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Mercedes-Benz SLK 200 oferece prazer ao volante sem cobrar a conta no posto

Murilo Góes/UOL
Seja de teto fechado ou com ele aberto, o SLK é um ótimo brinquedo de gente grande Imagem: Murilo Góes/UOL

Rodrigo Lara

Do UOL, em São Paulo (SP)

08/11/2011 08h00

Conversíveis são automóveis feitos para quem procura diversão ao volante, seja na forma de desempenho ou, simplesmente, para curtir um passeio a céu aberto, preferencialmente acompanhado de um belo cenário. E não dá para dizer que o Mercedes-Benz SLK 200 não seja adepto dessa filosofia. SLK é a sigla para Sportlich, Leicht und Kurz, que em alemão significa "esportivo leve e curto". Carro de linhas belas, ele foi criado para impressionar, tanto quem está no seu interior quanto quem o vê passar.

No Brasil, a última geração do modelo chegou na metade do mês de outubro. No momento, são duas versões disponíveis, SLK 200 e SLK 350, que têm os seguintes preços:

- Mercedes-Benz SLK 200 CGI -- R$ 202.900
- Mercedes-Benz SLK 350 CGI -- R$ 252.900


Não seria devaneio imaginar que a dupla deverá ganhar a companhia de um terceiro elemento no Brasil. Apresentado no último Salão de Frankfurt, o SLK 55 AMG é a versão mais forte da linha e, aos moldes dos outros carros que carregam a insígnia da divisão de preparação da Mercedes, como o C 63 AMG, deverá dar as caras no nosso país.

MIMETISMO AUTOMOTIVO
Desde a geração passada, o desenho do pequeno conversível da Mercedes é inspirado no carro mais forte da marca. Assim, o SLK produzido entre 2004 e 2011, geração conhecida sob o código R171, tinha traços que o aproximava do Mercedes-Benz SLR McLaren, com uma frente em cunha que lembrava o nariz de um monoposto de Fórmula 1.

Com o fim da produção do SLR e sua substituição pelo SLS AMG, a nova geração do pequeno conversível -- chamada R172 -- seguiu os traços do novo superesportivo. A frente adotou um visual com um corte mais reto, deixando a estrela da Mercedes em evidência. Ainda na dianteira, filetes de LEDs têm a função de luz diurna e os faróis, de xenônio na unidade testada, se alongam rumo à traseira do carro.

Nas laterais, vincos foram esculpidos no entorno de uma saída de ar e na base da porta. A lanterna traseira, por sua vez, invade as laterais em um formato que lembra o conjunto do SLS. O resultado é que o SLK ganhou classe e porte, em detrimento à agressividade da geração anterior. As linhas do carro -- além, é claro, de outros detalhes -- podem ser vistas abaixo, nas fotos de Murilo Góes:

O CÉU É TESTEMUNHA
O SLK tem o interior bem acabado, como é de praxe em carros da Mercedes-Benz. Altas doses de couro e metal adornam o habitáculo, que recebe dois ocupantes com muito conforto. Os bancos envolvem o corpo e contam com ajustes elétricos de inclinação e distância, além de bolsas que se inflam na região lombar. Somados à regulagem de altura e profundidade do volante, eles permitem que o motorista encontre uma posição de comando perfeita. Quem tem abaixo de 1,70 m, contudo pode ter alguma dificuldade para dirigir o carro, visto que o ajuste de distância do banco do motorista -- ao menos na unidade testada -- não se aproxima dos pedais além do necessário para que alguém desta estatura se sinta confortável.

O SLK veste o motorista. Não há sobras de espaço, sem que isso signifique que seus ocupantes tenham uma experiência claustrofóbica. Com a capota fechada, o isolamento em relação ao exterior é exemplar. Uma ou outra nota do escape pode ser ouvida em uma tocada mais agressiva, mesmo assim o silêncio domina o interior. A não ser, claro, que os ocupantes prefiram ouvir uma música no ótimo sistema de som.

