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Nissan Versa agrada com beleza interior e bom comportamento

Murilo Góes/UOL
Sedã compacto Versa, importado do México, é segunda força da Nissan no país Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/04/2012 08h15

A japonesa Nissan vive seu momento de ouro no Brasil: emplacou mais de 27 mil carros de janeiro a março deste ano; ocupa a sexta colocação no ranking de principais montadoras do país, à frente das conterrâneas Honda e Toyota; e, junto à aliada Renault, cresce no retrovisor da grande Ford. Sem medo de errar ou cometer injustiça, podemos atribuir a bem-sucedida escalada aos dois modelos que a marca importa do México: o hatch March e o sedã Versa.

O pequeno dois-volumes é a coqueluche da marca, com quase 10 mil emplacamentos no primeiro trimestre. UOL Carros voltará a falar do hatch compacto em breve. Neste momento, trataremos de responder a uma questão que temos ouvido constantemente nas últimas semanas: "E esse tal de Versa, é um bom carro?"

Vamos deixar a questão do visual de lado. Está claro que o Versa jamais vencerá qualquer concurso de beleza automotiva, assim como é nítido que outros predicados atraíram as quase 5.000 pessoas que colocaram um na garagem desde o começo do ano. Embora mais agradáveis aos olhos, o monovolume Livina e os médios Tiida (falamos do hatch, já que o sedã é tão desproporcional quanto) e Sentra ficaram muito atrás na preferência do povo. O fato é que o Versa tem preço e conteúdo para agradar à classe média emergente.

Os valores para o Versa começam em R$ 35.590 (versão S), R$ 40.390 (para a intermediária SV) e R$ 43.390 (SL, topo da gama). O valor final, porém, sobe outros R$ 990 com a pintura paga à parte (apenas a branca sólida sai sem custo extra), com extras R$ 1.251 por vidros automáticos (um-toque) e alarme. Assim, chega aos R$ 45.630 cobrados por um exemplar SL como o guiado nesta avaliação.

Ele ainda está longe dos líderes de venda deste nicho de mercado. O antiquado (mas mais em conta) Chevrolet Classic entregou 24.314 unidades desde janeiro, segundo dados da federação de concessionários (Fenabrave); Volkswagen Voyage, 21 mil; mesmo sendo um tanto maior, o compacto-médio Chevrolet Cobalt pode ser colocado neste pódio, pois briga pelo mesmo público, a quem entregou 15.626 unidades e fez até com que um rival tivesse de crescer em tamanho -- falamos do Fiat Siena, com 11.751 unidades em três meses, antes de mudar de geração e de tamanho.

Chevrolet Prisma, Ford Fiesta Rocam e Renault Logan também aparecem antes do Versa na lembrança do consumidor, mas o sedã da Nissan tem seu interesse aumentado e já desbanca competidores estabelecidos, como Honda City e Peugeot 207 Passion.

BELEZA INTERIOR
O fato é que o Versa mostra ser bonito da porta para dentro. Embora simples, seu revestimento interno tem acabamento bem executado e quem comparar, por exemplo, com o hatch March e até mesmo com o Livina vai perceber a maior qualidade do sedã, sobretudo na versão SL: a bolha plástica que forma o painel tem aspecto menos empobrecido; há ajuste de altura para o banco do motorista, muito bem-vindo para que se encontre uma melhor posição de dirigir; direção elétrica; ar condicionado; mais porta-objetos; os comandos são em sua maioria bem posicionados e de fácil acionamento; a iluminação do painel é primorosa e há computador de bordo com oito funções, incluindo os fundamentais indicadores de autonomia e consumo (médio e instantâneo).

A segurança fica a cargo de airbags duplos e cintos de segurança com pré-tensionador (de série desde o Versa mais barato) e também de itens exclusivos para a versão SL, como faróis de neblina, freios com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição da força de frenagem).

Também há pequenos deslizes. Embora haja muito espaço a bordo, com lugar para cinco ocupantes e todas as suas malas (são 460 litros de carga no porta-malas), a viagem acaba tendo contratempos, como o assento curto demais, que não apoia bem as pernas, levando a cansaço e dores em trajetos mais longos.

O CARRO É FEIO, O MOTOR É BELO

  • Murilo Góes/UOL

    O Versa é desagradável por fora, mas por dentro é interessante e, mais ainda, tem bom coração: motor 1.6 'sobra' para o peso do carro e garante bom desempenho com economia

Do mesmo modo, quem viaja no centro do banco traseiro fica menos protegido que os demais, por não contar com apoio de cabeça, embora tenha cinto de três pontos; há ainda coisas menos sérias, como o cromado das maçanetas internas que não combina com o restante da cabine (o brasileiro, contudo, gosta deste tipo de material); e o rádio, velho conhecido de qualquer um que tenha estado a bordo de um Nissan, que é simples, mas eficaz, exceto em sua nova conexão USB/iPod, que fica posicionada perto da alavanca de freio, deixando o tocador de MP3 acoplado totalmente fora do alcance do motorista durante a condução, algo que atrapalha mais do que ajuda.

O mérito do Versa, porém, e base da resposta que precisamos dar à pergunta crucial vem de seu conjunto motriz e de sua dinâmica em pista. O motor 1.6 flex, com bloco construído em alumínio e controle variável de abertura de válvulas, gera 111 cavalos de potência e 15,1 kgfm de torque, tendo etanol ou gasolina no tanque, e é comandado pelo bom câmbio manual de cinco marchas. Devido ao baixo peso do carro (1.069 quilos na versão mais recheada), o motor "sobra" e há fôlego constante, seja em saídas, retomadas, ultrapassagens ou ladeiras.

PREVISÍVEL
De fato, o motorista tem de dosar seu ímpeto para não passar do ponto -- é fácil ficar empolgado com a disposição do Versa e se esquecer que se está no comando de um sedã até bem comprido (4,45 metros), largo (quase 1,70 m) e, principal, de pegada totalmente urbana e familiar, que vai ter o comportamento típico de jogar sua traseira em curvas mais carregadas, quando feitas sem o devido cuidado. Dirigindo com atenção, nenhuma surpresa cruzará seu caminho.

Além disso, o trem de força trabalha de modo a manter seu regime abaixo de 4.000 giros sempre que possível, reduzindo a zona de ruídos e, portanto, de estresse para os ocupantes. Neste ponto, mérito também para o isolamento do cofre do motor, que poderia ser repetido no restante da cabine. Isso ficou muito claro a UOL Carros, aliás, graças à chuva rápida que enfrentamos num momento do teste: se, por um lado, durante todo o convívio com o Versa foi raro ouvirmos o motor erguer a voz, por outro foi muito fácil (e curiosamente incômodo) ouvir o barulho da água que caia sobre nosso teto.

O incômodo é ligeiro e se dissipa com a volta do tempo firme e com a boa notícia indicada pelo computador de bordo. Bem ajustado e trabalhando com folga, o motor tem apetite moderado. Após rodar mais de 500 quilômetros com o Versa, obtivemos consumo médio de 8,4 km/l, com etanol no tanque, marca que subiu aos 11 km/l com uso de gasolina. Com tais números, é possível fechar os olhos e afirmar: o Versa é interessante o bastante para valer seu investimento.
 

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