Nissan Frontier só fica mais segura no topo da versão especial

André Deliberato

Do UOL, em Itupeva (São Paulo)

Uma das maiores mancadas da Nissan Frontier, que hoje representa cerca de 11% do mercado de picapes médias no Brasil, era não ter recursos eletrônicos como controles de tração e estabilidade. Os próprios compradores do modelo reclamavam -- e, convenhamos, era quase incompreensível uma picape que custa aproximadamente R$ 100 mil não ter equipamentos como estes.

Isso mudou. Para celebrar dez anos da produção nacional da Frontier e as mais de 80 mil unidades vendidas desde a estreia, a Nissan criou a versão 10 Anos, que dá um leve tapa no visual do modelo e finalmente incorpora os equipamentos mencionados -- mas somente no pacote mais caro. A ideia é testar o gosto do cliente para, depois, estender as novidades às outras versões.

Conheça os preços e o nível de equipamentos da gama:

+ Nissan Frontier SV Attack 10 Anos 4x2: R$ 95.990
Equipada com motor turbodiesel 2.5 de 163 cv, 41,1 kgfm de torque, e câmbio manual de cinco marchas, traz itens como direção hidráulica com coluna ajustável em altura, rodas de liga leve de 16 polegadas, faróis de neblina, computador de bordo e rádio com entrada auxiliar, além de alarme comandado pela chave e freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição da força de frenagem).

+ Nissan Frontier SV Attack 10 Anos 4x4: R$ 104.190
Traz exatamente os mesmos equipamentos da versão acima, mas ganha tração nas quatro rodas e o motor fica mais forte: potência sobe para 190 cv e torque para 45,8 kgfm.

+ Nissan Frontier SL Attack 10 Anos 4x4: R$ 124.990
Topo da configuração 10 Anos, a versão SL tem o mesmo motor da SV 4x4, mas deixa o câmbio manual de lado para adotar outro automático, também de cinco marchas. Fora isso, finalmente adiciona ao pacote o sistema VDC  (de Vehicle Dynamic Control, em inglês), que é composto por controles de tração e estabilidade, e um programa chamado de ABLS, que distribui a força de frenagem em trechos off-road; ar-condicionado digital automático de duas zonas, entrada USB no sistema de rádio e mais seis alto-falantes, câmera de ré com visualização no console central, rodas de liga leve de 18 polegadas, acabamentos cromados e controlador automático de velocidade.

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Além da readequação de preço e equipamentos (as versões já existentes hoje em dia, como SE, LE e XE, continuam iguais), a Frontier ganha, por fora, nova grade e para-choque frontais, rodas redesenhadas e os emblemas da série especial. Por dentro, a versão SL apresenta novos desenhos do volante e do quadro de instrumentos e chave inteligente (chamada pela Nissan de I-Key, vinda da Livina).

IMPRESSÕES
Como dito, a gama 10 Anos foi a forma encontrada pela Nissan para incorporar à picape os equipamentos quase obrigatórios num carro desse porte -- todas as concorrentes (Chevrolet S10, Toyota Hilux, Ford Ranger, Mitsubishi L200 e Volkswagen Amarok) já contavam, no mínimo como opcional, com esses itens. UOL Carros avaliou por cerca de duas horas unidades com e sem os recursos, justamente para ver o quão importantes eles são.

E como são! A Frontier sem recurso eletrônico, como qualquer outra das mais de 80 mil já vendidas, fica facilmente de lado numa entrada mais forte em curva -- principalmente na terra. Em piso liso e escorregadio (como é o de qualquer rua no começo da chuva), não seria difícil vê-la rodopiar. Com os novos equipamentos, o modelo ganha o equilíbrio que faltava. 

Além disso, os controles eletrônicos dão ainda mais força à capacidade lameira da picape. Durante o test-drive, era nítido perceber como a versão "completaça" enfrentava os obstáculos propostos pela Nissan com mais facilidade do que a desprovida de recursos. 

Não foi possível checar o consumo instantâneo de combustível devido às fortes interferências da trilha off-road montada pela fabricante. A marca também não divulga os números de consumo, mas fala que "a Frontier é a picape mais econômica do mercado". Assim fica fácil, né?

O ar-condicionado de duas zonas ainda evita brigas entre motorista e passageiro, mas não oferece conforto ao pessoal do banco de trás. O espaço traseiro, aliás, merece ser lembrado: por não ter o "tubo" vindo do câmbio (que envolve o eixo cardã), consegue oferecer bom espaço para as pernas de duas pessoas. Uma terceira complica a situação.

A Nissan não estima a fatia que a nova versão quer ou pode conquistar no segmento das picapes médias. As vendas já começaram.

Viagem a convite da Nissan

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