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Proteste aponta que cinto de quem viaja atrás é menos seguro e dá cartão vermelho ao Ford Ka

Murilo Góes/UOL
Ford Ka no vermelho: com pior sistema, cintos de segurança do hatch limitam movimentos, impedem o uso do bebê-conforto no banco de trás e protegem mal a ocupantes obesos Imagem: Murilo Góes/UOL

Do UOL, em São Paulo

29/03/2012 18h51Atualizada em 29/03/2012 21h23

A Proteste (Associação de Defesa do Consumidor) divulgou nesta quinta-feira (29) o resultado de uma avaliação sobre a eficiência do cinto de segurança em hatches compactos à venda no Brasil. Foram escolhidos dez modelos das principais marcas nacionais -- alguns modelos foram analisados em mais de uma versão, chegando ao total de carros -- e, segundo a entidade, quem viaja no banco de trás está menos protegido do que quem vai à frente. Além disso, há uma menção negativa para o Ford Ka 1.0, apontado como o carro com pior sistema de retenção do cinto.

A lista de carros avaliados diz respeito ao principal filão do setor no país -- os hatches compactos correspondem a boa parte dos modelos mais vendidos mensalmente, segundo dados da Fenabrave -- e inclui: Volkswagen Gol (nas versões 1.0 Total Flex 4 portas, 1.0 Total Flex Rock in Rio 4 portas e 1.6 Total Flex Rallye 4 portas); Fiat Uno (1.0 Vivace Evo Flex 2 portas e 1.4 Evo Sporting 4 portas); Chevrolet Celta (1.0 Flexpower LS 2 portas e 4 portas); Ford Ka (1.0 Rocam e 1.6 Sport); Volkswagen Fox (1.0 Total Flex 2 portas e 1.6 Flex Prime I-Motion 4 portas); Ford Fiesta (1.0 Rocam e 1.6 Rocam); Chevrolet Corsa (1.4 Maxx 4 portas); Peugeot 207 (X-Line 4 portas e 1.6 16V XS Automatic 4 portas); Renault Clio (1.0 16V Hi Flex 2 portas e 4 portas); Citroën C3 (1.4 GLX e 1.6 GLX 16V Exclusive Automatique).

Há prós e contras na análise efetuada pela Proteste. O teste fornece informações extras ao consumidor, algo importante num país que não conta com programa oficial de segurança viária/automotiva; além disso, cria o hábito de se discutir segurança onde, até então, se dá mais importância a pacotes de estilo ou conforto (como rodas e rádio/CD player) do que a itens como ABS, airbag e congêneres.

O teste comprova, inclusive, algo que é conhecido na prática: quem paga mais, leva mais segurança (ainda que não peça). Versões mais caras, como aquelas especiais (por exemplo a da série Rock in Rio do gol), ou as mais bem equipadas (com câmbio automático, por exemplo) acabam tendo melhores sistemas de cinto de segurança, também.

Por outro lado, tanto o Proteste (que cada vez mais tem voltado sua atenção a diferentes itens de segurança automotiva) quando o Latin NCAP (que se consolida no país, após duas edições -- releia aqui o vexaminoso resultado da 2º Fase de testes com carros nacionais) são iniciativas privadas e de certa forma isoladas. Especialistas criticam os critérios utilizados nos testes de segurança, que muitas vezes se valem de padrões um tanto equivocados.

O teste em questão, por exemplo, elenca até três versões de um mesmo carro, enquanto esquece de outros modelos, que vendem tanto quanto e que poderiam enriquecer o resultado da avaliação. Uma das ausências é, por exemplo, a do Fiat Palio, eterno rival do VW Gol e terceiro colocado em vendas. A falta de critério para determinar quais carros pertencem à categoria analisada também acaba por alinhar modelos díspares em conteúdo e preço -- como Ford Ka e Citroën C3 --, ao mesmo tempo em que acaba impedindo a participação de outros -- é o caso do Renault Sandero, outra falta importante.

SEGURE-SE
A avaliação da Proteste comparou as diferenças entre cintos de segurança nos 20 carros elencados e concluiu que sistemas como o de limitação de carga (que previne lesões aos ocupantes decorrentes do uso do cinto em colisões severas) e de pré-tensionadores (que reduzem a folga do cinto durante o impacto) só estavam presentes nas peças dos bancos dianteiros, quando disponíveis.

O sistema de travamento, que regula automaticamente a tira do cinto ao corpo do usuário e bloqueia o cinto em situações adversas (com uma redução abrupta da velocidade), está presente em todos os modelos. 

Ford Ka 1.0, Ford Fiesta 1.0 e Fiat Uno Vivace 1.0 contam com cintos de segurança traseiros apenas com três pontos fixos, o que obriga o passageiro a regular manualmente o cinto e limita os movimentos. Os outros 17 veículos trazem retrator com regula automaticamente.

Com isso, o Ford Ka 1.0 foi avaliado como tendo o pior sistema de retenção. Por outro lado, Citroën C3 1.6 (versão Exclusive Automatique), Volkswagen Fox 1.6 (Prime com câmbio automatizado I-Motion) e Peugeot 207 1.6 (XS Automatic) apresentaram as melhores configurações do sistema de retenção veicular.

Além disso, estes três modelos (C3, Fox e 207) tiveram a menor variação na segurança de equipamento entre as versões básica e completa e foram ainda os carros mais bem colocados no teste dos cintos dianteiros. Fiat Uno e o Ford Fiesta tiveram a maior variação de configuração dos cintos entre a versão mais simples e a mais completa. 

PARA QUEM VAI ATRÁS
O Chevrolet Corsa (versão 1.4 Maxx) obteve o melhor índice de segurança para o banco traseiro, por ser o único modelo de todos os testados a oferecer cinto de segurança de três pontos para a posição central. Os outros modelos contam apenas com cinto de dois pontos (sub-abdominal). Além disso, o Corsa é o único a contar com central retrátil com três pontos de fixação.

Há um enorme porém: o Corsa está perto de ser aposentado pela GM do Brasil e já deixou até de figurar na lista de carros fabricados pela montadora no país, embora ainda siga à venda (enquanto durar o estoque, em estratégia similar ao ocorrido com os finados Vectra, Astra e Blazer).

E SE ENROSCAR?
O Proteste avaliou ainda a possibilidade do cinto de segurança ficar preso ou deixar de funcionar em condições ideais (por exemplo, com falha do sistema de retenção) pelo contato com componentes periféricos, como alavancas de freio de mão. Apenas o Renault Clio obteve avaliação ruim -- ao travar o cinto, o motorista pode se atrapalhar com o freio de mão.

Nenhum dos carros foram reprovados na avaliação de fixação da haste do fecho do cinto dianteiro. Em todos, a haste foi fixada na estrutura do banco, que é rígida e por isso oferece mais segurança em caso de impacto.

CADEIRINHAS DE BEBÊ
Na análise de compatibilidade do cinto de segurança traseiro com cadeiras apropriadas para transportar crianças, ficou comprovado que o Ford Ka não permite a instalação do bebê-conforto, por conta do comprimento reduzido da faixa que compõe o cinto traseiro.

Da mesma forma, Renault Clio, Chevrolet Celta e o Ford Ka 1.6 (Sport) têm cintos muito curtos e, por isso, insuficientes para dar segurança a motoristas obesos, colocando em risco a vida desses passageiros, segundo o Proteste.

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