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Audi A6 Avant escala tecnologia, joga bonito e cobra por isso

Letícia Lovo/UOL
Visual da perua A6 é conhecido, com grade hexagonal plana, mas brilho está no conforto Imagem: Letícia Lovo/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/07/2012 11h56

As férias escolares -- e o período de viagens com a família -- chegam ao fim, mas fizeram você perceber que precisa mudar a escalação de sua garagem? Quem tem capacidade para fazer investimentos graúdos pode optar pela station wagon Audi A6 Avant. A sétima geração do modelo alemão acaba de desembarcar no país, quase nove meses após a chegada do sedã A6, mas só entra em campo para defender o time de quem tiver ao menos R$ 330.990, valor pedido pela versão Ambiente, única disponível neste momento.

O jogo apresentado será mais bonito de se ver, porém, para quem desembolsar um extra de R$ 34.500 pelo pacote opcional Advanced, que adiciona firulas eletrônicas de apoio ao motorista, a exemplo do que ocorre com o sedã -- com estes auxiliares, a perua A6 Avant realmente ganha ar de modelo premium de luxo e passa a ser uma espécie de Barcelona do setor automotivo.

No pacote estão inclusos o PreSense Plus (que antecipa situações de risco, aciona alertas sonoros e freios e, na ausência de reflexo do condutor, prepara o carro para uma colisão, mudando ajuste de bancos e de cintos de segurança, fechando vidros e teto solar e freando mais forte para minimizar o choque, embora não o evite em casos extremos); Side Assist (sensor de ponto-cego); Cruise Control adaptativo (acelera e freia o carro de acordo com ajustes prévios, sem o uso dos pedais); Night Vision (câmera de visão noturna, que identifica obstáculos e pedestres distantes até 300 metros na noite escura); head-up display (a exemplo de carros americanos, como o Chevrolet Camaro, franceses e alemães da BMW); e faróis Full LED, que trocam os já bastante eficientes fachos de xênon por diodos que cumprem todas as funções de iluminação, da luz de posição diurna aos faróis alto e de neblina.

A unidade testada por UOL Carros ao longo de 600 quilômetros contava ainda com auxílio de estacionamento (que não só mede a vaga e avisa sobre o espaço para obstáculos, mas também faz as manobras para o motorista, que só tem de acelerar, frear e mudar o câmbio de Drive para Ré e vice-versa), ao custo de R$ 2.645, som de alta fidelidade Bose por mais R$ 7.383 e rodas aro 19 substituindo as originais de 18 polegadas (R$ 14.030), fechando a conta em R$ 389.548. Ainda seria possível acrescentar som de "altíssima fidelidade" Bang & Olufsen, custando o mesmo que um bom e equipado carro compacto (R$ 42.179) e acabamento interno em madeira de Nogueira ou Freixo (R$ 3.657).

Vale lembrar que muitos destes itens são conhecidos também de outros rivais alemães -- como o Mercedes-Benz E Touring, cujo modelo E350 Avantgarde parte de R$ 246 mil (saiba mais no Comparecar). E também estão presentes no cupê A7 e no sedã grande de luxo A8, mais caros, que dividem a plataforma modular longitudinal (MLB na sigla alemã utilizada pelo grupo Volkswagen) com o A6 sedã e perua. Vale lembrar que a MLB, em outra configuração, dá origem também ao Volkswagen Passat, cuja perua Variant acaba entregando quase tanto espaço, conforto e tecnologia que a A6 Avant por quase metade do preço (cerca de R$ 120 mil), por conta do menor status. A "camisa" premium acaba pesando neste caso.

PRECISA DE TANTO?
É bom reparar que com tantos equipamentos de auxílio e conforto, o menor dos trabalhos do motorista será o de se preocupar com detalhes estressantes da condução e isso acaba compensando a pequena fortuna cobrada -- claro, para quem pode e quer pagar. Afinal, quem não quer pegar a estrada e chegar descansado para aproveitar melhor o que quer que o espere no destino final?

O A6 Avant chega ao cúmulo de dispensar o motorista de funções que seriam corriqueiras ao volante. Luzes automatizadas (ligam e desligam sozinhas) já são comuns em carros de diferentes preços, mas o A6 se vale de duas câmeras na base no retrovisor interno para ficar "de olho" na pista e no clima -- assim, o condutor nem precisa se preocupar em regular a iluminação de acordo com o tráfego. Escureceu, o carro liga os faróis até o limite necessário, acompanhando planos de pista e curvas. Se uma lanterna vermelha for "enxergada", o facho de luz fica mais baixo de modo autônomo. Se a luz observada pelo sistema for a de outro farol (tons de cinza, branco e amarelo), a iluminação é suavizada de forma a não ofuscar quem vem no sentido oposto. O sistema faz as vezes até de faróis de neblina -- o lugar destes no para-choque dianteiro acaba ocupado pelos sensores do Cruise Control adaptativo.

