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Líder socialista francês liga carro elétrico à recuperação da Europa

Remy Mauviniere/AP
Hollande, já eleito, em meio a apoiadores: tête-à-tête com Angela Merkel no 1º dia Imagem: Remy Mauviniere/AP

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/05/2012 00h23Atualizada em 14/05/2012 11h32

Um e outro líder político europeu já falou sobre a importância dos carros elétricos, agora ou no futuro, mas nenhum foi tão longe quanto Michel Rocard, ex-premiê da França e uma das referências da esquerda daquele país -- e o que ele diz ganhou mais importância desde a eleição à presidência de seu colega de Partido Socialista, François Hollande, no começo do mês.

Em entrevista à revista Carta Capital desta semana, Rocard respondeu a uma pergunta sobre a "fórmula do crescimento" para uma Europa em crise, com uma enorme dívida e desemprego em alta, citando carros elétricos: "Acelerar a qualidade e a produção de automóveis elétricos [mais econômicos] é imperativo. Haverá redução do efeito estufa (...) e utilizaremos menos petróleo".

Até aí, o discurso de Rocard poderia ser apenas isso: um discurso. Mas o ex-premiê tocou em seguida num ponto crucial da questão do carro elétrico: os altos custos de produção e, secundariamente, os interesses contrariados. Disse o socialista: "Não é possível deixar que a economia de consumo nos proíba de fornecer os necessários meios suplementares. É necessário encorajar essa e outras atividades porque elas criam empregos e assim geram atividade econômica".

Traduzindo: não se pode esmorecer diante do preço de componentes como baterias (hoje caríssimas) ou de ações estruturais como a criação de redes de recarga -- esta última tem o sobrepreço político de desagradar a corporações poderosas, como as petroleiras. De resto, as fabricantes defendem que o carro elétrico só será viável quando houver importante apoio financeiro dos governos, por meio de subsídios à indústria e incentivos fiscais ao consumidor.

Se isso parece uma brecha para maior intervenção estatal na economia, vale lembrar que Hollande já avisou que pressionará as agora aliadas General Motors e PSA Peugeot Citroën a evitar, ou ao menos minorar, as demissões que os grupos planejam fazer em fábricas na França, a partir da racionalização na produção obtida com o acordo entre elas. É o oposto do que prega a linha-dura dos favoráveis à austeridade na Zona do Euro.

DUELO
A fala de Michel Rocard também pode ter uma leitura que use como personagens as indústrias automotivas nacionais dos dois países-chave da Europa nos próximos meses: os já citados França e Alemanha.

A Renault é possivelmente a fabricante de carros de porte global que mais aposta em modelos movidos puramente a eletricidade. Oferece desde o ano passado uma pequena gama conhecida como ZE, de "zéro émission" (emissão zero de gás carbônico), que inclui sedã e comercial leve (Fluence e Kangoo). A Nissan, sua aliada, é responsável pelo Leaf. Em escala menor, o grupo PSA também envereda pelo caminho dos elétricos.

De acordo com a publicação Automotive News Europe, a indústria automotiva responde por 10% dos empregos na França, incluída aí toda a cadeia produtiva (fornecedores, revendas e outros). O governo francês é acionista minoritário na Renault, com 15% de participação.

Por sua vez, na Alemanha da chanceler Angela Merkel (que contava com a reeleição de Nicolas Sarkozy, em vez da vitória de Hollande), a Volkswagen continua embalando seu projeto de chegar a 2018 como a maior vendedora de automóveis do mundo -- somando as várias marcas do grupo, mas com a nave-mãe à frente.

Líder absoluta em vendas na Europa, em termos de carros ambientalmente amigáveis a alemã (numa estratégia perfeitamente defensável) segue apostando na linha BlueMotion, com baixo consumo de diesel (no Brasil, onde esse combustível é proibido para carros de passeio, foi adaptada a motor flex), e prenuncia uma forte adesão aos híbridos (com motores a combustão e elétrico) a partir de carros consagrados de sua gama global, como Polo e Golf. O subcompacto Up 100% elétrico só deve surgir em 2013, mas por ora parece ser uma ação isolada da fabricante.

O duelo político entre França e Alemanha deve começar nesta terça (15), quando François Hollande toma posse e já viaja à Alemanha para um encontro com Angela Merkel. Parece inevitável que haja desdobramentos na indústria automotiva. A ver.
 

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