Ao toque de um botão, contudo, o céu passa a ser o teto do carro. Em poucos segundos, um sistema retrátil recolhe o teto rígido do SLK e o guarda dentro de um compartimento no interior do porta-malas. Fazer esse procedimento em público é garantia de reunir curiosos ao redor do carro. Mesmo com a capota recolhida, ainda sobra espaço no porta-malas, o suficiente para levar a bagagem de duas pessoas.

Em seu modo conversível, o SLK não exige grandes sacrifícios por parte dos seus ocupantes. Em movimento, é possível conversar sem apelar para gritos, ouvir uma música sem exagerar no volume e acelerar sem correr o risco de ganhar um penteado esculpido em túnel de vento. Méritos da excelente aerodinâmica do carro e também dos dois defletores de acrílico, localizados ao lado dos santantônios do SLK.  A tranquilidade a bordo é tanta que rendeu um cochilo do nosso fotógrafo Murilo Góes durante os deslocamentos para a sessão de fotos acima.

ANDA BEM, MAS NÃO PRECISAVA
Embaixo do capô do SLK 200 está um motor 1,8 litro, sobrealimentado por turbo. O conjunto é o mesmo utilizado no Classe C, assumindo sua calibragem intermediária. Isso significa que o SLK 200 vai às ruas com 184 cavalos de potência, alcançados aos 5.250 rpm. O destaque, entretanto, é o torque de 27,53 kgfm, disponível entre 1.800 e 4.600 rpm. A ampla faixa de giro com torque máximo resulta não apenas em desempenho -- o SLK demonstra fôlego a todo momento --, mas também em economia, já que o motorista não precisa abusar do acelerador para atingir velocidades de cruzeiro.

A Mercedes-Benz afirma que o SLK vai de 0 a 100 km/h em sete segundos. A marca não é impressionante, mas mais do que suficiente para garantir uma reserva de potência na hora de fazer ultrapassagens. A configuração motor dianteiro/tração traseira garante o equilíbrio do roadster na hora de contornar curvas, auxiliados por uma suspensão com ajuste mais rígido que, dependendo do piso, pode maltratar os ocupantes. É difícil alcançar o limite da aderência do SLK e, caso isso aconteça, os controles de estabilidade (ESP) e de tração (ASR) entram em cena para evitar sustos. Com eles desligados, contudo, o carro apresenta uma leve tendência de sair de traseira, o que é natural em veículos com essa configuração.

O câmbio segue a mesma receita do motor. A caixa 7G-Tronic Plus, automática com conversor de torque, dota o SLK de um rodar suave, mas peca quando é mais exigida, com trocas não tão rápidas quanto as desejáveis em uma tocada mais esportiva. Mesmo utilizando o modo manual -- quando o motorista pode passar as marchas por meio de borboletas atrás do volante --, o câmbio tem comportamento um tanto preguiçoso. Quando não é exigido, no entanto, ele mostra seu valor, deixando o carro com um comportamento tranquilo e ajudando a manter um bom consumo. Em 1.001 quilômetros rodados, tanto em estradas quanto em trajetos urbanos, o SLK manteve a ótima média de 9 km/l, número que faria corar os tão populares 1.0 bicombustíveis.

A soma dessas características mostram que o SLK 200 é um carro que oferece um meio-termo entre desempenho e o prazer tipicamente proporcionado por conversíveis. É uma porta de entrada para esse mundo e cumpre bem o seu papel como tal. Quer andar mais rápido? Compre o SLK 350 e leve um motor V6 de 306 cavalos, porém uma suspensão mais firme que pode incomodar nas esburacadas ruas brasileiras. Quer andar AINDA MAIS rápido? Aguarde o lançamento do visceral SLK 55 AMG de 421 cavalos e comportamento que mais lembra um carro de corrida do que um de passeio. Essa equação mostra que, para desfilar a céu aberto e dar uma eventual acelerada, o SLK 200 está de ótimo tamanho.

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