluídos todos os opcionais disponíveis: pintura na cor verde amazônia metálica (R$ 1.120); bancos com revestimento em couro natural e sintético (R$ 1.510); e sistema MediaNav, com tela touchscreen de 7 polegadas; navegação por GPS, rádio com conexão USB/iPod, Bluetooth e entrada auxiliar (R$ 510).


O carro ainda oferece computador de bordo, ar-condicionado, regulagem de altura do banco do motorista e do volante revestido em couro; airbags para motorista e passageiro, freios ABS (antiblocantes), comandos do sistema de rádio e telefonia na coluna da direção, sensores de estacionamento (muito úteis num veículo de 4,31 m de comprimento, 1,82 m de largura e 1,70 m de altura) e demais itens de série de todas as suas versões.

POR FORA
O visual do Duster não é arrojado nem bonito, longe disso. Mas é curioso como, com o passar do tempo e a observação no uso diário, o olhar se acostuma e se deixa seduzir pelo seu jeitão meio rústico, sem perfumarias estéticas. A exclusiva cor verde metálica chama a atenção, e basta um pouco de lama na carroceria para lhe dar um aspecto mais agressivo, digno de um veículo off-road.

Visto de perfil, a altura de 21 cm do solo, os ângulos de ataque e saída de 30° (dianteiro) e 35° (traseiro) graus, os paralamas ressaltados que se unem a parachoques com desenhos limpos e em duas cores, aumentam ainda mais essa impressão.

Rodas de liga leve aro 16 na cor grafite e máscaras negras nos faróis de neblina sob o conjunto óptico retangular contribuem para tornar o Duster mais invocado. Na traseira, o monograma com a inscrição 4WD (de four-wheel drive), o diferencia das demais versões e revela sua vocação mais aventureira que urbana. Em suma, é rústico, mas bacana.

POR DENTRO
À primeira vista, a cabine do Duster agrada: o desenho do painel é elaborado, o conjunto é harmonioso -- mas, observando-se mais de perto, percebe-se o acabamento simples e o material sem requinte. O espaço é bastante amplo, e a visibilidade muito boa. Os bancos são confortáveis e deixam os ocupantes numa posição elevada, mas têm o assento curto.

DETALHES DO DUSTER 4X4

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    Cabine do Duster é simpática e espaçosa, mas acabamento e materiais são simples

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    Motor 2.0 bicombustível entrega até 142 cavalos de potência e bom torque de 20,9 kgfm com etanol

O ambiente é simpático, mas no uso cotidiano -- lembre-se, foram 2.500 km com o Duster --, outros probleminhas vão se revelando para o condutor. A tela do bom sistema multimídia, por exemplo, fica numa posição um pouco baixa, obrigando o motorista a desviar consideravelmente o olhar para acessá-la. A entrada USB fica muito próxima das saídas de ar, e qualquer distração ao mudar o posicionamento dos difusores pode levar a um choque das mãos com o pen-drive, e danificá-lo.

O manuseio dos controles dos vidros é prejudicado pela posição do puxador da porta, e a ausência do acionamento automático, ao menos do vidro do motorista, também incomoda. Sem esquecer do controle dos retrovisores externos, localizado abaixo da alavanca do freio de estacionamento, posicionamento sempre criticado.

O entre-eixos de 2,67 m oferece um espaço generoso e suficiente para três ocupantes no banco traseiro do Duster, inclusive para suas pernas. Há três apoios de cabeça, mas cintos de três pontos são apenas dois. O diferencial traseiro da tração integral obrigou que o estepe fosse alojado sob o assoalho do porta-malas, diminuindo sua capacidade para 400 litros, 75 litros menos que nas versões 4x2.

Mesmo assim o espaço é bastante amplo, com bom acesso, e a bagagem fica bem distribuída. O tampão de material flexível pode facilitar na hora de "envolver" o excesso de altura da bagagem, mas é um estorvo quando retirado para o rebatimento dos bancos (o compartimento praticamente dobra de tamanho).

VALENTIA

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    Tração integral e conjunto de suspensão (McPherson na dianteira, multilink na traseira) enfrentam obstáculos sem deixar brecha para perda de potência, conforto ou segurança

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TREM-DE-FORÇA E TRAÇÃO
O motor do Duster Dynamique 4WD é um 2.0 de quatro cilindros em linha, 16 válvulas bicombustível, que desenvolve potência de 138 cavalos com gasolina e 142 cavalos com etanol a 5.500 rpm, com torque máximo de19,7kgfm e 20,9 kgfm (gasolina e etanol) a 3.750 rpm. Segundo dados da Renault, a aceleração de 0 a 100 km/h é de 11,1 segundos com gasolina e 10,4 segundos com etanol, e as velocidades máximas são de 178 Km/h e 181 km/h, respectivamente. Ou seja, há potência e fôlego suficientes para aquilo a que o jipinho se dispõe.

