Carros

Brasil prega solução por cota, mas México ainda quer suspender acordo

O Volkswagen Jetta é um dos carros importados do México que só foi lançado em 2011

Do UOL, em São Paulo

15/03/2012 20h17

Enquanto representantes brasileiros e mexicanos discutem, na Cidade do México, pormenores sobre as novas regras do acordo de comércio automotivo entre os dois países (chamado de ACE 55) e o ministro Fernando Pimentel, da pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirma que o tratado será regido por cotas móveis de importação, uma coisa segue inalterada na ponte comercial entre os dois países: confusão e indefinição predominam, com cada parte tentando falar alto e defender seu mercado.

Enquanto Pimentel confirma, em irônica resposta ao jornal Valor Econômico, o uso do mecanismo de cotas móveis, seu colega mexicano, Bruno Ferrari, ministro da Economia do país, aponta outra decisão. Segundo a agência EFE, Ferrari afirma que o ideal é a suspensão temporária do acordo, regida por um protocolo -- com isso, o déficit brasileiro se reduziria até certo ponto, quando, então, o acordo seria retomado em sua antiga forma (que vigorava de fato até o início do imbróglio, em fevereiro).

O Brasil alega ter arcado com um déficit de US$ 1,170 bilhão (cerca de R$ 2,2 bilhões) em 2011 com importações de carros provenientes do México. Este país, por sua vez, indica que o Brasil exportou, de 2000 a 2011, ao mercado mexicano cerca de 1,5 milhão de veículos e importou 500 mil -- neste caso, o balanço seria favorável ao Brasil em US$ 13 bilhões (R$ 23,5 bilhões). Mudanças importantes de cenário, como a inversão da valorização das moedas (atualmente, o real está valorizado e o peso, enfraquecido, diferente do panorama da década anterior), ou o maior impacto na importação de carros do México a partir dos últimos 12 meses, não parecem ser consideradas por nenhum dos lados, porém. 

MOBILIDADE
Assim, o ministro Pimentel lista um limite para novas importações, seguindo um regime móvel, pelo qual o fluxo de carros de lá para cá não poderá passar de US$ 1,4 bilhão (R$ 2,5 bilhões), valor correspondente à média do volume registrado nos últimos três anos -- 2009, 2010 e 2011. A cota contempla somente veículos montados, ficando à parte do cálculo autopeças e partes automotivas.

ACORDO SEGUE AMEAÇADO
Como um lado só não faz acordo, ainda que esta seja a parte com maior volume comercial, o ministro mexicano afirma que sua proposta de suspensão temporária seria feita para “garantir a existência do ACE 55”. O ministro frisou que a medida seria paliativa e não faria parte definitivamente do acordo e que aguarda uma posição dos colegas brasileiros. Apesar de terem fechado 2011 com vantagem no acordo, os mexicanos alegam que, desde 2003, eles acumulam déficit de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 18 bilhões).

Assim, o fato real é que a decisão se arrasta sem uma definição clara dos novos rumos do acordo, não importa o quanto cada lado grite.

Vale ressaltar que, se a política das cotas móveis for adotada, o bom resultado mexicano em 2011 pode ter um valor ainda maior, considerando que ele entra na conta para a definição da média. No ano passado, o valor das importações de carros mexicanos foi de US$ 2,07 bilhões (R$ 3,73 bilhões). 

Se esse valor não é muito distinto, o problema para as marcas que têm fábricas no México é que o perfil dos carros provenientes de plantas mexicanas mudou. Se antes se tratavam de modelos maiores tanto no tamanho quanto no valor agregado, os carros de volume entraram com força nessa conta. O maior exemplo disso é a Nissan, que galgou posições nos rankings de venda com a dobradinha March/Versa.

Há também as marcas que relançaram modelos, como a própria Fiat defendida pelo ministro Pimentel -- ao relançar o 500, que antes era polonês e, atualmente, vem do México, a fabricante buscou torná-lo mais atrativos (leia-se mais barato) em decorrência do acordo comercial.

Paralelamente, as importadoras "reais" (chinesas, alemãs e coreanas incluídas) já amargam prejuízo monstro neste começo de 2012, por conta de outro pacote de restrições, que amplia o imposto para veículos importados em 30 pontos percentuais, e ameaçam cortar investimentos.   

Qualquer restrição, seja no caso dos carros vindos do acordo entre Brasil e México, seja relativo aos importados de outras partes do globo, significa uma ruptura no crescimento -- algo que, consequentemente, coloca em xeque a estratégia dessas empresas no Brasil.

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