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Num Japão sem espaço, carro tamanho PP é sucesso permanente

Claudio de Souza/UOL
Vamos brincar de carrinho? Estande da Daihatsu no Salão de Tóquio Imagem: Claudio de Souza/UOL

CLAUDIO DE SOUZA

Enviado especial a Tóquio (Japão)

01/12/2011 12h55Atualizada em 01/12/2011 18h41

Não é novidade que muitos japoneses têm carros pequenos. Os "kei cars" (literalmente, "carros leves") são uma marca registrada de um país com área útil exígua e uma conturbada história de destruição e reconstrução ao longo do século 20, também o período em que sua industrialização se acelerou.

Verdade que há muitos sedãs, SUVs e minivans circulando pelas ruas de cidades como Tóquio e Nagóia; quem visita somente essas metrópoles vê poucos kei cars e pode até achar que eles são exceções -- mas fora delas dominam os minicarros.

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Eles são fabricados principalmente por Daihatsu e Suzuki, mas estão no portfólio de quase todas as marcas daqui. Têm linhas retas, menos de 3,4 metros de comprimento e altura relativamente elevada, acima de 1,5 metro (o máximo permitido é de 2 metros). São verdadeiras "caixinhas de dirigir", mas em alguns casos o espaço interno é bom para até cinco pessoas. Tal façanha geralmente obriga à eliminação do porta-malas.

O que é sempre igual em todos os minicarros está sob o capô: desde 1990, para um carro ser enquadrado no segmento e gozar de benefícios fiscais (como impostos menores e isenção da comprovação de posse de garagem quando em área rural), a capacidade máxima do motor é de 660 cm³.

Para quem acha carro 1.0 fraco, que tal experimentar um 0.66?

Essa característica batizou um dos minicarros mais conhecidos -- o Subaru Vivio, que chegou a ser vendido no Brasil. Entendendo as quatro primeiras letras como algarismos romanos (VI VI) e o "O" como um zero, temos 660.

Só que as unidades de força, que usam apenas dois cilindros, geralmente recebem sobrealimentação por turbocompressor, na busca de uma potência perto do limite legal de 65 cavalos. O consumo de gasolina pode chegar a bons 30 km/litro.

BRINQUEDINHOS
Aqui no Salão de Tóquio, a coleção de minis que mais chama a atenção é mesmo a da especialista Daihatsu, a mais antiga fabricante automotiva do país (hoje controlada pela Toyota). O estande da marca parece uma prateleira de carrinhos de brinquedo.

Modelos como Mira, Move, Tanto (minivan) e o bizarro roadster Copen respondem por uma robusta fatia do mercado automotivo japonês. De acordo com a Jama, equivalente local da nossa Anfavea, a produção de carros no Japão em outubro chegou a cerca de 774 mil unidades. Destas, 112.500 (ou 14,5%) eram minis.

A produção total da Daihatsu no Japão, no mesmo período, foi de 61.584 unidades. As exportações da marca foram de apenas 3% desse total; o restante ficou por aqui mesmo. Com esses números, ela é a sexta maior fabricante automotiva do Japão, à frente de famosas como Mitsubishi e Subaru.

Como estudos para o futuro, a Daihatsu mostra no Salão de Tóquio o conceito de roadster esportivado D-X e o carro elétrico PICO, de dois lugares. Como registro histórico, quem puxar pela memória pode se lembrar do Cuore, kei car da marca que foi vendido no Brasil nos anos 1990 -- ele é o Mira de algumas gerações atrás, rebatizado para outros mercados. 

Mas, se o que se diz aqui no Japão é que a Daihatsu está prospectando novos mercados para além do Pacífico, dificilmente os emergentes brasileiros aceitariam esse tipo de produto -- até porque os minicarros não têm nada de baratos.

Numa economia de moeda apreciada, o modelo mais em conta no estande da Daihatsu, o Mira e:S, tem preço em ienes equivalente a US$ 15.230.

 

Viagem a convite da Toyota do Brasil

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