Os três modos de uso da tração estão disponíveis num seletor no console -- sim, é possível determinar quando usá-la. Em 2WD, ou 4x2, apenas o eixo dianteiro é acionado e, em condições seguras como piso seco e aderente, este modo diminui o consumo de combustível. Em Auto, a aderência das rodas em cada eixo é monitorada e a distribuição do torque é feita entre ambos, dependendo da necessidade de cada piso trafegado ou situação de risco.

Em 4WD Lock, o bloqueio do diferencial divide o torque por igual entre os eixos dianteiro e traseiro, transferindo mais força para o conjunto todo. É indicado em pisos de pouca aderência, como lama e areia, ou quando um dos pneus patina ou perde contato com o solo. Tanto a função 2WD quanto a 4WD Lock  possuem aviso luminoso no painel de instrumentos e todas as mudanças podem ser feitas com o veículo em movimento -- mas o modo Lock é desativado automaticamente aos 80 km/h.

O câmbio é manual e de seis velocidades, e é neste aspecto que a condução do Duster é prejudicada, especificamente no trânsito das cidades.

Sem contar com caixa de redução, optou-se por relações bastante curtas, e a primeira marcha se apresenta como uma espécie de reduzida. Com esta configuração, mais vantajosa para o uso fora-da-estrada (onde a força é mais importante que a velocidade), as saídas em primeira marcha elevam muito rapidamente a rotação do motor, transferindo bastante torque para as rodas e provocando um verdadeiro coice em todo o conjunto -- bem típico dos verdadeiros jipes.

Isso obriga a constantes e cansativas mudanças de marcha no trânsito, mas com o tempo o motorista acaba se adaptando, inclusive utilizando a segunda marcha para sair -- além de pegar o jeito de fazer as mudanças na rotação ideal, evitando solavancos.

A sexta marcha já vem com a proposta de diminuir o consumo de combustível, permitindo manter a velocidade de 120 km/h com 3.000 rpm. Utilizando etanol no tanque, foi possível perceber que ela também reserva força, mantendo a velocidade do Duster mesmo em subidas longas (mas pouco íngremes). Com gasolina, porém, quase sempre era necessário reduzir para a quinta marcha.

  • Pneus adequados e bom sistema de tração fazem do Duster um carro valente na lama

CIDADE E CAMPO
À parte os incômodos do câmbio, dirigir o Duster na cidade é uma tarefa fácil. O jipinho é ágil, a direção hidráulica é bem leve e tem respostas rápidas, além de bom diâmetro de giro (10,7 m), o que facilita as manobras. A boa visibilidade e a altura elevada fizeram muita diferença em dias chuvosos, quando ruas ficam alagadas.

Na estrada, o rodar é macio e o motor bem-disposto permite ultrapassagens seguras. Não fosse o constante "assobio" do diferencial da tração integral, somado ao ruidoso ar-condicionado, e as viagens longas poderiam ser bem mais prazerosas. Em velocidades muito altas, em linha reta, o conjunto tende a flutuar um pouco e, em curvas mais acentuadas, o Duster fica muito instável, com tendência a sair de frente e grande inclinação da carroceria. Nada que não  se espere de um veículo com suas características, mas que sirva de alerta aos motoristas mais abusados.

Mas foi mesmo rodando na terra, na areia, entre pedras, buracos e lamaçais (todos de pequeno a médio porte, há de se ressaltar), que o Duster 4WD mostrou ao que veio e surpreendeu pelo desempenho.

A começar pela exclusiva suspensão traseira independente multilink, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos verticais, que absorve muito bem os impactos, minimizando os solavancos dentro da cabine. Aliada aos pneus de uso misto 215/65, a suspensão oferece um sacolejo bem mais tolerável ao corpo humano enquanto o jipinho transpõe buracos, valetas e mesmo as famosas "costelas" das estradinhas de terra. Esta virtude também foi muito bem-vinda ao trafegar pelas ruas e estradinhas com asfalto esburacado.

A tração 4x4 também se mostrou bastante eficiente e, em muitos casos, o modo Auto apresentou desempenho melhor que o Lock, supostamente mais indicado para a situação. Caso de subidas íngremes, esburacadas e escorregadias em estrada de terra: em Auto o veículo subiu mais controlado, com menos solavancos e de maneira mais confortável; em Lock, a maior força provocou impactos bem maiores.

Porém, em retas longas de estradas de terra bem conservadas, quando a velocidade pode ser um pouco maior, ou na travessia de áreas barrentas ou alagadas, o modo Lock foi imprescindível: ele assenta o Duster, aumenta a aderência e, consequentemente, a segurança. O motorista tem mais controle sobre o jipinho, e consegue tirar dele aquilo que procurava num SUV.

BEBER, BEBER
No geral, o Duster 4WD mostrou mais virtudes do que defeitos, um deles a vontade de beber: com etanol, o consumo médio na cidade foi de 7,4 Km/l, e de 8,2 km/l na estrada; com gasolina, a média foi de 8,2 km/l na cidade e de apenas 9,2 km/l na estrada.

Pode até ser que a guerra entre Duster e EcoSport, cuja batalha principal acontece este ano, tenha outro favorito. Mas num duelo que, certamente, contará com fogo cruzado de promoções e descontos, quem pode sair vencedor é o comprador de jipinhos.

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