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Novo Siena melhora conforto, mas para ter desempenho 'grand' prefira o 1.6

Eugênio Augusto Brito/UOL
Siena: agora 'Grand', sedã cresceu para dar conta dos sonhos emergentes da Classe C Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Santiago (Chile)*

26/03/2012 11h00

Após a apresentação comercial da nova geração do sedã compacto Fiat Siena, que cresceu e ganhou o nome de Grand Siena em suas principais versões (veja detalhes de preços e configurações aqui), na última sexta-feira, UOLCarros participou do teste-drive por ruas e (principalmente por) estradas nos arredores de Santiago, capital do Chile.

Como motorista e passageiro, percorremos cerca de 60 quilômetros a bordo das versões Attractive 1.4 (com o mesmo motor EVO de Uno e 500, de 88 cavalos com etanol, e preço inicial de R$ 38.710) e Essence 1.6 (equipado com o motor E-torq de 117 cavalos, também com álcool, partindo de R$ 43.470). A escolha não foi aleatória, uma vez que a Fiat acredita que 95% das vendas do novo e reforçado Siena serão representadas por estas configurações -- 70% para o Attractive, 25% para o Essence.

O restante dos emplacamentos deverá ficar a cargo da versão Tetrafuel, que além de etanol e gasolina brasileira, aceita gasolina pura e gás natural como combustíveis e deve ser a preferida de taxistas de frotistas.

A primeira anotação a ser feita diz respeito à acertada evolução do Siena. Não há uma ruptura de visual, mas sim um avanço em relação ao modelo anterior (que segue à venda como Siena EL, com motores 1.0 e 1.4), mantendo a percepção de que o carro pertence à família de compactos da Fiat, com citações estilísticas aos novos Uno e Palio (embora pouco se pareça com este último), ao Punto e até ao quase sempre esquecido Linea, que deve sofrer muito com a convivência com este novo modelo.

(UOL Carros acredita, inclusive, que o Grand Siena deve ser o responsável pela morte não tão prematura do sedã maior, anote aí.)

Este "parentesco" vem pricipalmente da construção do Grand Siena, arquitetado sobre uma plataforma derivada de diversas outras. Segundo funcionários da Fiat, o termo "plataforma" vai além da mera concepção de chassis e peças montadas sobre ele. Como UOL Carros já citou outras vezes, o termo pode ser entendido como uma receita de bolo, um passo-a-passo da execução. Assim, é fácil compreender como o Grand Siena é ao se observar que até o volante o carro tem ligações com novo Uno e novo Palio, embora seu balanço dianteiro tenha uma configuração própria; seu entre-eixos seja derivado do utilizado nos dois modelos já citados, mas com algum apliação; e, na traseira, o sedã herde características, sobretudo de suspensão, do Punto.

Com (ou apesar de) tamanha mescla, é curioso notar ainda como o novo Siena também guarda semelhanças com modelos de outras marcas, a ponto de colegas jornalistas lembrarem, durante o lançamento, do chinês JAC J3. Nós, no entanto, conseguimos enxergar semelhanças com o médio franco-oriental Renault Fluence (sobretudo pelo formato de lentes dos faróis e na obervação do porta-malas e de parte das lanternas de perfil); e também observamos um quê de "quero ser BMW" garantido pelo uso de guias de luz feitas por LEDs nas lanternas divididas em duas peças, estilo consagrado pelos alemães da Baviera.

Longe de ser um monstro do doutor Frankeinstein, porém, o resultado é bastante inteligente e eficiente. O Grand Siena se mantém como sedã compacto, mas confere mais espaço aos ocupantes, sobretudo para quem vai atrás e no porta-malas, trunfos que devem atrair mais compradores da Classe C emergente.

