Fiat 500 Cabrio garante estilo e sol à classe média por R$ 58 mil

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

O posto de conversível mais barato do Brasil ficou pouco tempo nas mãos do pequenino smart fortwo turbo cabrio (leia aqui nossa avaliação), modelo de R$ 72.500 (valor que pode variar ao sabor do câmbio e do IPI para importados). A Fiat assumiu o posto no Salão do Automóvel de São Paulo, ao lançar a configuração com teto de lona de seu charmoso 500, convenientemente chamada de 500 Cabrio por quase R$ 58 mil.

O modelo é fabricado no México -- de onde chega gozando as benesses do acordo automotivo, como todo Cinquecento importado ao Brasil ultimamente -- sobre a versão Lounge (mais cara da gama) e assim conta com um pacote mais completo e o bom empurrão do motor de 1,4 litro Multiair 16V, só a gasolina, capaz de gerar 105 cavalos máximos a 6.250 giros com torque de 13,6 kgfm a 3.850 rotações, tudo sob comando do câmbio automático de seis velocidades da japonesa Aisin, uma das melhores caixas (senão a melhor) da linha Fiat.

O preço exato e os detalhes são:

- Fiat 500 Cabrio 1.4: R$ 57.900
Além do motor 1.4 (105 cv) e do câmbio automático, traz rodas exclusivas aro 15, ar condicionado manual, sensor de estacionamento, airbags duplo frontal e laterais, freios com ABS (antitravamento), EBD (distribuição da força de frenagem), controle de estabilidade e de tração, auxílio de partida em aclives, piloto automático, direção elétrica Dual Drive, faróis com regulagem de altura, retrovisores elétricos com capa cromada, bancos com revestimento parcial de couro, entre outros. 

Como o grande ponto de qualquer carro que diz ser "de estilo" é a personalização, o 500 Cabrio pode receber ainda dois kits opcionais de equipamentos para reforçar o caráter exclusivo, além de um que amplia a segurança, ambos instalados na unidade avaliada por UOL Carros. Além disso, as cores escolhidas tanto para a carroceria, quanto para o interior do veículo podem deixar a conta um pouco mais salgada, na mesma medida em que deixam o modelo mais... engraçadinho. Veja:  

O pacote Safety adiciona airbags de joelho para o motorista e de cortina por R$ 1.335. Já o kit Cabrio custa R$ 3.600 e dota o 500 de ar automático digital, som premium da grife Bose (dois tweeters, dois falantes, três woofers e amplificador), espelho interno eletrocrômico (antiofuscante), sistema Blue&Me de comandos por voz e telefonia Bluetooth, rodas aro 16, revestimento total de couro para o interior (todo preto ou nas combinações bege/branco ou vermelho/branco) e ainda a possibilidade de ter o teto de lona na cor vermelha (Cabrio II). A carroceria na cor vermelho Sfrontato (sólido) sai de graça, mas quem optar pelo preto Provocatore ou cinza Sfrenato (metálicos) paga mais R$ 1.090, enquanto o branco Gioioso perolizado custa R$ 1.390.

Contas feitas, o 500 Cabrio vermelho testado custa de fato R$ 62.835, mas poderia chegar a R$ 64.225 com outra cor. 

QUERO SER UM 'SEM TETO'
Chega a ser curioso analisar a nova estratégia das marcas ao vender os chamados carros de estilo, que sempre brigaram para mostrar qual é o mais exclusivo (leia-se "caro"), de uma outra forma quando o assunto é a versão descapotável: qual é o mais barato dos conversíveis. O motivo é claro: a versão cabrio é sempre baseada no pacote mais completo (de novo, o mais caro) e ainda é necessário enfrentar a restrição que o brasileiro tem a modelos conversíveis, seja pela mistura de sol forte e chuvas torrenciais (sobretudo no verão tropical), seja pelo medo de que um carro aberto, ainda que pequeno, torne-se um alvo gigante (com o perdão do trocadilho) para a  violência das grandes cidades.

O fato é que não deixa de ser uma ideia interessante poder colocar um carro conversível na garagem sem ter de desembolsar quantias acima dos R$ 100 mil (no caso do Mini Cooper Cabrio, que custa R$ 120 mil) ou R$ 200 mil (necessários para se comprar um conversível esportivo de fato, como o roadster Mercedes-Benz SLK). É o sonho realizado da classe média emergente de ser "sem teto".

