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Chevrolet corre para mostrar Impala 2014 e 'esquece' grade bipartida outra vez

AP Photo/Richard Drew
Mark Reuss, presidente da GM para a América do Norte, apresenta o novo Chevrolet Impala
com um ano de antecedência, em evento que precede o Salão de Nova York. Quase quatro
anos após falência, GM retoma desenvolvimento de um modelo de grande porte, mas teme que mercado local tenha mudado demais e corre para tentar segurar últimos compradores Imagem: AP Photo/Richard Drew

Do UOL, em São Paulo (SP)

04/04/2012 13h48

A GM corre para abandonar o passado recente -- falta de lançamentos convincentes, problemas financeiros e uma crise que levou à falência da matriz e à ressurreição bancada pela Casa Branca, ancorada em modelos menores, de menor custo, menos beberrões e de maior apelo público -- não apenas aqui no Brasil, mas também nos Estados Unidos. Prova disso é o evento que revelou, nesta quarta-feira (4), a décima geração do sedã grande Chevrolet Impala. A apresentação antecede o Salão de Nova York e mostra um carro que chegará ao mercado, de fato, apenas em 2013 (daqui a um ano), já como modelo 2014.

O Impala 2014 foi mostrado com pompa e circunstância: primeiro, na véspera da aparição, surgiu o tradicional emblema do antílope corredor ligeiramente remodelado (assim como ocorre com o esportivo Corvette e suas "bandeiras cruzadas", o Impala é outro Chevrolet com seu próprio símbolo). Nesta quarta, foi a vez do sedã ser revelado pelo presidente da GM para a América do Norte, Mark Reuss.

Renovado, o Impala traz visual que impressiona qualquer um que tenha conhecimento do atual portfólio da Chevrolet. Trata-se da primeira mudança estética do modelo desde 2004. Há mais: esta é a primeira troca de plataforma do sedã grande desde os anos 1990. Visualmente, chama a atenção o novo porte, que parece ligeiramente reduzido (em relação à geração atual) e um tanto esportivado (tanto quanto um sedã executivo americano tradicional pode ser). A silhueta do novo sedã, com segundo e terceiro volumes (cabine e porta-malas) um tanto que inclinados à frente, parece ter sido esculpida tomando por base a linha de um dos esportivos da marca, o Camaro.

Mas o principal está no primeiro volume: o cofre do motor e toda a dianteira mais altos e largos são antecipados por uma frente mais esguia e -- nova surpresa -- sem a grade bipartida que se tornou sinônimo da identidade da Chevrolet pós-crise. O Impala é o segundo veículo da marca mostrado em uma semana a abandonar aquele estilo, criado em conjunto por projetistas americanos e asiáticos (leia-se coreanos) e adotado em massa desde o lançamento de modelos como o subcompacto Spark, o sedã Cruze e, no Brasil, o hatch Agile. O primeiro a "rasgar o RG" atual foi o SUV Traverse 2013 (reveja o utilitário aqui).

OUTRA CLASSE, OUTRO ESTILO
Se no Traverse a justificativa para o visual foi a adoção de uma nova estética para os utilitários da marca, no Impala a desculpa da Chevrolet para mudar tudo vem da importância do modelo. Como sedã grande e carro-chefe da marca nos Estados Unidos, o Impala 2014 deve mostrar sua classe diferenciada -- além do emblema próprio remodelado, uma frente diferenciada (e que se alinha àquela que será utilizada por modelos maiores) deve dar conta disso.

Por um lado, há a incerteza. Estaria a GM testando a recepção do novo estilo nos carros mais caros para depois adotá-lo como padrão em sua linha? Falando em bom português, há a chance dos carros da marca mudarem novamente de aparência, deixando toda uma leva de "novidades" (só no caso do Brasil, podemos citar Cruze, sedã e o ainda não lançado hatch, S10, a futura Blazer, e os ainda distantes Sonic, hatch e sedã, Spin e Onix) velha antes do tempo? Ou haverá uma divisão de estilo, com a adoção de visuais específicos para "primeira classe" e "classe econômica"?

