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Novo BMW Série 1 salta à frente dos rivais e parte de R$ 113.370

Murilo Góes/UOL
Angulosa, nova geração do BMW redefine estilo dos hatches do segmento premium Imagem: Murilo Góes/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Sebastião (SP)

14/03/2012 00h02

A BMW do Brasil apresentou na segunda-feira (12), à imprensa especializada,  a segunda geração do hatchback premium Série 1, que começa a ser distribuído às lojas da marca no país a partir de quarta-feira e deve chegar às garagens mais endinheiradas até abril. Lançado mundialmente em setembro de 2011, durante o Salão de Frankfurt, o novo Série 1 desembarca, por ora, em uma única versão, a 118i, com um bom salto de qualidade e preço inicial de R$ 113.370.

Modelo mais emblemático da BMW, o Série 1 que agora recebemos aqui foi criticado pelos jornalistas europeus durante seu lançamento, por conta do estilo mais "genérico", mas deu a volta por cima: adiantou a nova briga do segmento, demarcou território, inspira os novos rivais e tem força (e equipamento) para agradar a múltiplas personalidades de público: puristas, quem gosta de carros fortes, quem busca tecnologia, quem prefere modelos "ecológicos" ou até a quem quer só conforto e carinho.

Se você gosta de fotografia, pode até pensar que as imagens do carro foram feitas com uma lente do tipo grande angular: a frente parece espichada, os faróis estão mais afastados um do outro, a grade em forma de duplo rim parece ter crescido e o capô, ressaltado. Atrás, porém, a lente parece ser outra, e o carro se volta para um único ponto ao centro -- formas retilíneas tomam conta da imagem e definem três linhas: a da vigia estreita; a da tampa do porta-malas e lanternas, com o escudo da BMW atraindo os olhares; e a do para-choque, bem torneado.

Nada disso é efeito especial, são todas alterações pensadas pelo designer oficial da marca, o holandês Adrian van Hooydonk, e que fazem o Série 1 emular o visual dos irmãos maiores Série 3 e Série 5. Ele também ficou parecido com o X1, o menor crossover da marca. É a tal da identidade visual, que faz com que você reconheça que um carro é de determinado fabricante, mesmo que não saiba qual o nome do modelo.

Acontece que a fonte das críticas acabou por tornar-se o grande mérito do novo Série 1, que ficou mais robusto, mal-encarado e, de quebra, mais refinado que sua primeira geração. A ponto de servir de "escola" para os rivais: a Mercedes-Benz acaba de mostrar, no Salão de Genebra, seu novo Classe A (que deixou de ser um monovolume para tornar-se um hatch com perfil esportivo) com uma traseira muito semelhante a esta do BMW e frente tão longa quanto. Serão arqui-inimigos, com certeza. Ao mesmo tempo, a Audi revelou a nova geração de seu A3, também esticado e com cara de vilão.

Ocorre que os carros da Mercedes e da Audi devem chegar mais tarde ao mercado. Até lá, o hatch da BMW terá tido tempo para consolidar suas vendas, com a vantagem de ter aparecido antes e definido o terreno da luta.

ANTES E DEPOIS

  • Murilo Góes/UOL

    Compare como era e como ficou o 118i: acima, a nova geração; abaixo, a antiga.

    Faróis foram afilados na extremidade interna e agora se estendem, podendo ser vistos mesmo da lateral do carro; grade frontal ficou encorpada e montada sobre o "X" que delimita o focinho do carro; o para-choque está mais horizontalizado, ampliando a largura do carro, enquanto o capô ficou mais recortado e elevado, por conta das regras europeias de proteção aos pedestres.

    Na lateral, a linha de ombro caminha da caixa de roda à lanterna traseira e incorpora as maçanetas; nas portas, superfícies côncavas e convexas deixam o carro mais musculoso.

A GUERRA DO IPI
No Brasil, a grande batalha do BMW Série 1 será travada contra a vontade do governo e tem tudo para ser bastante complicada. Enquanto a primeira geração do modelo chegou a ser vendida abaixo do "patamar psicológico" dos R$ 100 mil, alcançando valores na casa dos R$ 98 mil, e no último mês de 2011 custava R$ 105 mil, esta segunda geração só desembarca nos portos brasileiros por valores perto dos R$ 140 mil.

FÁBRICA AMEAÇADA

O recado foi dado em duas frentes -- no Brasil, pelos representantes da marca; na Alemanha, pela chefia. Mas ele é bem claro: as restrições impostas pelo governo podem fazer com que o projeto da fábrica da marca no Brasil seja abortado.

A BMW do Brasil planejava fazer o anúncio inicial em novembro do ano passado, mas foi pega de surpresa em setembro pela decisão do Planalto de aumentar o IPI.

