Carros

Nissan March com motor 1.6 tenta justificar-se ante o carro 1.0

Murilo Góes/UOL
March 1.6: carinha fofa, motor de gente grande, consumo baixo -- mas dirigi-lo não é tão simples Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

Um dos carros mais comentados no Brasil nos últimos seis meses certamente é o Nissan March. Ele se encaixa num nicho de mercado ainda em formação, e aparentemente paradoxal: o dos "carros de entrada premium". Fica lado a lado com modelos que têm em comum o comprimento em torno dos 3,75 metros, sofisticação de projeto inencontrável nos autênticos pés-de-boi" de entrada (como Fiat Mille, Chery QQ e Volkswagen Gol G4) e o discreto charme da racionalidade que desafia SUVs e crossovers na arena urbana.

Fazem companhia ao carrinho da fabricante japonesa (que, por ora, é feito no México) modelos como o Fiat Uno e o Chery Face; no futuro, o paradigma para a turma deverá ser o Volkswagen Up. Em favor do March trabalha a tradicional percepção de qualidade das marcas japonesas -- embora esta tenha mais a ver com Toyota e Honda do que com Nissan.

Outro aspecto a destacar no March é a oferta de dois propulsores bicombustíveis, conhecidos da gama da aliança Renault-Nissan e que, em termos de potência e torque, têm um abismo entre si: o 1 litro de 74 cavalos e 10 kgfm, e o 1,6 litro de 111 cv e 15,1 kgfm. Os 60% a mais na capacidade cúbica refletem num ganho aproximado de 50% em potência e torque. O peso extra no March com motor maior fica na vizinhança dos 44 kg (938 kg no 1.0 e 982 kg no 1.6).

A diferença no motor é suficientemente grande para falarmos de dois carros distintos: o March urbano e prático, voltado a quem precisa se deslocar na cidade sem dar muita bola à performance; e o March raçudo, com apetite por estrada, que vê pelo retrovisor até sedãs médios. Só que o primeiro, 1.0, não vai bem na estrada, a não ser que o motorista aceite trafegar pela faixa da direita o tempo todo. Ponto negativo para ele. Já o segundo, 1.6, pode ter sua performance enquadrada às regras da cidade -- e sem aborrecer o motorista em aclives. Ponto positivo.

QUANTO VALE?
O March 1.0 mais completo, o S, custa R$ 33.390, ante os R$ 35.890 do S 1.6, que vem imediatamente acima na tabela de preços e com o mesmo recheio. A versão topo da gama é a "esportiva" SR, por R$ 39.990 -- mas UOL Carros preferiu experimentar a menos chamativa SV 1.6, cujo valor sugerido é R$ 37.990.

Os equipamentos partilhados por ela e pelas S 1.0 e 1.6 incluem: ar-condicionado; direção com assistência elétrica progressiva; travas, vidros e retrovisores elétricos; travamento automático das portas; abertura de portas e bagageiro por controle remoto; e volante com regulagem de altura. Também há airbag duplo e computador de bordo, presentes desde o March 1.0 -- os itens exclusivos da SV 1.6 são rodas de liga aro 15", alarme perimétrico e sistema de som com rádio AM/FM, CD-player entrada auxiliar (mas não USB) e quatro alto-falantes. Clique aqui para ver ficha técnica e equipamentos de toda a gama do compacto.

Por fora, o March lembra um bicho japonês de mentirinha quando visto de frente, com "olhinhos" e "boquinha" fingindo-se de faróis e grade frontal; por trás ele é menos divertido, com lanternas pequenas bem afastadas pela ampla tampa do porta-malas. Apesar de terminarem em corte reto, as linhas arredondadas contrastam com a quadratura do Uno.

Para quem vai a bordo, o March SV oferece um habitáculo espartano, mas com boa ergonomia e um tema de estilo em que outra vez predomina a forma circular, mais lúdica que as linhas retas e adequada a um carro que, no fundo, também quer ser "fofinho": além de instrumentos e saídas de ar, até mesmo o painel diante do passageiro é bojudo, mostrando que não é fácil acomodar airbag em carro pequeno.