Se o motorista conhecer o antigo Siena e o Palio atual, verá que muito de seu "local de trabalho" é habitual ao encontrado naqueles carros. Volante e instrumentos são idênticos ao do Palio, como uma única mudança -- muito positiva, por sinal -- no sistema de difusão de ar no alto do console central. Uma olhada na lateral inferior do painel, à esquerda do volante, permitirá ao condutor enxergar os velhos comandos de menu e farol de neblina, existentes desde os primórdios da era Palio.

O câmbio, infelizmente, segue o mesmo raciocínio, mantendo-se lento e com engates que clamam por maior perfeição (na verdade, o motorista habituado a outros equipamentos é quem sofre e urra durante a condução, já que a constante utilização desta característica de alavanca e caixa de marchas nos faz crer que o consumidor da marca não se faz de rogado). No Siena 1.4, a tarefa de conduzir no trânsito urbano não fica prejudicada, mas rodar em rodovias torna-se maçante, uma vez que o sedã parece sempre lento demais, pesado demais. O longo curso da alavanca e a difícil troca de marchas ficam melhores no Siena equipado com o motor 1.6: a explicação vem do maior torque disponível, que acaba compensando o déficit do câmbio, mas também da melhor calibração desta peça na versão, tornando-a diferente da utilizada no Siena 1.4. O resultado nos faz vaticinar: a "grand" carroceria do novo Siena foi feita para ser puxada pelo bloco maior.

Como dito acima, o Grand Siena tem mais espaço, mas motoristas mais altos ou mais pesados dificilmente notarão (exceto pelo maior e bem-vindo vão livre sobre a cabeça), uma vez que o espaço lateral interno mudou pouco e um encontro de braços com o carona ainda acabará sendo inevitável. A viagem é boa mesmo para quem vai atrás, pelo ganho de bons centímetros não apenas sobre a cabeça, mas também para pernas, joelhos, cotovelos e ombros. No bagageiro, a capacidade foi elevada de 500 para excelentes 520 litros de carga, atrás apenas dos 560 l do "popozudo" Chevrolet Copbalt. Precisa dizer que esta característica vai fazer o carro bombar entre pais de grandes famílias e taxistas?

A Fiat alardeou, ainda, o bom trabalho de isolamento acústico do novo Siena, que conta até com revestimento interno do capô do motor, algo (infelizmente) raro de se ver no Brasil, mesmo em veículos de porte médio. Ainda assim, quem optar pelo motor 1.4 dificilmente notará o maior silêncio, uma vez que o regime deste propulsor, sempre operando em rotações perto ou acima dos 4 mil giros, é responsável por ruídos insistentes dentro da cabine. No 1.6, a vida melhorou muito e curtir um som ou colocar a conversa em dia durante a viagem será algo prazeroso.

A grande satisfação, porém, vem do comportamento dinâmico do novo Siena, muito mais acertado e estável que o da geração anterior. As mudanças feitas no sistema de suspensão e na rigidez torcional da carroceria deixaram o sedã equilibrado num ponto difícil de se acreditar ao se tocar no nome Siena -- percebe-se, realmente, o quanto este novo carro tem pouco em comum com o Palio. O adernamento do corpo do carro em manobras rápidas, mudanças bruscas de faixa e curvas mais acentuadas parece ter ficado no passado, a ponto de nos permitir dizer que seu refrigerante colocado nos diversos porta-copos não vai ser molhar sua perna nas curvas, fique descansado. A suavidade do conjunto em lombadas e "crateras", porém, não foi percebida, devido à excelente condição do asfalto chileno.

Da mesma forma, não pudemos avaliar o consumo do Grand Siena, uma vez que o teste foi todo feito com a gasolina de boa qualidade vendida no Chile, não com o etanol ou com a misturada gasolina brasileira. Ainda que este cálculo seja definitivo para o veredito final sobre qual das versões é mais adequada a diferentes perfis de uso, nossa primeira impressão diz que apesar dos avanços comuns, é o Siena 1.6 Essence quem vai oferecer aos seus ocupantes o conforto e o desempenho típicos da palavra "grand".

* Viagem a convite da Fiat do Brasil

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