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Bush diz que liberou bilhões a montadoras para evitar recessão nos EUA

Claudio Luis de Souza/UOL
Ex-presidente Bush fala a membros da National Automobile Dealers Association em Las Vegas Imagem: Claudio Luis de Souza/UOL

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em Las Vegas (EUA)

07/02/2012 01h02

"Consultei Bernanke e Paulson. Eles me disseram que haveria recessão. Então decidi autorizar".

Assim George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos, relembra a decisão de liberar bilhões de dólares em empréstimos à indústria automotiva do país em 2008, para evitar uma quebradeira de consequências econômicas e sociais sem precedentes. Ben Bernanke era o presidente do Federal Reserve, espécie de Banco Central dos EUA, e Henry Paulson o secretário do Tesouro.

A cena foi narrada pelo próprio Bush nesta segunda-feira (6), no evento de encerramento do congresso anual da National Automobile Dealers Association, realizado em Las Vegas. O ex-presidente foi o convidado de honra para falar a milhares de concessionários, de diversas marcas e de todo o país.

Apoiar sua bilionária decisão na opinião de dois "ratos das finanças" como Bernanke e Paulson é coerente com o que o próprio Bush disse aqui em Vegas -- numa frase obviamente ensaiada -- ser um predicado fundamental num presidente: "Você tem de contar com pessoas que você sabe que sabem o que você não sabe".

Essa foi apenas uma das referências que Bush fez à fama de ignorante e boçal que o acompanhou ao longo dos oito anos de Casa Branca -- ele claramente gosta de fazer piadas com o tema.

A participação do ex-presidente no congresso de 2012 da Nada (que tem como equivalente e parceira no Brasil a Fenabrave) traduz o conservadorismo político da classe dos "car dealers" nos EUA. A maioria é de homens, vem de cidades pequenas e está no negócio de revendas seguindo tradição familiar.

Na abertura do congresso, enquanto uma cantora juvenil interpretava ao vivo a ufanista God Bless America e o Star-Spangled Banner, hino nacional dos EUA, um telão mostrava, entre outras, imagens de militares. Um religioso foi chamado ao palco para pedir proteção divina aos concessionários. Quase não havia negros entre as cerca de 22 mil pessoas que passaram pelo pavilhão de exposições de Vegas. Bush foi aplaudido de pé e ainda ganhou alguns "u-hus" dos mais entusiasmados.

TEMPOS DIFÍCEIS
Em setembro de 2008 o governo de Bush já caía pelas tabelas, com o democrata Obama favorito nas eleições de novembro e o presidente republicano antecipando seus dias de lame duck, ou "pato manco", como são chamados nos EUA os mandatários que ainda estão no poder por direito, mas não de fato.

O país e o mundo assistiam, chocados, à quebra de poderosos bancos e financeiras, enquanto a bolha do mercado imobiliário explodia devido aos chamados "créditos podres". E logo quem ficou à beira do abismo foram as fabricantes de veículos.

General Motors, Ford e Chrysler, as três grandes de Detroit, exibiam os sinais de "décadas de arrogância", na descrição do hoje presidente mundial da Fiat (e também da Chrysler), Sergio Marchionne: sem ajuda externa elas poderiam quebrar, deixando milhares, talvez milhões de americanos sem emprego.

Em outubro, ainda antes de Obama ser eleito, Bush liberou à indústria cerca de US$ 25 bilhões em empréstimos, dando início a um processo que, posteriormente, levou à concordata e virtual estatização da GM e à incorporação da Chrysler pela Fiat. A Ford conseguiria se reestruturar sem ajuda federal.

Obama foi eleito em 4 de novembro, e passou a trabalhar em conjunto com a Casa Branca no lobby político para que as medidas fossem aprovadas no Congresso; depois, acompanharia muito de perto tanto a reformulação da GM quanto a aliança Chrysler-Fiat, condição para que esta empresa fosse salva. Com as vendas de veículos nos EUA entrando 2012 em alta, é um tema certo em sua campanha à reeleição este ano.

Por sua vez, Bush parece sentir enorme prazer em trazer para si o mérito de ter jogado a inicial e bilionária tábua de salvação à indústria automotiva. E, ao longo de sua fala aos concessionários aqui em Vegas, o ex-presidente não chamou Obama pelo nome uma vez sequer.

Viagem a convite da Fenabrave
 

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