Apesar de consolidada, a frente bipartida ainda é considerada uma solução polêmica e não muito aceita pelos entusiastas. Todos sabem que os carros da Chevrolet recebem apelidos estranhos por conta do visual recente, sendo chamados de "carudos" e "estranhos", para ficar apenas nos adjetivos leves.

Por outro lado, este levantado sobretudo pela imprensa norte-americana, a adoção de uma frente mais delgada neste momento e em modelos específicos serve como uma tentativa desesperada da GM de fazer com que o comprador engula alguns modelos. Nem que para isso tais modelos se façam passar como sendo de outra marca. O Traverse foi acusado de ficar parecido demais com o alemão Volkswagen Touareg, com o coreano Hyundai Santa Fe e até com o japonês (e menor) Honda CR-V.

Já o Impala 2014 se assemelha muito ao VW Passat, ao novo (e só visto em forma de conceito) Honda Accord, ao Toyota Camry e ao novo Hyundai Azera, com quem guarda semelhanças não apenas indo, como também vindo.

SÍMBOLO DO PASSADO

  • Divulgação

    Antiquado, o Impala atual é fruto de uma era que a GM parece querer apagar da história oficial

SENTINDO O MERCADO
Questões de estilo à parte, o Impala surge prematuramente para sondar o interesse do mercado e guardar um lugar no coração dos eventuais compradores de sedãs grandes. Com a crise econômica, este filão caiu muito nos Estados Unidos -- o consumidor deste tipo de carro é, majoritariamente, frotista (grandes empresas que precisam motorizar seu executivos, repartições e entidades públicas e governos) e contra-feito a mudanças extremas, sobretudo de preço.

Quando vier ao mundo para valer, o Impala vai competir com uma leva de modelos novos ou recém-modificados: a Ford Taurus (a ser remodelado), Nissan Maxima (idem), Toyota Avalon, Chrysler 300 e Hyundai Azera (entre outros). O modelo da Ford e os asiáticos têm tido a preferência do consumidor nos últimos tempos e são os grandes desafiantes ao novo Chevrolet.

O problema é que não haverá espaço para todos: devorado pela febre dos SUVs e, recentemente, pelo súbito interesse por carros menores e mais econômicos, o mercado de sedãs grandes americano deve cair de atuais 180 mil emplacamentos anuais para para cerca de 84 mil (praticamente a metade) até 2014.

O Impala será construído no Canadá e também na mesma fábrica em Detroit de onde saem atualmente o híbrido Volt e o novo Malibu. Com isso, poderá ser equipado com motores "verdes" como o Ecotec 2.4, de quatro cilindros, que é acoplado a um sistema híbrido (gerador e motores elétricos) para entregar 184 cavalos de potência e consumir 15 km/l no Malibu Eco. haverá também um Ecotec 2.5, de 198 cavalos e ainda 3.6 V-6 de 308 cavalos (o Impala atual é movido por um 3.5 V6 de 214 cv). A transmissão será sempre a automática de seis marchas.

As dimensões do novo carro não foram reveladas, mas ele será fabricado em três versões de acabamento (LS, LT e LTZ) e contará com iluminação por LEDs, dez airbags e dispositivos como piloto-automático adaptativo (que acelera e freia o carro de forma autônoma, baseado em ajustes estabelecidos pelo condutor), alertas de colisão, de mudança de faixa, de veículo no ponto-cego e de tráfego no lado oposto ao do condutor (útil em manobras de marcha-ré).

Porém, e com tudo isso, o desafio final do Impala será ter um preço atrativo o suficiente para ser aceito pelo comprador. A imprensa local tem como certa uma elevação substancial no valor pedido pelo carro. Atualmente, o velho Impala começa em US$ 26.500 (cerca de R$ 48.500), enquanto os rivais orbitam entre US$ 30.000 e US$ 34 mil (de R$ 55 mil a R$ 64 mil).

Para o Brasil, que dificilmente verá o carro, fica a dúvida sobre os rumos de estilo da Chevrolet, que parece cada vez mais estar adotando um visual para seu principal mercado e outro para áreas emergentes.

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