O sistema de som lembra o de modelos mais caros da Nissan, como o Tiida, e o painel tem um conta-giros legível. O assento do motorista tem regulagem de altura, assim como a coluna de direção, o que permite uma posição de dirigir confortável. No geral, o espaço é bom para quatro ocupantes adultos, e o porta-malas de 265 litros é pouco menor que o de hatches mais renomados.

IMPRESSÕES AO DIRIGIR
Em movimento, o March 1.6 portou-se como era previsto no que se refere à performance nua e crua: o carrinho anda muito porque tem motor de sobra. Velocidades na vizinhança dos 120 km/h são atingidas rapidamente, e quem levá-lo a uma pista reta poderá chegar aos 170 km/h também sem dificuldade (a máxima declarada é de 191 km/h, ante 167 km/h do carro 1.0). Curvas são engolidas sem azia, e às vezes bate até aquela sensação de estar pilotando um kart (velho clichê usado para falar do -- hoje envelhecido -- Ford Ka).

  • Murilo Góes/UOL

    Cabine do Nissan March SV é correta, apesar de espartana; ergonomia é destaque postivo

  • Murilo Góes/UOL

    Motor de 1,6 litro entrega 111 cavalos e 15,1 kgfm, números que sobram num carro de menos de 1 t

No entanto, a partir dos 100 km/h o porte "racionalista" do March 1.6 transforma-se num fator que joga contra ele: ultrapassar um caminhão pode provocar forte oscilação na carroceria (apesar da segurança na retomada); a resistência do ar lhe é cruel e, além de "segurá-lo", provoca incômodo ruído; e ondulações no asfalto tendem a fazer o carrinho quase decolar, e não por culpa suspensão -- a do March, dotada de eixo de torção traseiro, tem bom curso e ajuste que busca um meio-termo entre conforto e esportividade.

Traduzindo: em algumas situações, as limitações dinâmicas impostas pelo tamanho do March anulam a vantagem do motor 1.6 sobre o de 1 litro. E persistem problemas que independem do propulsor, como o limitado alcance dos espelhos retrovisores laterais, que pregaram alguns sustos em UOL Carros ao "esconder" carros que trafegavam ao lado. Com 1,66 metro de largura e mantendo-se no centro de sua faixa, o March fica longe de tudo...

Por sua vez, o consumo de combustível relativamente baixo pode virar o jogo em favor do March 1.6: dirigimos 585 km com etanol no tanque, em circuito predominantemente urbano, e obtivemos média de 8,7 km/litro, interessante para um motor dessa capacidade. Com gasolina, foram percorridos 263 km, 70% deles em estrada e o restante na cidade, chegando a média de 13,2 km/l. Em circuito misto, durante test-drive nos Estados Unidos (muito mais curto que o reportado aqui), nosso March 1.0 fez 14 km/l com gasolina. Vale notar que a Nissan promete números ainda melhores na ficha técnica.

A diferença de preço entre o March 1.0 mais completo (S) e o 1.6 mais barato (também S) é de R$ 2.500, somente por causa do motor maior. Considerando o mais completo SV, a diferença vai a R$ 4.600, conta que inclui rodas maiores e de liga e um bom sistema de som original de fábrica.

E isso dá no quê? Bem, o March tem um sabor de novidade e uma aura de qualidade que os citados Uno e Face não têm, e exibe o instigante dom de provocar dúvida no comprador dentro de sua própria gama. Ótimo para a Nissan, que entende de marketing e mercado: são 11.504 emplacamentos até meados de abril, colocando o carro na 14ª posição entre os mais vendidos no Brasil -- os dados são da Fenabrave (associação das concessionárias) e não separam as versões. Nessa boa performance, 1.0 e 1.6 andam juntos, sem distinção.
 

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