O efeito sobre as vendas do Série 1, importado da Alemanha, foi catastrófico: o modelo mais emplacado pela marca já chegou a entregar 2 mil unidades, em 2009, e fechou 2011 com 1.684 unidades (cerca de 140 carros por mês). Ao todo, a BMW entregou 12.400 veículos no último ano (média de 1.033 mensais). O ano de 2012, porém, começou com apenas 70 carros entregues aos concessionários em janeiro. Em fevereiro, foram pouco mais de 100. Em março, serão apenas 500 e a marca cogita que apenas em maio, com o novo Série 1 a todo vapor, a recuperação ocorra.

Além do super-IPI, há a demora do governo Dilma em definir os rumos do regime automotivo nacional e, principalmente, as regras para quem já demonstrou interesse em montar fábrica no país. É o caso não só da BMW, mas também da chinesa JAC. Os alemães são incisivos: têm planos de implantação e expansão para 25 anos, mas se o acerto não sair em breve, vão cancelar qualquer planejamento de fábrica aqui, seja ela em São Paulo, Santa Catarina ou Rio. (Da Redação)

A elevação do piso de acesso à elite da marca se dá por dois motivos, aponta a representação da BMW brasileira. Um é o próprio ganho de equipamentos do carro, que está mais potente e equipado que o anterior. O outro, porém, deixa os alemães nervosos: as medidas restritivas do governo, que elevaram o IPI para importados em 30 pontos percentuais, miravam os chineses, mas atingiram o coração dos alemães e estão estragando negócios (veja quadro ao lado).

Sem uma solução a curto prazo, a BMW faz o que pode e mostra seu novo carro de uma outra forma. Mundialmente, o Série 1 2012 abandonou a lista de itens opcionais avulsos, apostando em pacotes, ou Lines (linha, em inglês). No Brasil, a filosofia será mantida, mas com adaptações, uma vez que o comprador local ainda é muito conservador e não aceita determinadas cores ou formas de produto. Com isso, a primeira leva de Série 1 chega na versão 118i, com três configurações e os seguintes preços:

- BMW 118 i: R$ 113.370
A entrada para o mundo da marca traz novo motor quatro-cilindros de 1,6 litro, com turbo Twin Scroll, com 172 cavalos de potência; sistema Start/Stop (que desliga o motor em paradas, economizando combustível, e o religa automaticamente com uma pisada no acelerador) e seleção do modo de direção com função Eco Pro (com ênfase na economia de combustível e redução de emissões); câmbio automático de oito marchas; sistema multimídia com tela de LCD de sete polegadas, computador de bordo atualizado e integrado, conexão Bluetooth e USB para iPod/iPhone; revestimento interior de tecido; rodas aro 16; direção elétrica; volante esportivo; airbags duplos frontais, duplos frontais laterais e de cabeça para todos os ocupantes, além da tradicional sopa de letras que representa o conjunto de segurança ativa que vai dos freios regenerativos com ABS (antiblocante) aos controles de tração, estabilidade e de contorno de curvas, entre outros itens.

- BMW 118i Urban Line: R$ 119.220
Incorpora todo o pacote inicial e acrescenta itens de estilo como grande com acabamento metálico e 11 frisos; barra prateada na base dos para-choques; tomadas de ar modificadas; rodas aro 17 com desenho diferenciado; soleiras, ponteira do escapamento e detalhes cromados; bancos esportivos com faixa de couro colorido; iluminação interior azulada, entre outros itens.

- BMW 118i Sport Line: R$ 122.900
As modificações incluem grade com oito frisos, ponteiras de escape e barras transversais do para-choque com acabamento preto; rodas aro 18; soleiras e detalhes internos em vermelho; iluminação interna branca; função Sport Plus agregada ao controle do modo de condução.

Por ora, estas são as opções para o novo Série 1, mas a BMW já anunciou a futura vinda de uma configuração mais completa, o 118i Full, que terá faróis de xênon e teto solar, entre outros itens, de série, com preço ao redor de R$ 144 mil.

A ficha técnica do carro (que pode ser vista aqui) aponta também uma outra versão, a 116i, mais simples, com motor 1.6 de 138 cavalos, que pode chegar no futuro. Mais à frente ainda, no decorrer dos próximos anos, a nova família 1 da marca bávara vai receber a atualização das carrocerias sedã, cupê e cupê esportivo.

COMO É, COMO ANDA
O novo Série 1 (chamado internamente pela fábrica de F20) é mais intimidador que o anterior (o E87), seja visualmente, seja pelo comportamento sobre o asfalto. Ainda assim, tem tudo para agradar a um público mais amplo, graças sobretudo ao arsenal tecnológico que carrega.

Os arrojados, que achavam o carro anterior insosso, simples demais, vai gostar de ver o novo perfil do hatch, mais intrigante e que pode ser imediatamente associado ao dos sedãs Série 3 e Série 5, mais caros. Faz bem ao ego de quem compra um carro mais barato, ainda que esse patamar inferior fique acima dos R$ 100 mil, vê-lo associado a um modelo mais caro.