Espaço para acomodar família e malas, com conforto total, também não falta: são 4,92 metros de comprimento, 1,87 metro de largura e 1,46 m de altura numa silhueta que lembra a Passat Variant, ainda que mais esguia. O espaço entre-eixos é de enormes 2,91 metros, garantindo acomodação para cinco passageiros e outros 565 litros de bagagem, volume que pode ser ampliado facilmente a 1.680 litros, com alguns toques em alavancas de rebatimento dos bancos e movimentação de redes e apoios de carga que correm sobre trilhos no compartimento.

Na hora de guardar a tralha, outra peripécia da perua A6 se revela: um sensor permite a abertura do bagageiro sem o uso das mãos: com a chave eletrônica no bolso, basta fazer o movimento de chute sob o para-choque traseiro para que a tampa elétrica se abra. Cabe um senão: a calibragem um tanto conservadora do sistema fez da tarefa algo tão complicado quanto bater um pênalti em final do campeonato e, quase sempre, o resultado negativo obrigou UOL Carros a abrir a tampa do modo tradicional, apertando um botão na chave ou em um local específico da carroceria do carro. Foi a única bola fora da perua, no que pode ter sido apenas um escorregão em campo da unidade testada.

OS RECURSOS DA A6 AVANT

  • Este vídeo de divulgação produzido pela Audi mostra alguns recursos de auxílio ao motorista presentes na sétima geração da perua A6 Avant. O destaque, em termos de conveniência, é a o sensor que permite abrir a tampa do porta-malas com um chute sob o para-choque traseiro.

DISPOSIÇÃO
Na hora de acelerar, porém, o motorista vai jogar sempre no ataque, a começar da posição de dirigir: o banco mais curto e mais baixo do que seria de se esperar num veiculo familiar de conforto praticamente obriga a adoção da postura típica de esportivos, com quadril mais baixo, joelhos mais altos e pernas mais esticadas. Em viagens mais longas, porém, pode cansar.

O motorzão de 3 litros com compressor mecânico e injeção direta de gasolina é capaz de gerar 300 cavalos de potência com torque de 44,86 kgfm -- é "apenas" metade do que fornece um caminhão de cinco toneladas, mas considere que o A6 pesa 1.740 quilos (graças ao regime de alumínio, que o fez emagrecer 70 kg em relação à geração anterior) e o número vai se mostrar absurdo, típico de estratégias ofensivas. O 0 a 100 km/h pode ser cumprido em pouco mais de 5 segundos e meio, segundo a fábrica, enquanto a velocidade máxima é travada em 250 km/h, por segurança.

Com o meio-de-campo feito pelo câmbio S-tronic de dupla embreagem e sete marchas, de trocas perfeitas e quase imperceptíveis, e da tração integral quattro, que na perua da Audi compensa a falta de atrito de uma ou mais rodas com o solo reduzindo a aceleração destas e mantendo a força nas demais constante (diferente do que ocorre em outros sistemas de tração, que deslocam totalmente a força das rodas que estão no ar para aquelas no solo), rodar por serras, planaltos e mesmo terrenos um pouco mais "sujos", como a entrada da fazenda, seja tão fácil quanto encarar um jogo-treino. A A6 Avant não desgarra e ainda corrige praticamente todas as "pernadas" do motorista mais despreparado.

O trem-de-força ainda pode ser cadenciado com o ajuste do Audi Drive Select, de série, que com três posições fixas (Auto, Comfort e Dynamic) e uma variável ao gosto do técnico/motorista (Individual) mudam a forma de jogo do A6. A posição padrão é típica da Audi, com motor e câmbio mais ágeis, pedais e suspensão mais firmes, trocas de marcha rápidas. Os engenheiros da marca gostam de dizer que a posição mais confortável, melhor para o esburacado piso local, faz o carro se comportar como se fosse o alemão da marca M (você de casa, claro, sabe como completar o nome). Já o modo mais ativo e dinâmico aproximam o carro do comportamento da marca alemã B (mais duas letras matam o desafio).  

Como resultado, temos números muito eficazes: apesar do tamanho e da força, a perua mostrou ser contida no apetite e percorreu cerca de 10 quilômetros por litro de gasolina em nosso teste com 2/3 de trajeto em estradas (a Audi fala em 12 km/l nessas condições). Zerado o marcador para o uso em terreno totalmente urbano, a média decaiu, rondando os 7 km/l, ainda aceitáveis. Ou seja, a perua A6 Avant realmente bate um bolão, pelo menos para quem pode pagar pelo ingresso.

A PERUA EM MOVIMENTO

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