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Mercedes-Benz SL 500 é um modo refinado de passear ao ar livre

Divulgação
Sexta geração do carro mantém as principais características que o tornaram um clássico Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Do UOL, em Málaga (Espanha)

14/03/2012 19h57

Conversíveis são charmosos por natureza e costumam ser associados à liberdade sobre rodas. No caso do Mercedes-Benz SL 500, a equação ganha outra fator: tradição. O atual modelo, lançado no começo deste ano no Salão de Detroit, descende de uma linhagem que teve seu início nos anos 1950, com o lançamento do mítico 300 SL, apelidado de Gullwing (asa de gaivota, em inglês) devido à forma de abertura de suas portas -- configuração emulada atualmente pelo superesportivo SLS AMG.

A atual geração é a sexta na cronologia da Classe SL e traz ao modelo o visual atual dos Mercedes. Por "visual atual", entenda: frente com grade cunhada em um ângulo quase reto e que forma uma espécie de nariz, carroceria com vincos que conferem um aspecto robusto ao carro, entradas de ar no formato de guelras na porção que antecede a dobradiça das portas e lanternas triangulares que delimitam a tampa do porta-malas. De maneira geral, é uma leitura da linguagem de desenho estreada pelo SLS AMG e bastante próxima da que é vista no conversível compacto SLK.

São duas versões do carro: SL 350 e SL 500. A principal diferença entre elas está no motor: no caso do SL 350, é um V6 de 306 cavalos; já o SL 500 é movido por um V8 biturbo capaz de gerar 435 cv. Em ambos os casos, é potência de sobra, que os permitem acelerar de 0 a 100 km/h em 5,9 e 4,6 segundos, respectivamente. Números esses que, se tratando de carros de pouco mais de 1,5 tonelada, são bastante respeitáveis.

No Brasil o carro chega no segundo semestre de 2012. Ainda não há preço definido nem data precisa para o lançamento.

NOVA ESTRUTURA
Em relação à quinta geração do carro, que existiu entre 2003 e 2011, é possível dizer que o SL 2013 mudou muito além da aparência. O carro foi todo reconstruído utilizando alumínio em sua estrutura -- é o primeiro Mercedes-Benz a utilizar essa fórmula. O resultado foi a combinação do aumento de rigidez estrutural com a perda de cerca de 110 quilos, o que promoveu ganhos diretos em dirigibilidade e consumo. De acordo com a marca, as versões do novo SL ficaram, em média, 22% mais econômicas.

Outro aspecto interessante da estrutura é que ela foi produzida tendo em mente o sistema de som. Utilizando a chamada Tecnologia Frontbass, esse sistema usa a estrutura do carro como uma câmara de ressonância. A intenção é aumentar a fidelidade sonora mesmo com o teto do carro aberto. O resultado não poderia ser melhor: não é necessário aumentar o volume para ouvir o som com total qualidade nessa condição, o que também significa menor incômodo para quem está fora do carro.

CONFORTO TOTAL
Como um legítimo roadster, o SL 2013 comporta dois passageiros. Se o número pode desagradar quem planejava levar mais pessoas para um passeio, um alento: o tratamento dispensado aos felizardos que ocupam os assentos do carro é digno da primeira classe de companhias aéreas. Os bancos "abraçam" o corpo, garantindo duplamente conforto e apoio para os momentos mais esportivos. Os ajustes, elétricos, ajudam a encontrar a posição perfeita dentro do carro.

O grande mérito do interior do SL 2013 é reunir conforto e luxo -- com a utilização de materiais nobres como couro e metal -- sem que isso se transforme em qualquer ostentação desnecessária ou afetação. Esse ar requintado, no caso, provém de um mistro de modernidade e praticidade: pensou em utilizar um comando? Tenha certeza de que ele estará à mão. Há, contudo, um (único) defeito: a famosa haste de controle do piloto automático, a qual a Mercedes insiste em colocar em uma posição próxima à da haste que controla o indicador de direção.

HISTÓRIA VIVA

  • Rodrigo Lara/UOL

    Além de testar o novo SL, durante o evento de lançamento do carro a Mercedes-Benz, por meio do seu departamento Classic Center, permitiu que os jornalistas convidados experimentassem os SL clássicos

  • Rodrigo Lara/UOL

    Entre as raridades, totalmente conservadas, estavam o mítico 300 SL Gullwing, que inspirou o superesportivo SLS AMG...

