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Salão de Detroit termina com otimismo e público recorde

Divulgação/Naias
Visitantes observam estande da Mercedes no Salão de Detroit 2012: maior público desde 2005 Imagem: Divulgação/Naias

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo

23/01/2012 07h00

Há pouco menos de um ano, a edição de 2011 do Salão de Detroit fechava suas portas contabilizando 735 mil visitantes -- sentindo menos o peso da mão fria da crise, mais americanos se animaram a visitar a exposição do que no ano anterior. Neste domingo (22), a edição de 2012 do maior evento automotivo dos Estados Unidos foi encerrada após receber um total de 770.932 pessoas em nove dias, maior público desde 2005.

Em relação a 2011, são cerca de 35 mil visitantes a mais. A empolgação do público superou até mesmo a expectativa dos expositores, que calculavam receber cerca de 750 mil pessoas na soma dos dias de imprensa, de visitação dos produtores, do dia de gala (quando os ingressos custam US$ 250, cerca de  R$ 460, e a renda, que neste ano bateu nos US$ 3 milhões, é revertida a obras de caridade) e dos dias abertos ao público em geral (o ingresso normal custa US$ 12, cerca de R$ 22).

A explicação para os bons números do evento está na maior confiança de todos, público e fabricantes, explicou Bill Perkins, o executivo que comanda o Naias (North American International Auto Show, como o salão é chamado oficialmente). "Tudo o que poderia dar certo, deu: as pessoas querem voltar a se sentir bem em relação à indústria (americana), que está claramente numa posição melhor do que esteve nos últimos anos", afirmou.

A nova fase de pujança e, principalmente, de autoconfiança da indústria automotiva se fez presente nos balanços de 2011 (a GM, apenas para citar o maior dos fabricantes, voltou a ser líder mundial de vendas) e também nas novidades mostradas durante pouco mais de uma semana de salão: no total, foram 40 estreias mundiais e a sensação de que o mundo sobre rodas voltou a evoluir após o tempo de crise.

E se otimismo gera otimismo, neste caso a fórmula anda empurrada por motor turbinado: quando opera de forma plena, o setor automotivo costuma puxar o ritmo da economia como um todo, algo que os Estados Unidos andam precisando, e muito, nos últimos tempos.

GIGANTES AMERICANAS COMEMORAM AUMENTO DAS VENDAS

O NOVO MOMENTO DE DETROIT
UOL Carros cobriu de perto o Salão de Detroit 2012 e trouxe ao leitor os detalhes do evento: cada marca tentou mostrar que o automóvel não deve figurar como vilão de cidades congestionadas e  responsáveis pelo aquecimento global ou pela escassez de recursos naturais. Mostrar que o carro nada mais é do que ferramenta de mobilidade a serviço do homem e, por isso, uma máquina feita parar zelar pelo dono.

Esportivos, utilitários e carros de luxo ainda fazem parte do sonho automotivo -- da primeira categoria são os protótipos Acura NSX e Lexus LF-LC e os reais Hyundai Veloster Turbo e Genesis Coupé, da segunda o novo Nissan Pathfinder, e da última o conversível Mercedes-Benz SL 2013.

Mas empurradas pela obrigação de entregar carros mais eficientes e econômicos, as marcas mostraram menos conceitos espalhafatosos e mais veículos reais ou quase prontos, todos cumpridores dos limites de autonomia, não importando o tipo de motorização.

A Ford fez, talvez, o lançamento mais comentado do salão: o novo Fusion é um carro global (mais vendas, menores custos) e feito para agradar ao atual momento do mercado americano, que busca carros compactos (aqui no Brasil, carros de porte médio). Pronto para ser alçado ao estrelato, se mostrou em diferentes versões, seja com motor a combustão mais racional, forte e econômico (o Ecoboost tem injeção direta e turbo para andar mais e mais rápido bebendo menos gasolina), propulsão híbrida (que seguirá vindo ao Brasil) ou motor totalmente elétrico.

A Volkswagen visa crescer mais nos EUA e ampliou a linha do Jetta com a versão híbrida -- para o futuro, a marca prometeu a volta de modelos que o público quer, como o Bulli, que também poderá ser chamado de nova Kombi. A já estabelecida Toyota faz de tudo para recuperar sua imagem arranhada por problemas próprios e catástrofes: desta vez, apresentou o Prius C, versão compacta do Prius, que promete fazer até 22 km/l e colocar o comprador para pensar se vale a pena investir no tradicional Corolla, que custa US$ 2 mil a menos, ou apostar na novidade, poupar algum combustível e ter mais espaço de carga.

A GM também se mostrou globalizada: sua principal atração foi o SUV compacto Buick Encore, desenvolvido por americanos e chineses (e, em paralelo, por europeus) e que fica aberto como alternativa para o mercado sul-americano, caso o ataque da Ford com seu EcoSport se mostre certeiro. Há ainda o sedã Cadillac ATS, que mira a Europa novamente. E ainda dois conceitos compactos, mostrando que o mercado americano realmente está mudando.

OUTRA VISÃO
A Chrysler, gerida pela Fiat, usou o nome de um muscle-car lendário em um carro de origem italiana e filosofia contemporânea: o novo Dart esquece o passado de garanhão e aposta mais na tecnologia do que na simples relação peso/potência. Muito confortável, promete integração total com dispositivos móveis e total liberdade de configuração pelo dono.

Integração e liberdade, aliás, são previstos por diversos fabricantes de carros e de peças. O carro do futuro, previsto para ir às ruas maciçamente em 2020, começa a ser mostrado este ano: tanto o Dart, quando o Ford Fusion e o Prius prometem se valer de informações de redes sociais (do cliente) e de dados (públicas) para se mostrarem mais úteis ao motorista e seguros de uma forma geral. No futuro nada distante, a interface promete ser ainda mais completa, a ponto de quase dispensar a ação do motorista como a conhecemos atualmente. Será, de fato, uma outra maneira de enxergar o automóvel, mas a mudança de ponto-de-vista começa agora.

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