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'Kia teve sua importância ignorada', diz presidente da marca

Simon Plestenjak/Folhapress
José Luiz Gandini, presidente da Kia, posa para fotos no Anhembi ao lado da atriz Ellen Roche Imagem: Simon Plestenjak/Folhapress

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

01/11/2012 08h00

José Luiz Gandini, presidente da Kia, sorri ao apresentar seus carros -- como os novos Cerato e Quoris, que chegam em março de 2013 (saiba tudo sobre os lançamentos aqui) -- ao lado de beldades escaladas para a apresentação da marca no Salão do Automóvel de São Paulo, como a modelo e atriz Ellen Roche (foto). Quando a conversa é IPI e as recentes ações do governo, porém, o humor muda.

Saiba o que o executivo tem a dizer sobre os principais temas referentes à Kia  neste pingue-pongue com UOL Carros, feito no Pavilhão do Anhembi:

+ SOBRE AS REGRAS PARA IMPORTAÇÃO DO NOVO REGIME AUTOMOTIVO
"O governo está usando dois pesos e duas medidas no caso dos importados. As montadoras afiliadas da Anfavea [que possuem fábricas no Brasil, como Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Ford], que trazem seus veículos do México, têm uma quota de importação definida pelo novo regime baseada no seu histórico de importação. É sobre o volume financeiro, não sobre o produto, mas acaba funcionando da mesma forma. Para as marcas da Abeiva [importadoras sem instalações ou planos de fábricas no Brasil, como a própria Kia], não houve isso, há um limitador de 4.800 carros anuais. Como pode isso?"

+ SOBRE O "SUPER IPI" (EXTRA DE 30 PONTOS) AOS IMPORTADOS
"A diferença de 30 pontos sobre o IPI imposta pelo governo é um pênalti muito forte. Poderia ser 30%, e assim não mataria a necessidade de quem importa e gostaria de investir no país. Mas sendo de 30 pontos, elevando de 7% para 37% [alíquota para carros com motor de até 1 litro]  e de 25% para 55% [modelos de motorização maior e utilitários], você mata quem está fora do mercado e quer participar."

+ SOBRE O LIMITADOR DE 4.800 CARROS/MÊS SEM O SUPER IPI
"Digo que o governo ignorou a história da Kia no país, ao não levar em consideração nosso tamanho. Temos 172 concessionários, a maior linha de veículos importados, com 11 famílias, uma fortuna em investimento em todas as mídias, de todos os tipos, no Brasil, desde o patrocínio do Palmeiras ao merchandising na novela da Globo ou ao tamanho de nosso estande no Salão. Recolhemos R$ 2,1 bilhões em  impostos no último ano, recolhimento de empresa grande, mas agora somos nivelados a empresas que entraram há um ano ou dois anos no mercado e que vendem 4 mil carros. Nivelaram por baixo. A maneira mais honesta seria manter uma quota baseada no histórico da marca, sem limitador, como ocorreu em 1996, quando a alíquota de importação foi para 70%."

+ SOBRE A AUSÊNCIA DE PLANOS PARA CONSTRUÇÃO DE FÁBRICA NO BRASIL
"Sou brasileiro, sou empresário e quero produzir no Brasil, todo mundo quer produzir aqui. Mas eu represento uma marca multinacional que não toma uma decisão de uma hora para outra, sem estudos. Há estudos e projetos sobre a fábrica, mas não há nada decidido, infelizmente. O grupo coreano está inaugurando a fábrica da Hyundai agora em Piracicaba [no interior paulista, para a produção do HB20], mas não dá para inaugurar duas fábricas no pais ao mesmo tempo, fazer dois investimentos ao mesmo tempo. Até que essa decisão seja tomada, eu preciso manter minha rede viva, preciso manter meus investimentos e preciso continuar vendendo e ter estoque de peças e pós-vendas."

+ SOBRE FAZER CARROS DA KIA NA FÁBRICA DA HYUNDAI EM PIRACICABA
"Não existe esta possibilidade. Hyundai e Kia fazem parte do mesmo grupo, mas tratam as duas marcas como concorrentes. Além disso, a produção desta fábrica é pequena pelo que eles imaginam vender do HB20, então não cabe outro produto lá dentro."  

+ SOBRE OS MELHORES CARROS PARA SEREM FABRICADOS NO BRASIL
"Pessoalmente, se eu pudesse decidir, faria Cerato e Sportage. São os carros-chefes e não colidem com os projetos da marca-irmã [Hyundai, que foca sua produção nacional na plataforma compacta do HB20, com futuros sedã e crossover]. Mas isso é o que eu faria, não há estudos da marca para tanto.

+ SOBRE A SITUAÇÃO DO PALMEIRAS
"Nosso contrato de patrocínio com o Palmeiras vence no fim de janeiro e só vamos falar disso com o clube em janeiro. Este não é o momento para isso, temos muita coisa para frente, torço demais para que o Palmeiras se fortaleça e saia dessa enrascada. Demos muita sorte, o Palmeiras ganhou a Copa Kia [Copa do Brasil], vai disputar a Libertadores o ano que vem. E, mesmo que venha para a Série B do Brasileiro, isso não tira o brilho do Palmeiras e vamos ser campeões de novo [risos]."

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