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Com JAC e Ford, Bahia quer fazer 10% dos veículos no Brasil

Eugênio Augusto Brito/UOL
<b>Esquema da fábrica da JAC exibido em Salvador (BA): vizinha da Ford</b> Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO

Enviado especial a Salvador (BA)

16/11/2011 16h10

O governo da Bahia anunciou nesta quarta-feira (16) que espera ser responsável, em 2016, por cerca de 10% da produção de veículos no Brasil. Hoje, esse número é de 5,7%, de acordo com dados oficiais. A projeção pode representar algo entre 380 mil e 500 mil carros, no atual ritmo da indústria -- a aposta baiana é de 450 mil.

Uma parte desse crescimento deve-se à instalação no Estado da fábrica brasileira da JAC Motors.

A montadora chinesa anunciou a fábrica na tarde desta quarta, em Salvador (BA). O diretor-geral da JAC, She Cairong -- e não o empresário Sérgio Habib, presidente da JAC no Brasil --, fez o discurso que oficializou a assinatura do convênio com o governador Jacques Wagner, do PT.

A planta fica no polo industrial de Camaçari, e as obras começam em 2012. O início das operações está previsto para 2014, com capacidade de produção de 100 mil unidades/ano. O foco da JAC será o de carros de valor mediano, mas acima de R$ 40 mil -- ou seja, deve-se esperar que saiam dessa fábrica a nova geração ou o substituto do JAC J3 (hatch e sedã) e talvez um compacto de porte menor.

Os modelos serão bicombustíveis, com design assinado pelo centro de estilo da JAC em Turim (Itália).

O investimento na unidade baiana é de cerca de R$ 900 milhões, e o grupo SHC, de Habib, afirma que responde por 80% deste montante (20% vêm dos chineses). Cerca de 3,5 mil empregos diretos devem ser criados na fábrica.

A confirmação oficial da fáabrica da JAC no Brasil vem algumas semanas antes de o IPI majorado para carros importados de fora do Mercosul e México entre finalmente em vigor, em meados de dezembro. Antes, Habib e outros donos de operações de importação reclamaram que a medida do governo era protecionista e favorecia as quatro grandes montadoras (Fiat, Volkswagen, GM e Ford). Naquele momento a JAC já tinha anunciado planos para uma fábrica antes do IPI, mas chegou-se a especular que a unidade não sairia do papel.

No entanto, pouco tempo depois, com pompa e circunstância e muito dinheiro, a fábrica está confirmada. A da rival Chery, no interiro de São Paulo, também. É preciso mais do que 30 pontos no IPI para deter os chineses. 

POLO AUTOMOTIVO
O governador baiano comemorou a chegada da JAC ao Estado. "Os investimentos previstos para o setor [automotivo] da Bahia nos próximos cinco anos beiram a casa de US$ 2,5 bilhões, incluindo-se nessa conta a ampliação e instalação de montadoras de automóveis, motocicletas e fabricantes de componentes e autopeças", disse o petista Jacques Wagner.

Além da JAC, contribuirá para a eventual porcentagem baiana de 10% da produção nacional de veículos a fábrica da Ford, veterana no local, que agora vê a chinesa construir uma unidade fabril ao lado da sua (ambas são em Camaçari), e num terreno ainda maior. No entanto, a produção atual da planta da Ford é de 250 mil carros/ano.

O polo automotivo faz com que multinacionais como a Basf, que produz insumos para a indústria automotiva, estejam com passagem comprada para aportar na Bahia. Outros segmentos da cadeia produtiva, como o de pneus, já estão por lá. Com fábricas da Continental/Bridgestone e Pirelli, a Bahia -- segundo dados oficiais -- responde por 40% da produção dos compostos no Brasil.

A indústria automotiva no Brasil se concentra no Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e Sul (Paraná e Rio Grande do Sul), e usa a Argentina e o México (mas principalmente o país vizinho) numa estratégia de complementaridade. Em menor número há unidades fabris no Centro-Oeste. O caldo do Nordeste vai engrossar mais com a nova fábrica da Fiat, em Pernambuco. E a nova unidade da Volkswagen pode ir para o mesmo Estado.

Viagem a convite da JAC Motors

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