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Com injeção de Uno na veia, novo Fiat Palio fica mais divertido

Murilo Góes/UOL
Palio Attractive 1.0: visual mistura vários carros da Fiat, mas nessa versão a alma é de Uno Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio de Souza

Do UOL, em Belo Horizonte (MG)

05/11/2011 17h10

Após a apresentação de mercado do novo Fiat Palio, realizada na noite de sexta-feira (4) aqui em Belo Horizonte (MG), UOL Carros participou do test-drive do modelo. Optamos por dirigir um exemplar da versão Attractive dotado de motor Fire EVO 1.0, a qual, segundo a montadora, deve dominar as vendas do hatchback, com cerca de 50% do mix.

Antes das impressões, uma informação curiosa: a Fiat desistiu oficialmente de usar o Palio para tentar chegar ao topo do ranking dos carros mais vendidos no Brasil.

Ao longo de anos o modelo acossou o Volkswagen Gol, tendo chegado a ocupar a liderança por algum tempo durante a transição de geração do rival, em 2008. Mas, como divulgou na manhã deste sábado (5), agora a Fiat projeta vendas mensais de 14 mil unidades do Palio, sendo 8.000 desta quinta geração (ou segunda, para os mais exigentes) e 6.000 do Fire, correspondente à terceira fornada do modelo, que permanece em linha como versão de entrada com preço começando em "2".

O Gol vende sempre acima de 20 mil carros por mês. Incomodá-lo virou tarefa para a dobradinha Uno/Mille.

Faz todo sentido, porque a plataforma do novo Uno passou a ser central na estratégia da Fiat para a América Latina. Ela é usada neste novo Palio também, com o devido alongamento. E essa "injeção de Uno" na veia o mudou fortemente.

O Palio ficou mais divertido de guiar. Direção, câmbio e suspensão estão mais firmes, acabando com aquela impressão de moleza dos modelos anteriores. Os comandos do motorista são transmitidos às rodas imediatamente, o câmbio permite trocas ágeis e a carroceria balança pouco. O Palio fica esperto e "na mão" do motorista, além de manter a estabilidade mesmo quando provocado nas curvas.

Isso não impede que o acerto do conjunto de suspensões, com rodas independentes na dianteira e semi-independentes atrás (com eixo de torção), seja suficientemente refinado para que os ocupantes viajem com conforto e sem sobressaltos mesmo em terrenos irregulares.

Claro que o motor de um litro da versão Attractive, também partilhado com o Uno, não faz milagres. Dá um desânimo olhar a ficha técnica e constatar um torque abaixo de 10 kgfm; mais exatamente, de 9,9 kfgm a 3.850 rpm com etanol (a potência é de 73/75 cavalos a 6.250 rpm).

Surpreendentemente, ao longo de duas horas no pesado trânsito de Belo Horizonte o Palio mostrou fôlego em quase todas as situações. Ficou devendo nas saídas em aclives e em algumas retomadas, mas mandou bem em terreno plano. No trânsito mais travado, que pede agilidade nas manobras, teve belo desempenho -- é só uma questão de engatar a marcha certa.

  • Murilo Góes/UOL

    Não é uma minivan, não é um Gol, não é um chinês, não é um Bravo: é um Palio Attractive!

A Fiat havia dito, e nós comprovamos: o ruído do motor foi proibido de entrar na cabine do Palio. Rodando a 100 km/hora, com o conta-giros na faixa das 3.500 rpm, é perfeitamente possível conversar a bordo em tom de voz normal.

A BORDO DO PALIO
Isso é consequência da dose extra de esmero e respeito que a Fiat dedicou ao desenvolvimento deste novo Palio (afinal, se ela errasse de novo o modelo afundaria de vez). É o que se nota no acabamento mais cuidadoso, com peças de desenho elaborado, bancos com tecido e formas agradáveis ao toque e aos olhos, teclas e seletores bonitos, painel de instrumentos decente (semelhante aos da gama Adventure). O plástico é abundante, mas com texturas e padronagens bacanas.

O entre-eixos de 2,42 metros (o Palio mede 3,82 metros) foi bem aproveitado num arranjo de cabine suficiente para levar quatro pessoas com bastante espaço. Na prova do "sentar atrás de mim mesmo", este jornalista, com 1,71 metro de altura, experimentou o banco traseiro mantendo o dianteiro ajustado na melhor posição de dirigir para si. Sobraram ao menos 20 cm entre os joelhos e o banco da frente. Para as bagagens, 290 litros no porta-malas, valor normal num hatchback (pode chegar a 750 litros com reclinação).

A ergonomia do motorista é excelente, e na unidade de teste havia até um apoio de braço retrátil. No entanto, este e vários outros itens disponíveis no carro dirigido são opcionais na versão Attractive (de R$ 30.990), a começar do ar-condicionado e do ajuste elétrico dos retrovisores -- e sem falar nos comandos do som e de conectividade no volante, ou dos freios com ABS/EBD e no airbag duplo. A direção hidráulica é de série.

Trafegando 85% na cidade e 15% em pistas expressas, submetendo o Palio a um constante anda-e-para, obtivemos a marca de 7 km/litro de etanol, bem abaixo dos 9,3 km/l previstos pela Fiat para esta situação. Mas não é uma marca ruim. A montadora fala em 13,6 km/l na cidade com gasolina, e na estrada diz que o Palio 1.0 pode cravar 18,1/12,5 km/l (gasolina/etanol).

Em resumo, a experiência com o Palio Attractive foi cativante. Até mesmo as esquisitas lanternas traseiras, que misturam carro chinês com Renault Sandero, ficaram mais simpáticas com o passar das horas. Vale o mesmo para os elementos visuais copiados do Punto (conjunto óptico), Uno (parachoques) e Cinquecento (barra cromada com logotipo), alocados numa carroceria de linhas ascendentes que de lado faz lembrar o rival Gol, mas que termina com um quê de monovolume "altinho". Confira nas fotos de Murilo Góes:

E, para bombar junto à turma da classe C que já está com passagem marcada para a B, o modelo conta ainda com itens de personalização (novo nome para "adesivos de gosto duvidoso") e nada menos que 14 opções de cores!

O Palio "basicão" andou para a frente. Se não o fizesse, seria atropelado pelo Uno e corria o risco de ficar obsoleto na comparação até mesmo com o subcompacto que a Fiat produzirá em Pernambuco. Isso para citar apenas os inimigos íntimos.

Nas próximas semanas, UOL Carros deve publicar avaliações do Palio com motor 1.4, 1.6 e também com câmbio Dualogic.

Viagem a convite da Fiat do Brasil

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