Carros

Exportações de veículos da Argentina para o Brasil recuam

Magdalena Morales

Da Reuters, em Buenos Aires (Argentina)

01/08/2012 17h00

 

As exportações de veículos da Argentina neste ano vão registrar a maior queda em uma década em termos percentuais, aprofundando a desaceleração econômica do país, apesar da esperada recuperação na demanda brasileira nos próximos meses.

As exportações para o Brasil representam cerca de metade da produção automotiva da Argentina e vinham sendo um importante motor do crescimento da produção industrial do país durante a maior parte dos últimos nove anos.

Porém, a demanda brasileira encolheu com a desaceleração da economia e as perspectivas de desempenho melhor no restante do ano não serão suficientes para conter as perdas de produção e vendas de 2012 como um todo, disseram analistas e fontes da indústria.

"Estamos prevendo uma queda anual de 17% na indústria automotiva, que caiu 15% no primeiro semestre", disse Inaki Alvarez, analista econômico da consultoria Estudio Bein & Asociados.

Essa queda vai eliminar 0,6 ponto percentual do crescimento econômico da Argentina neste ano, previsto pela Bein & Asociados como sendo de 2%, ante alta de 8,9% em 2011.

Outros analistas do setor privado afirmam que a economia da Argentina vai crescer ainda menos ou encolher este ano, atingida pela queda na demanda externa, inflação alta, safra de grãos reduzida e cortes de importações. Eles afirmam ainda que o contestado dado oficial de crescimento não vai refletir totalmente a desaceleração.

No primeiro semestre, as exportações de veículos da Argentina despencaram 28% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da associação de montadoras Adefa.

Mas com a queda nos estoques de veículos no Brasil a demanda deve melhorar. Fontes na unidade argentina da Renault, que teve de dispensar funcionários este ano por causa de demanda reduzida, e na PSA Peugeot Citroen na Argentina confirmaram isso.

Cerca de 80% das vendas de veículos da Argentina ao exterior vão para o Brasil. O México era um outro grande comprador regional, mas representou apenas 2,5% das exportações argentinas no primeiro semestre deste ano e Buenos Aires decidiu abandonar um acordo automotivo com o país em junho.

A empresa de consultoria Abeceb, da Argentina, previu que as exportações de veículos do país vão afundar 23% em 2012, marcando o maior declínio desde 2002, quando as vendas externas recuaram 30% em meio à crise econômica que atingia o país.

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