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Sedã médio, JAC J5 tenta mostrar amadurecimento dos carros chineses

Murilo Góes/UOL
Com direito a item opcional e cor exclusiva, médio J5 quer ser premium da JAC Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Mata de São João (BA)*

20/03/2012 11h43Atualizada em 20/03/2012 12h29

Com o cuidado de desvincular-se cada vez mais do arquétipo brasileiro de uma marca estrangeira, a chinesa JAC Motors apresentou à imprensa na segunda-feira (19) o sedã médio J5, modelo intermediário entre a família de compactos J3 (hatch e sedã) e o monovolume J6, e que já está nas 65 lojas da marca em todo país há algum tempo.

O evento serviu para celebrar o primeiro ano de operação da marca no país (a JAC estreou em 18 de março de 2011), mas também para mostrar força num período conturbado do setor automotivo. Por conta das medidas de proteção implementadas pelo governo, importadoras (como a JAC ainda é) perderam um grande volume de vendas nos últimos 6 meses. Assim, Sérgio Habib, presidente e principal acionista da marca chinesa no país, fez questão de confirmar os planos de investimento e abertura da fábrica que está sendo construída em Camaçari (Bahia) e, de quebra, anunciar pelo menos quatro modelos a serem construídos no Brasil, a partir de 2014, além de apontar a chegada do compacto J2 (modelo diversas vezes flagrado pelos internautas de UOL Carros), que desembarca até novembro.

O sedã J5 também pode ser incluído neste estratégia de fortalecimento da marca. Depois de conquistar a camada inicial do mercado com o "completão" J3, que teve (pelo menos) o mérito de forçar fabricantes tradicionais a redefinirem o pacote de itens de série de seus carros, e de oferecer uma opção a famílias maiores com o J6, a JAC tenta agora oferecer uma opção ao comprador que quer ou precisa dar um passo além dentro de sua garagem, mas ainda não tem cacife para arcar com o valor de um carro médio no Brasil, geralmente acima dos R$ 60 mil. Assim, o J5 muda a estratégia, oferece até um item opcional (curiosamente, o marketing ainda o caracteriza como um "carro completo de série, sem opcionais") e traz os seguintes preços:

- JAC J5 1.5 16V VVT: R$ 53.800
O sedã traz os itens de série típicos dos carros da JAC, como direção hidráulica, rádio/CD player com entrada USB, freios a disco com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica de frenagem) da Bosch, airbag duplo frontal, faróis com máscara negra e lâmpadas halogenas, lanternas traseiras com iluminação por LED, revestimento de couro para o volante, ar condicionado digital e automático, acabamento interno com material soft touch (painel superior) e black piano, câmbio manual de cinco marchas, porta-malas com 460 litros e rodas de liga de 16 polegadas com pneus 205/55, entre outros.

JAC J5 1.5 16V VVT com rodas de 17 polegadas: R$ 55.190
Os R$ 1.390 extras pagam rodas muito parecidas com algumas encontradas na linha da Volkswagen, de 17 polegadas, calçadas com pneus 215/45.

Além  da variação de pacotes, o J5 ainda cobra a mais pela pintura metálica, incluindo nesta paleta um inédito branco Nevada, que segundo o presidente da marca é "mais branco que os brancos fornecidos por outras marcas no país". Tirando a hipérbole do discurso do executivo, a cor é bastante chamativa e pode ser vista na imagem que abre esta reportagem, bem como no álbum de fotos exclusivas.

PRETENSÃO PREMIUM
A JAC manteve sua estratégia quase perfeccionista (ao menos no discurso) de "nacionalização" de seus carros com o J5. Segundo a marca, foram percorridos 1 milhão de quilômetros dentro do Brasil, que resultaram em mais de uma centena de modificações de componentes mecânicos e itens de acabamento no sedã. Do ponto de vista mercadológico, testes tão intensos renderam a imagem de um representante local mais preocupado com a qualidade do produto que a matriz, algo extremamente curioso; também permitiram que o carro fosse flagrado diversas vezes apenas com a estrela de cinco pontas da JAC coberta por adesivos; na prática, porém, o lançamento oficial do carro foi atrasado em mais de um ano.

Mostrado ainda no Salão do Automóvel de São Paulo de 2010, o J5 deveria ter chegado em fevereiro de 2011. A espera permitiu uma definição do mercado, em termos de concorrentes, mas também tirou um pouco do charme que o J5 poderia ter frente ao cliente.