UOL Carros acreditou, ao avaliar o Série 1 antigo (releia aqui), que o motor 2 litros de 136 cavalos com câmbio de seis marchas era insuficiente para mover os 1.300 quilos do carro em momentos de maior ímpeto, mas se deliciou com a sobra do novo propulsor. Embora menor, de 1,6 litro, ganha força e potência graças ao turbo Twin Scroll, num excelente exemplo de downsizing. Apelidado de "rabo quente", este equipamento tem uma única turbina de geometria variável com saída dupla, que melhora o fluxo de ar enviado ao motor e aumenta a disposição do bloco em baixas rotações. Na prática, quem odeia carro turbo por conta dos "vazios" entre troca de marchas e pelas "patadas" subsequentes vai gostar do comportamento linear do novo Série 1. E quem acha que carro turbo é barulhento e beberrão será surpreendido pelo baixo nível de ruído e de consumo.

O novo 118i agrada também aos "verdes" neste ponto: segundo a BMW, o carro é até 10% mais econômico e menos poluidor que seu antecessor, graças ao novo motor, mas também ao seu gerenciamento. A função fica a cargo do câmbio automático de oito marchas, que traz sistema Steptronic (acionamento eletrônico, como nos modelos mais caros da marca) e reduz muito o ritmo do motor. A receita é simples de imaginar: quem trabalha mais, cansa mais e precisa de mais alimento. Um câmbio automático de quatro ou cinco marchas consome mais por manter o motor funcionando sempre em giros mais altos (acima das 4 mil rotações por minuto) ao precisar de mais força; na caixa de seis marchas, a relação adicional permite reduzir esta faixa de trabalho máximo para 3.500/3.600 rpm; com o novo câmbio, UOL Carros constatou um regime em torno de 2.500 giros, com a sétima marcha selecionada, a velocidades perto dos 100 km/h, caindo para incríveis 1.500 rpm com o uso da oitava marcha. Neste caso, menor esforço do motor deixa mais combustível no tanque.

Para os puristas, a mistura tração traseira com seleção de modos de direção (Normal; Comfort, com acertos médios; Sport, para arranjo mais seco e direto de direção e carroceria e motor trabalhando em giros elevados; e Super Sport, apenas na configuração Sport Line, levando tudo isso ao extremo) deve dar conta do recado. 

  • Murilo Góes/UOL

    Lanternas pentagonais se encaixam totalmente na traseira geométrica do novo BMW Série 1,
    inspiram novo Mercedes Classe A, mas deixam VW Gol G5 e Hyundai i30 "sem pai, nem mãe"

A eletrônica permite, ainda, regenerar energia através dos freios (como um mini-Kers da Fórmula 1) e dosar o gasto geral de combustível, através dos programas Eco Pro e Efficient Dynamics. Com ambos em atividade, o carro rearranja o fluxo de atividades que consomem energia e gasolina, como o ar condicionado (ou o ar quente, em dias frios) ou o uso excessivo do acelerador e do freio. Neste último caso, o motorista recebe dicas de direção para guiar com uma tocada mais ecologicamente correta. Durante os 60 quilômetros de teste, entre vias e estradas no litoral paulista, chegamos a poupar combustível suficiente para percorrer mais 4,6 quilômetros, ou seja, quase 7% de economia neste pequeno percurso.

Outra faceta da tecnologia embarcada permite parear o celular com Bluetooth e 3G ao Série 1 e receber, na tela de LCD, sem desviar a atenção do trânsito, informações sobre o clima ou até feeds de notícia que o usuário assine. Músicas, porém, não são transmitidas sem fio e vão depender das entradas USB (para iPod/iPhone) ou AUX-In para outros aparelhos telefônicos e de MP3.  

Por fim, mesmo sendo musculoso, o BMW 118 se mostrou cavalheiro ao facilitar a vida de quem precisa abrir o capô do motor, com uma inovação pensada para agradar às mulheres, segundo os engenheiros da marca. Em qualquer carro, é preciso puxar uma alavanca interna e depois tatear alguma área perto da grade frontal em busca da trava do capô, correndo o risco de queimar ou espetar o dedo. O novo Série 1 elimina esta trava externa, deixando apenas a alavanca interna: com uma puxada, o capô se abre, mas segue travado; com duas puxadas, a trava se solta e permite que se erga a tampa.

Os bons modos do hatch vão além e trocam carícias com o ocupante mesmo em momentos difíceis -- as bolsas infláveis do sistema de airbags foram redesenhadas para que, em caso de acidente e acionamento, machuquem menos o rosto dos ocupantes do carro. É a arte da fineza: mesmo apanhando sem dó do governo, o BMW Série 1 trata motorista e ocupantes com carinho.

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