Carros

JAC fala como 'nacional' e diz que Brasil fechou a porta para importadores

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Mata de São João (BA)*

19/03/2012 19h22

Exatamente um ano e um dia após a grandiosa entrada da marca chinesa no Brasil -- mas também seis meses depois da "paulada" dada pelo Planalto nos importadores de automóveis, com o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 30 pontos percentuais -- o empresário Sérgio Habib, presidente da JAC, fala como dono de marca nacional ao afirmar que o Brasil está fechado para importadores.

Segundo o executivo, o novo cenário automotivo nacional -- com sobretaxa para quem traz seus carros de fora do Mercosul e cotas para os automóveis fabricados no México -- somente "permitirá a sobrevivência (econômica) de quem fabricar, de verdade, seus carros dentro do país".

A declaração de Habib, bastante simbólica, foi dada horas antes da apresentação à imprensa especializada do sedã médio J5, importado pela chinesa JAC para o mercado brasileiro, e que já é vendido nas lojas ao preço inicial de R$ 53.800 e -- veja só -- com um opcional que pode elevar o valor a R$ 55.190 (UOL Carros participa do evento e trará em breve todas as informações e impressões ao dirigir sobre o veículo).

CHEGA DE CHINESAS
O recado de Habib é claro para quem sabe ler nas entrelinhas do estranho (e indefinido) regulamento do setor automotivo brasileiro. Quem não fabricar carro de "verdade" no Brasil, ou seja, quem planejou instalar unidades de montagem (seja no regime parcial, SKD, ou total, CKD), e não de fabricação local de componentes, corre o risco de perder dinheiro, por conta da nova tributação.

Indiretamente, é uma cutucada do empresário em marcas como a alemã BMW -- que aguarda um posicionamento do governo antes de anunciar se, onde e como erguerá uma unidade no país -- e em rivais diretas, como a chinesa Chery, que toca o plano de erguer uma unidade no interior do Estado de São Paulo.

Por outro lado, Habib fala como dono de uma marca nacional (descontado aí o caráter nacionalista, e indiscutivelmente polêmico, do termo) e vai além ao afirmar que as atuais condições fecham completamente as portas do mercado brasileiros para uma nova leva de empresas, que ainda não haviam se estabelecido no país. As principais interessadas, de fato, eram chinesas e, teoricamente (ao menos, pelo fator "preço"), possíveis concorrentes diretas da JAC: "Quem não investiu e entrou no mercado antes (do aumento do IPI), não terá mais chance de chegar. Marcas como BYD e Great Wall não conseguirão se estabelecer".

Apesar de também ter sido afetada pela mudança nas regras do IPI para importados, a JAC confia nos benefícios que pode receber por ter anunciado e, principal, iniciado o projeto de implantação de uma fábrica em território nacional. Com plano de investimento de R$ 900 milhões, a unidade da JAC na Bahia deve entregar cerca de 120 mil carros ao ano em 2014. Com isso, acredita Habib, a empresa se candidata a ter seu imposto de importação reduzido ainda neste primeiro semestre, em escala gradual, com a divulgação pelo governo das novas regras para o setor, algo que deve ocorrer até o mês de abril.

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