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Veneno da AMG transforma Mercedes CLS em belo animal selvagem

Murilo Góes/UOL
Mercedes-Benz CLS 63 AMG fotografado no lugar certo: uma pista de corrida Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio Luis de Souza

Do UOL, em São Paulo

18/01/2012 18h03

A Mercedes-Benz lançou a tendência dos cupês de quatro portas com o CLS, em 2004. Nem todo mundo gostou. "Parece uma barata", "Parece um chinelo" -- ou mesmo "Parece uma barata que tomou uma chinelada" foram comentários ouvidos por esta redação. Até faz sentido, porque o modelo podia ser descrito como um "sedã achatado", e assim a imaginação de cada um ficava livre para avacalhar.

O fato é que a moda pegou: a Audi tem o seu A7, a Porsche tem o Panamera, e até a não-premium Volkswagen entrou no jogo com o Passat CC (cujo nome foi resumido a CC).

Desenhar um carro baixo e longo, de quatro portas e de luxo (ou seja, com muito conteúdo), certamente é um risco. O que se pode dizer é que, no caso do CLS, a comparação com baratas e chinelos ficou para trás a partir de 2010, quando a nova geração do modelo surgiu no Salão de Paris -- muito mais bem resolvida que a anterior e com sacadas de estilo geniais, a começar das lanternas traseiras, que poupam a tampa do porta-malas, mas ainda assim posicionam-se quase na horizontal, "elevando" a carroceria.

Com quase todos os modelos Mercedes-Benz, o CLS também ganhou uma versão de alta ferocidade pelas mãos e máquinas da AMG, divisão de preparação da marca de Stuttgart. A adjetivação neste parágrafo poderá soar exagerada -- mas só com ela se pode falar sobre um carro de rua com motor V8 5.5 (e não 6.3) de duplo turbo, 557 cavalos de potência e, principalmente, titânicos 80 kgfm de torque a partir de (absurdamente baixos) 2.000 giros. Este desempenho é garantido por um pacote extra de performance, opcional no exterior mas "de série" no Brasil -- só na potência o ganho é de 32 cavalos.

Fora tudo isso, o CLS preparado ficou mais bonito ao ganhar detalhes preciosos -- como alterações no conjunto óptico, rodas de 19 polegadas exclusivas e pinças de freio vermelhas. É um dos carros mais bonitos do mundo. Ponto.

Os modelos da AMG têm seu preço no Brasil cotados em dólar, conversíveis ao câmbio da hora da compra. A Mercedes pede US$ 268 mil pelo CLS 63. Como base de comparação, o cupê de quatro portas civil custa R$ 320.500 na configuração CLS 350, com motor 3.5 de 272 cv.

O QUE TEM POR DENTRO
Antes de dar a partida é preciso citar dois recheios do CLS 63 AMG: os binômios equipamentos/tecnologia e acabamento/conforto.

Como todo carro premium, este CLS oferece uma miríade de sistemas e dispositivos que, vendidos separadamente, podem custar o mesmo que um carro popular. Destacamos aqui o já conhecido Pre Safe, uma jóia de segurança ativa capaz de detectar a possibilidade de um acidente e, em fração de segundo, ajustar cintos de segurança, regular os bancos e os encostos de cabeça para segurar os ocupantes firmemente, evitando o movimento de chicote cervical e minorando o impacto do airbag.

Quanto ao comportamento dinâmico, é digna de nota a suspensão esportiva AMG Ride Control, acionável por meio de botão no console. Ela trabalha de modo independente nas quatro rodas, com controle automático de nível e de rigidez -- a proposta é fazer o perfil do CLS 63 AMG alternar (sem susto e rapidamente) entre o de um confortável sedã urbano e o de um esportivo colado ao chão até nas curvas mais abusadas.

Demais disso, vale menção a esplêndida transmissão Speedshift MCT, com funcionamento no mesmo nível do que a rival Audi tem de melhor. Basta reler os números do vê-oitão que está sob o capô do CLS 63 para entender o quão duro ela trabalha.

AMG TAMBÉM TEM ROADSTER

  • Murilo Góes/UOL

    A Mercedes-Benz também já vende no Brasil o SLS 63 AMG Roadster, versão conversível do mítico cupê asa-de-gaivota, a US$ 515 mil

A cabine, configurada para quatro pessoas, é repleta de materiais nobres -- couro, alcântara (a nosso ver, anti-higiênico quando usado no volante), alumínio, aço escovado, laca em piano black -- e meio complicada em alguns aspectos. O sistema multimídia continua indecifrável, e o computador de bordo tem tantas funções que chega a ser dispersivo. Mas nada, nada mesmo, tiraria o brilho de um habitáculo com bancos que oferecem, além de massagem no encosto, o que a Mercedes chama de "multicontorno ativo": nas curvas, as laterais do banco inflam para segurar o motorista no lugar.

MANSO OU BRAVO
Em ação, o CLS 63 AMG é o retrato do dono. Quer dirigir na boa, como se estivesse num barco (de 5 metros) a singrar águas tranquilas? Deixe todos os ajustes eletrônicos na posição Comfort (auto-explicativa, aliás) e o que se tem é um espetáculo de mobilidade sutil, silenciosa e macia, a 80 km/h em sétima velocidade e motor girando na faixa de 1.500 rpm (pouco mais que a marcha-lenta de um carro comum).

Agora, se o plano é detonar (algo que deveria ser restrito a pistas fechadas), o CLS 63 AMG responde à altura. O ajuste Sport Plus, por exemplo, imediatamente endurece a suspensão e torna a direção mais direta, além de levar as trocas de marcha para as aletas atrás do volante (no ajuste Sport, o câmbio segue automático, mas as trocas são adiadas para faixas de giro superiores).

Mergulhando o pé no acelerador, o sistema de turbocompressão é acionado para proporcionar arrancadas de tirar o fôlego e cravar o corpo dos ocupantes nos bancos. O rugido do propulsor domina a cabine e mistura emoções como prazer e medo. A pergunta é: "Até onde isso vai?" A Mercedes diz que a 300 km/h, limitados eletronicamente.

Outro ruído peculiar do CLS 63 AMG é o das reduções de marcha, sublinhadas por charmosos "suspiros" do escapamento quádruplo e a correspondente subida nos giros -- gentil, o câmbio faz o (sempre desconfortável) punta-tacco para você.

Desconfortável, aliás, é ver como vão embora rapidamente os 80 litros do tanque de gasolina. Ao longo de 526 km de convivência com o Mercedes, cerca de 70% deles na cidade, o consumo médio registrado pelo computador de bordo foi de 6,35 km/l, uma marca que poderia ser ainda pior caso o CLS 63 AMG não fosse dotado de sistema stop/start, que desliga o motor a cada parada em faróis e cruzamentos.

Mas, depois de queimar tantas doletas na hora de comprá-lo, quem vai se importar em queimar tanto petróleo a bordo desse megacarro?
 

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