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Peugeot 208 substitui 207 com dose extra de beleza e algumas ressalvas

Divulgação
Peugeot 208 surge no estande da marca em Genebra, nesta terça (6): quanta diferença! Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Do UOL, em Genebra (Suíça)

06/03/2012 15h31

A estreia mais aguardada do Salão de Genebra 2012, ao menos para os brasileiros, tem passaporte francês e atende pelo nome de Peugeot 208. O carro é o sucessor do principal modelo da marca, o 207, que agora fica duas gerações atrasado no Brasil (o nosso é uma reestilização do 206). O novo compacto tem a missão de ser um carro de volume no mercado brasileiro e, mundialmente, precisa ajudar a Peugeot a superar sua crise interna.

Essa responsabilidade marcou a apresentação da Peugeot aqui no Salão de Genebra, nesta terça-feira (6). O 208 é aguardado nas lojas europeias no primeiro semestre de 2012. A fabricante não confirmou a data de lançamento no Brasil, mas é certo que ele será produzido no país a partir em 2013.

É assim mesmo?

  • Rodrigo Lara/UOL

    O Peugeot 208 é muito bonito por fora e por dentro, mas o espaço é uma questão a ser resolvida. Apesar do entre-eixos de 2,54 metros, pessoas de estatura normal vão apertadas no banco traseiro...

  • Rodrigo Lara/UOL

    ...e, à frente, um motorista de 1,70 metro, após ajustar banco e volante para a melhor posição de dirigir, enxergará o painel de instrumentos como na foto acima. Ainda dá para a Peugeot mexer nisso?

No mercado europeu, o 208 (onde "2" é o tamanho do modelo, compacto, e "8" é a geração, contemporânea ao 308 e 408) terá uma variedade de configurações que não se repetirá no Brasil. O carro começa em 11.950 euros na versão 1.0 a gasolina e com opções de carroceria de duas e quatro portas. Os motores a gasolina serão o citado 1.0 de 68 cavalos, o 1.2 de 82 cv, o 1.4 de 95 cv, o 1.6 de 120 cv e o 1.6 turbinado (THP) de 156 cv. Os quatro primeiros contam com câmbio manual de cinco marchas; o último, com pegada esportiva, é gerenciado pela caixa manual de seis marchas.

As versões a diesel, fortes na Europa e vetadas no mercado brasileiro, contam com dois motores principais: 1.4 de 68 cv e 1.6 com calibragens para 68 cv, 92 cv e 115 cv. As versões de 92 cv podem ser equipadas com câmbio manual de cinco ou seis marchas e a de 115 cv usa a transmissão de seis velocidades. A partir da versão de 92 cv, todos os 208 contam com o sistema Start/stop, que desliga o carro em paradas mais longas.

A Peugeot mostra em Genebra duas variantes do 208 em forma de protótipo: a GTi e a XY. A segunda tem a função de ser uma vitrine de tecnologias da marca, com grande apelo visual e tecnológico, enquanto a primeira é mais realista e deve entrar em produção, trazendo apelo esportivo e com alterações contundentes, como as rodas de 18 polegadas e um motor 1.6 turbo de 200 cv -- que deve ser mais do que suficiente para garantir a emoção dentro do compacto.

ATARRACADO
Voltando ao 208 convencional, a primeira característica que chama a atenção no carro é que ele encolheu. Não é mera impressão: a Peugeot, intencionalmente, pretendia deixar o sucessor do 207 menor por fora e maior por dentro. Isso rendeu ao carro um aspecto atarracado, com vincos musculosos, especialmente no capô. Se a ideia era transmitir a sensação de agressividade, ponto para a marca.

Como o 208 é mais magro (a versão 1.0 de 68 cv é 173 kg mais leve que o 207) e menor (o balanço dianteiro perdeu 6 cm, e o traseiro, 1 cm; a altura diminuiu em 1 cm e largura, em 2 cm, mas o entre-eixos ficou em 2,54 metros), dá para supor -- já que ainda não há unidades para test-drive -- que houve ganho na dirigibilidade e, principalmente, no consumo.

Por ora, vale notar que as linhas são equilibradas, fazendo do 208 um carro bonito. Os faróis dianteiros e as lanternas têm recortes, num estilo que evolui o tradicional aspecto felino dos Peugeot. A grade dianteira, em seu tamanho GG, conversa diretamente com as linhas do conjunto óptico frontal, deixando a porção inferior do parachoques dianteiro com uma pequena abertura em forma de filete.

Na lateral, um vinco se eleva a partir da extremidade dianteira da porta, num desenho que lembra um tecido moldado pelo vento. Na traseira as lanternas, recortadas pela tampa do porta-malas, adotam um formato criativo -- provavelmente são as mais belas vistas num hatch do segmento do 208.

Adeus, mas nem tanto

  • Divulgação

    O Peugeot 207 deve continuar nas lojas do Brasil mesmo após a chegada do 208, em 2013. Com visual ainda tolerável, deve resumir-se a uma versão mecânica 1.4 para ser o carro de entrada da Peugeot no país. Até quando, não se sabe.

INTERIOR DE QUALIDADE
Se no exterior o 208 é um salto enorme em relação ao 207, o interior segue o mesmo rumo. O acabamento da cabine é digno de nota, com materiais amigáveis à visão e ao tato. Na versão européia do carro, destaca-se uma tela de bom tamanho no centro do painel (de série a partir da segunda versão mais barata do modelo), que agrega funções do sistema de som e do navegador GPS e é sensível ao toque. E, finalmente, a Peugeot posicionou os comandos dos vidros e travas elétricos no único lugar concebível para eles: as portas.

No posto de comando, a posição ao volante agrada. Todos os controles são de fácil acesso e a disposição do quadro de instrumentos é igualmente inovadora (e controversa), recuada em relação à coluna de direção, que possui ajuste de altura e profundidade e fica destacada em relação ao restante do painel.

Algumas das virtudes do 208 também geram incômodos. Partindo de fora para dentro: o desenho da tampa do porta-malas (com a borda do para-choque traseiro alta) dificulta a acomodação de bagagens. Na cabine, se você tem 1,70 metro ou mais, prepare-se para uma sessão de contorcionismo: o espaço é reduzido para as pernas e a cabeça, que raspa no teto.

No posto do motorista, novamente a forma parece ter prejudicado a função no 208. A Peugeot criou um painel que, apesar de belo, se torna praticamente ilegível dependendo da altura do condutor (leia mais em box nesta página). Este repórter, que mede 1,70 m, afirma categoricamente que é impossível ler boa parte do mostrador em sua posição ideal de dirigir. O aro do volante (bastante pequeno em relação ao usual, lembrando uma peça de competição) encobre boa parte do painel. Mesmo variando os ajustes, nenhuma posição garantiu uma leitura satisfatória do quadro.

A distância em relação ao 207, tanto no tempo quanto no estilo, deve fazer com que o 208 agrade. Algumas falhas funcionais podem irritar seus futuros donos, como a falta de espaço atrás e a má visualização dos instrumentos. Fora isso, é um belo carro, que pode ajudar a Peugeot a ter um futuro mais interessante do que os dias que vive hoje.

Viagem a convite da Mercedes-Benz

 

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