  • Rodrigo Lara/UOL

    ... e o 280 SL. O modelo, apelidado de "Pagoda" devido ao formato do seu teto que lembra templos orientais, até hoje impressiona com um bom desempenho e uma dirigibilidade exemplar. A parte curiosa -- e que mostra como a indústria automotiva evoluiu -- é que nenhum desses dois carros contava sequer com cinto de segurança na época. Mesmo assim, até hoje eles divertem bastante e impressionam tanto quem está em seu interior quanto quem está fora.

A tranquilidade a bordo não é quebrada nem mesmo com a capota recolhida. Um defletor se ergue atrás dos bancos, tanto para garantir que penteados fiquem no lugar, quanto para isolar acusticamente o interior do ambiente que o cerca. Quanto a capota está estendida, entre em cena o teto de vidro eletrocrômico. Com um toque de um botão, é possível tornar o vidro translúcido ou opaco, evitando que os ocupantes tenham que usar bronzeador o tempo todo. E o luxo não se resume ao interior: a abertura do porta-malas pode ser feita passando o pé por baixo do para-choque traseiro. Mas a manobra requer um pouco de prática: entre passadas de pé rápidas e chutes que lembraram a famosa cobrança de pênalti do jogador italiano Roberto Baggio na final da Copa do Mundo de 1994 contra o Brasil, foram poucas as vezes que conseguimos ativar o mecanismo.

COMO ELE ANDA
UOL Carros avaliou o SL 2013 em um trajeto de cerca de 200 quilômetros entre as cidades de Málaga e Marbella, no sudeste da Espanha. O percurso, mesclando áreas urbanas, autoestradas e com um bom trecho sinuoso, se mostrou perfeito para avaliar as capacidades dinâmicas do carro. E elas não são poucas.

Sentado na posição do condutor, o primeiro ponto que chama a atenção é a longa frente do SL. Pudera: os bancos do carro se localizam quase em cima do eixo traseiro, posição bastante clássica nesse tipo de carro e que também ajuda a sentir melhor quaisquer saídas de traseira. Não que elas tenham ocorrido durante o test drive: o arsenal tecnológico do carro, que contempla controle de tração e estabilidade, freios ABS (antitravamento) adaptativos e suspensão com rigidez regulável corrige abusos do motorista. E, em caso de risco, há também o sistema Pre-Safe, que utiliza o freio de maneira autônoma caso haja a detecção de uma aproximação rápida demais em relação ao veículo da frente.

A unidade testada, a topo de linha SL 500, possui um motor V8 biturbo de 435 cv de potência aos 5.250 rpm e torque de 71,37 kgfm, disponível entre 1.800 e 3.500 rpm. São números dignos de carros preparados pela AMG, a divisão esportiva da Mercedes, e que fazem o SL acelerar com vigor. O câmbio 7G-Tronic, automático de sete marchas, gerencia a fúria do propulsor. Por falar em fúria, se ela for liberada com a capota aberta os ocupantes do carro serão brindados com um som encorpado proveniente dos canos de escape, o que melhora ainda mais a aura esportiva do modelo.

Se o SL 500 manda bem em linha reta, ele é tão ou mais eficiente na hora de encarar curvas. Tendo em mente que se trata de um carro longo (4,61 metros de comprimento) e largo (1,87 metros de largura), o condutor poderá se aproveitar de toda a agilidade que a redução de peso e o aumento da rigidez estrutural proporcionaram ao novo SL. Mesmo com a suspensão em seu modo normal, é possível contar curva usando a fórmula básica "frear na entrada, apontar para a curva e contornar acelerando" sem a menor preocupação. O carro é previsível, responde bem e, o mais importante, não dá sustos no condutor.

Concluída a avaliação, fica claro que o SL 2013 honra a tradição de quase seis décadas do seu nome. Belo e esportivo sem perder a elegância e com altas doses de conforto, esse belo exemplar de automóvel oferece a maneira mais classuda de se passear a céu aberto dentro da linha Mercedes-Benz.

Viagem a convite da Mercedes-Benz

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