Com medidas de carro médio -- 4,59 metros de comprimento, 1,77 metro de largura e 2,71 m de espaço entre-eixos --, o J5 acaba comparado pela fábrica aos expoentes deste segmento no país: Toyota Corolla, Honda Civic, Chevrolet Cruze, Volkswagen Jetta, Peugeot 408 e Renault Fluence foram nominalmente citados e tiveram suas medidas analisadas em detalhes durante a apresentação do modelo chinês.

Na definição de rivais diretos, porém, a JAC adotou o discurso do preço para posicionar a mira de seu médio e levar alguma vantagem. "Embora tenha tamanho de carro médio e espaço entre-eixos superior ao de modelos como Corolla e Civic, o J5 tem preço de compactos premium". Assim, foram elencados como rivais diretos carros claramente menores, embora nem sempre menos equipados: Honda City, Fiat Linea, Ford New Fiesta e Nissan Sentra foram citados.

A estratégia da JAC é clara: embora bem equipado, o J5 não tem padrão de acabamento ou potência suficiente para brigar com os modelos da mesma classe. Também falta ao modelo chinês um equipamento fundamental para o segmento dos médios, o câmbio automático, que segundo a fábrica só deve estar disponível em dois anos, e não necessariamente para o sedã (a JAC desenvolve um câmbio CVT que equipará os novos compactos que a marca fabricará no país, a partir de 2014). Assim, a disputa pelo preço com modelo do segmento imediatamente abaixo parece mais interessante, mas duas ausências parecem ter sido propositais no rol de rivais: os preferidos do público Chevrolet Cobalt e Nissan Versa sequer foram citados.

COMO ANDA
UOL Carros percorreu exatos 150 quilômetros a bordo do J5, que permitem afirmar que o carro mantém a característica de dirigibilidade do restante dos modelos da JAC. O motor de 1,5 litro, que rende 125 cavalos de potência máxima a altos 6 mil giros, se comporta bem dentro do trânsito urbano, permitindo saídas, retomadas e ultrapassagens eficientes, mas vai parecer letárgico demais na estrada, sobretudo quando o carro estiver carregado.

Ao passar ligeiramente dos 100 km/h, o motorista tem a sensação de que o carro está bastante perto de exaurir seu fôlego e que qualquer tentativa de exigir mais ímpeto a partir deste ponto vai requerer boa dose de esforço.

Por outro lado, o fato do motor e do câmbio de cinco marchas manterem um funcionamento suave (o conta-giros indica, na maior parte do tempo, regime abaixo das 3 mil rotações), aliado aos extensivos procedimentos de acabamento, tornam o J5 extremamente silencioso. A JAC afirma ainda que o motor menor teria sido concebido também para consumir menos gasolina, mas a ausência de um computador de bordo dificulta aferir esta informação, sobretudo num teste curto.  

A eficiência dos freios é primorosa e passou, durante o trajeto em vias de Salvador e estrada entre a capital Baiana e o complexo litorâneo de São João da Mata, bastante segurança. A suspensão é mais firme do que a encontrada no J3 e no J6, e manteve a estabilidade da carroceria do sedã de pouco mais de 1.300 quilos, bem como o conforto dos ocupantes. Mas o uso das rodas de 17 polegadas, opcionais, nos parece equivocado por expor mais o conjunto às irregularidades de nosso asfalto. Também compromete a dirigibilidade a direção do J5, um pouco vacilante em velocidades maiores, bem como o próprio volante, grande e pesado demais para manobras dentro dos espaços apertados da cidade.

Internamente, há pecados como falhas de acabamento no revestimento -- a costura mal-finalizada do revestimento de couro do volante seria imperdoável num Corolla ou Civic, por exemplo, e também não pode ser vista com bons olhos num carro que pode passar dos R$ 55 mil, caso do J5. A mesma impressão toma corpo ao se observar o apoio de braço central ou o painel de instrumentos, que ficaria bem no J3 ou num hipotético J4, mas não no J5. Curiosamente, a boa qualidade do painel superior, revestido de material suave ao toque, e das faixas de plástico black piano ao longo do console passam uma impressão totalmente oposta, de esmero e requinte. São sinais de que a JAC está amadurecendo e que pode passar a incomodar mais gente -- e agradar a mais consumidores.  

* Viagem a convite da JAC Motors

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