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Temos muito a aprender com a Peugeot Citroën, diz chefão da GM

Claudio Luis de Souza/UOL
Mark Reuss, presidente da GM North America desde o final de 2009: chegou a hora de sorrir Imagem: Claudio Luis de Souza/UOL

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em Detroit (EUA)

02/06/2012 17h01

A aliança da General Motors com a PSA Peugeot Citroen, anunciada e iniciada no final de fevereiro, é focada em produtos, e não nos balanços financeiros das companhias. É o que diz Mark Reuss, presidente da GM North America, dando pistas de que trata-se de mais uma lição que a companhia americana toma no aprendizado para fazer carros menores e mais eficientes.

"Nosso modelo de negócios está longe de ser perfeito, e temos muito a aprender com a PSA", disse Reuss num encontro com jornalistas brasileiros nesta sexta-feira (1) em Detroit, Estados Unidos, cidade-sede da companhia.

A aliança foi considerada por alguns analistas como um mau passo da GM devido à frágil situação financeira da Peugeot. Para eles, apenas o grupo francês teria a ganhar -- e a GM, muito a perder. (Leia aqui uma análise mais geral do movimento dessas empresas).

O desenvolvimento de motores (obviamente de pequeno porte) é um dos focos da aliança GM-PSA. Quem está acostumado com a gama Chevrolet brasileira pode se surpreender, mas durante a entrevista Reuss apresentou um dado do mercado dos EUA que é significativo de como era -- e como está mudando -- a mentalidade local: "Hoje, 58% das vendas da Chevrolet aqui são de carros com motores 4 cilindros", disse ele, como quem comemora um grande feito.

Em outras palavras, a Chevrolet vai deixando de ser a Chevy dos motores V8 e V6 e se transformando numa companhia que aposta alto nos carros considerados compactos. Ou, como disseram Reuss e outros executivos da companhia, "a Chevrolet deixou de ser uma marca de trucks [picapes e SUVs grandes] para ser uma marca de automóveis".

É uma decisão mercadológica. A Chevrolet responde por cerca de 70% dos emplacamentos da GM nos EUA, e na visão da companhia em sua fase pós-concordata as picapes e os SUVs grandes estão destinados a perder espaço nas vendas e no desejo dos consumidores -- não imediatamente, porque a lenta recuperação econômica dos EUA deve anabolizar a entrega de picapes utilizadas para trabalhar. Mas, como lembrou Reuss, a companhia "já vende 20 mil Chevrolet Cruze por mês".

Médio no Brasil, nos EUA o Cruze é considerado compacto (assim como Honda Civic e Toyota Corolla).

Por ora, ninguém comenta os possíveis efeitos da aliança GM-PSA no mercado brasileiro. Muito menos se ela renderá uma nova fábrica no país, como foi aventado por uma revista semanal. Representantes da GM brasileira aqui em Detroit declinaram de comentar o tema.

VOLT É TIPO UM PRIUS
Mark Reuss também falou do Chevrolet Volt, "carro elétrico de autonomia estendida" (em inglês, EREV) que, segundo ele, começa a embalar nas vendas. "Hoje já são de 2.500 a 3.000 Volt emplacados a cada mês", disse o chefão, que disse possuir um exemplar para uso pessoal.

Custando US$ 40 mil, é um carro caríssimo para os padrões dos EUA, mas Reuss diz que o pulo-do-gato é o jeito de pagar esse valor. "Num leasing de cerca de US$ 350 por mês, o Volt pode sair praticamente de graça, devido ao que se poupa de gasolina e ao baixo preço da eletricidade para carregar a bateria", afirmou Reuss.

A GM ficou sem crédito no mercado financeiro durante quase dois anos após a concordata de 2009. Hoje já é possível financiar a compra de carros de suas marcas em bancos importantes dos EUA, mas o Volt foi uma vítima do período de cofres vazios.

"Não temos pressa. O Toyota Prius [híbrido mais vendido do mundo] só se pagou em sua terceira geração", completou. O hatch da marca japonesa foi lançado em 1997.

Desde janeiro de 2011, quando UOL Carros testou o Volt antes do Salão de Detroit, o preço não baixou um cent sequer. De acordo com a GM, o carro está sendo melhorado a cada ano-modelo com a incorporação de novas tecnologias -- como se fosse um telefone celular, aparelho cuja evolução não tem data para acabar.

PSA ENFRENTA TURBULÊNCIA

  • AFP

    Elo mais fraco: trabalhadores numa das fábricas da PSA na França, cuja linha deixou de ser compartilhada com a Fiat e que por isso corre o risco de fechar; GM, que agora detém 7% da Peugeot, pode ser a salvação da companhia francesa -- mas também pode viver sem ela...

Viagem a convite da GM do Brasil
 

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