O preço menor (sim, R$ 58 mil ou R$ 64 mil são valores bem abaixo de R$ 200 mil) pede que se abra mão de algumas coisas, a começar pela própria noção de esportividade. O 500 Cabrio não deve ser comprado por quem pensa em se deleitar com o ronco do motor chegando limpo aos ouvidos, sem o empecilho do teto, nem por quem espera ter as rugas do rosto alisadas pelo vento furioso numa arrancada mais forte. O forte do conjunto mecânico está na aceleração linear do motor 1.4 Multiair e do câmbio automático de seis marchas. A suspensão está no meio do caminho: podia ser um pouco mais firme, mas também não fará o 500 sambar a cada lombada. Tudo é tão suave, que o 0-100 km/h prometido pela Fiat é de apenas 12,6 segundos; da mesma forma, a velocidade máxima é comedida: nem 180 km/h.

Trocando em miúdos, o 500 Cabrio não é para quem quer chegar mais rápido no pier, mas para quem quer aproveitar a paisagem de coqueiros até lá. Até há o modo Sport, que segura a troca de marchas até o motor não aguentar mais de gritar, ao mesmo tempo em que endurece além do ideal a direção, mas isso só vai fazer a conta do posto de gasolina aumentar. O consumo, aliás, ficou na casa dos 8 km/l em nosso trajeto de quase 300 quilômetros, mesclando o trânsito de feriado da cidade de São Paulo com a escapada rodoviária rumo ao litoral. O grande vilão (sem falar no anda-para) é o pequeno tanque de combustível com 40 litros.

Imagens e detalhes do 500 C, pequeno cabriolet da Fiat
Veja Álbum de fotos

Outra coisa da qual o comprador deve abrir mão é de ter um conversível real. O 500 "sem teto" é chamado de Cabrio por um motivo: apenas a porção central do teto, feita por duas camadas de lona, estrutura metálica e peças eletroidráulicas, se movimenta -- mesmo que toda a parte de tecido seja recolhida, ainda restarão as colunas e o arco de metal para atrapalhar a visão. O atrapalhar é literal: manobras laterais e de estacionamento são prejudicadas e o motorista tem de pedir socorro para o carona a todo instante; há ainda um problema com a vigia traseira, que fica parcialmente obstruída quando se dobra o teto -- neste momento, pode esquecer que o retrovisor existe, pois você não vai enxergar nada por ali.

Ainda assim, há mais pontos positivos que negativos no Cabrio. Como o teto abre em três estágios, ele pode ser movimentado em velocidades maiores que os de um conversível padrão, além de ter mais possibilidades de uso: no primeiro estágio, funciona como um teto solar simples, abrindo o céu sobre motorista e carona; no segundo, é como se fosse um teto panorâmico, deixando todos os bancos ao ar livre (seria bom se coubesse alguém com pernas de verdade no apertadíssimo espaço traseiro) -- nestes dois momentos, o botão do mecanismo pode ser acionado a qualquer velocidade; o terceiro é último estágio é o de abertura total do teto, que se coloca sobre a tampa do porta-malas; como envolve uma curva maior da capota de lona, precisa ser acionado a até 80 km/h máximos.

Mesmo com tudo liberado, quem enxerga o 500 Cabrio de fora pode não vislumbrar a ausência do teto, por conta da manutenção das colunas, o que pode ser uma vantagem (voltamos aqui ao ponto da violência urbana). Há um efeito colateral: como os bancos de motorista e carona são elevados por padrão (para garantir a sensação de ser maior, ou mais altinho, do que se é), o medo de se estar com o escalpo para fora do carro, sobretudo para quem tem mais de 1,75 m, é constante. Mas isso pode ser bobagem, coisa de quem ainda não está acostumado à liberdade de ter o vento na cabeça -- classe média deslumbrada sofre!    

CONVERSÍVEL, NÃO! CABRIOLET!

  • Murilo Góes/UOL

    Esta é a abertura máxima da capota do 500 Cabrio; repare que o arco do teto e a coluna continuam presentes, "protegendo" os ocupantes, mas atrapalhando a visibilidade. Além disso, há um efeito colateral: a capota cobre a vigia traseira e praticamente inutiliza o retrovisor interno

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