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Para chefão da Renault-Nissan, carro elétrico é coisa de país rico

Claudio de Souza/UOL
Carlos Ghosn, presidente da aliança Renault-Nissan, em entrevista no Salão de Tóquio Imagem: Claudio de Souza/UOL

CLAUDIO DE SOUZA

Enviado especial a Tóquio (Japão)

30/11/2011 06h29

O presidente mundial do grupo automotivo Renault-Nissan, Carlos Ghosn, disse nesta quarta-feira (30) que países emergentes como o Brasil estão no fim da fila para receber carros elétricos em suas ruas. Para ele, em cerca de dez anos ao menos 10% dos carros vendidos no mundo serão elétricos.

"[No futuro] você irá visitar Nova York, Paris, Tóquio, e lá vai ver as ruas com carros elétricos, e aí vai voltar ao Brasil e perguntar por que não há carros assim em seu país", disse Ghosn a um jornalista brasileiro numa entrevista coletiva no 42º Salão de Tóquio. Segundo o executivo, o único país entre os emergentes que desenvolverá rapidamente um mercado de veículos elétricos será a China.

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    No Japão, o elétrico Leaf já tem até sugestão de versão esportiva (a Nismo), mas para o Brasil ele só veio a passeio mesmo...

Ghosn, que é brasileiro, negou que num recente encontro com a presidente Dilma Rousseff tenha ensaiado um lobby em favor dos elétricos. "A presidente mostrou muita curiosidade, mas só falamos nisso porque uma pessoa presente à reunião tocou no tema", disse. O encontro foi para apresentar os planos de expansão e investimentos da Nissan para o Brasil.

A principal aposta da marca japonesa no segmentos dos veículos de emissão zero é o Leaf, um hatch médio que já foi apresentado ao público brasileiro em ações ao longo deste ano, mas que não deverá ser oferecido no país tão cedo. Segundo Ghosn, o Leaf já vendeu 20 mil unidades desde o seu lançamento, em 2010. "Com eles, o mundo economizou 3 milhões de litros de gasolina", afirmou o executivo.

A outra empresa que Ghosn comanda, a Renault, acaba de lançar na Europa o sedã Fluence em variação 100% elétrica.

Mas a culpa de o Brasil não receber carros elétricos no mesmo ritmo previsto para a China não é dos brasileiros: é das fabricantes. "Não estamos prontos para isso", admitiu Ghosn, referindo-se, entre outras coisas, à atual incapacidade de produzir baterias para uma demanda maior que a esperada dos países desenvolvidos.

O fato é que a Nissan tem outros planos para o Brasil, onde acabou de lançar dois carros com todas as condições de virarem best-sellers: March e Versa.

É GRAVE A CRISE
O chefão da aliança Renault-Nissan falou ao jornalistas em Tóquio principalmente como comandante da marca japonesa. Ainda que veladamente, ele comprou uma briga com o presidente da Toyota, Akio Toyoda, que pouco antes havia feito um discurso emocionado e com tintas patrióticas no estande da marca no Salão de Tóquio.

Toyoda afirmou que a fabricante, a maior do setor automotivo do Japão (a Nissan é a segunda), não vai virar as costas para o país num momento em que a valorização do iene (a moeda local) ante o dólar prejudica as exportações e estimula as empresas a instalar unidades em economias menos caras -- como a Tailândia, onde a Toyota tem fábrica.

De sua parte, Ghosn não hesitou em dizer que, caso o iene siga valorizado (em 75 para um dólar; o executivo defende 110 para um), é inevitável que a Nissan desloque uma parte ainda maior de sua produção para outros países. "É preciso entender que as fabricantes de carros não vão perder; quem vai perder é o Japão", disse.

Quanto à Europa, Ghosn avaliou que o setor automotivo não vai se recuperar no ano que vem. "É uma questão de saber o tamanho da queda. As vendas atuais estão normais, mas as encomendas, que determinam as vendas dos próximos meses, estão em queda". Mas o fim do mundo não está marcado para 2012, garante o executivo: "Não acredito que a Europa não saberá sair dessa situação", finalizou.

Viagem a convite da Toyota do Brasil
 

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