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Nissan Versa chega com espaço e preço para ser o 'Logan japonês'

Murilo Góes/UOL
Sedã compacto se cerca de argumentos racionais e preço de briga; começa em R$ 35.490 Imagem: Murilo Góes/UOL

Rodrigo Lara

Do UOL, em Campos do Jordão (SP)

26/10/2011 07h00Atualizada em 15/08/2012 13h06

Um carro definido como racional quase que automaticamente é colocado na lista daqueles modelos sem-graça, porém bons de venda justamente por reunir atributos que agradam a algum determinado público. No caso do segmento dos sedãs compactos, a característica mais desejada é o espaço. Esse é um item valioso quando se pensa em um carro responsável por atividades das mais diversas, seja encarar o trânsito diário, transportar compras de supermercado ou andar com lotação máxima em viagens.

Unir espaço ao preço também é desejável. O mercado brasileiro de sedãs compactos tem no Renault Logan o maior expoente dessa filosofia. O design quadrado do carro é fruto da sua missão: ser barato. Oferece espaço suficiente para, como dizia a antiga propaganda do carro, transportar três pessoas atrás sem aperto e a mecânica simples implica em baixo custo de manutenção.

São esses passos que o novato Nissan Versa quer seguir. Mostrado à imprensa brasileira em primeira mão na cidade de San Diego, nos Estados Unidos -- na ocasião do lançamento do compacto March --, o sedã tem no espaço o seu segundo maior argumento. O primeiro é o preço: R$ 35.490, valor extremamente competitivo e que deve fazer com que o sedã novato incomode bastante a concorrência. Os dois líderes do segmento, o Volkswagen Voyage e o Fiat Siena, são mais caros. O VW, em sua versão 1.6, parte de R$ 36.430 sem direção assistida. Já o Fiat, com motor 1.6, custa R$ 40.430.

TRÊS VERSÕES E MEIA
A Nissan acredita que o Versa terá uma vida mais mansa no mercado do que o seu irmão menor. De acordo com executivos da marca, isso se deve ao fato de que o segmento do sedã é menos concorrido que o do hatch. Há também uma dose alta de confiança no produto, toda ela baseada em argumentos racionais.

Enquanto garantia de três anos e revisões com preço fechado tentam conquistar o consumidor pelo bolso, airbag duplo, computador de bordo e direção elétrica de série são equipamentos que apelam para a segurança e o conforto no uso constante do carro. Reunindo tudo isso, a Nissan espera que o Versa seja o segundo pilar de seu crescimento no Brasil e, juntamente com o March, faça com que a fabricante atinja os 2% do mercado nacional ainda em 2011 e os 5% até a metade da década.

O Versa é oferecido em três versões "e meia". São elas:

- Nissan Versa S -- R$ 35.490
- Nissan Versa S com ar-condicionado -- R$ 37.990
- Nissan Versa SV -- R$ 39.990
- Nissan Versa SL -- R$ 42.990

A reclamação fica por conta da opção da Nissan de dividir os equipamentos por versões, sem deixar margem à aquisição de opcionais. Um cliente que quiser um Versa com freios ABS (antitravamento), por exemplo, terá que comprar a versão topo de linha, a única na qual o equipamento está disponível. Confira aqui a lista completa de equipamentos de cada versão

QUEM VÊ CARA...
Abaixo é possível ver como é o Versa. As fotos, clicadas por Murilo Góes durante o lançamento do carro, em Campos do Jordão (SP), mostram em detalhes o novo sedã da Nissan:

Indo direto ao ponto: o design do Versa passa longe de qualquer unanimidade. O conjunto óptico dianteiro, em formato de folha, não conversa com as lanternas traseiras, em forma de burmerangue e que invadem a lateral do carro. Para completar, o sedã tem porte abrutalhado, o que deixa ainda mais evidente o tamanho diminuto das caixas de roda.

O resultado dessa mistura não nos pareceu bom, mas ainda assim está anos-luz distante de um desastre visual como o visto no Tiida Sedan. E, para provar o ditado que diz que "a beleza está nos olhos de quem vê", vale citar uma passagem ocorrida durante a sessão de fotos do álbum acima. Um funcionário do hotel que sediou o evento de apresentação do carro puxou papo com nosso fotógrafo. "Carrão, hein? Vai concorrer com Corolla e Civic?", perguntou. Ao ser informado por Murilo Góes que se tratava de um veículo para enfrentar Voyage, Logan, Siena e companhia, o homem se surpreendeu. "Mas é bem maior que eles, né? E tem presença! Um carrão."

Mesmo com o porte de "carrão", o Versa é baseado na mesma Plataforma V (de "versátil") do March. O sedã, entretanto, apresenta mudanças substanciais em relação ao compacto, principalmente no entre-eixos: são 15 centímetros a mais no sedã (2,45 metros no March contra 2,60 no Versa). E mesmo compartilhando a plataforma, em nenhum momento o Versa se passa por uma derivação do March. O que é bom, pois o torna um produto diferente e o distancia do apelo popular provocado pelo pequeno hatch.

Segundo a Nissan, o Tiida sedã (que nos Estados Unidos é conhecido como Versa) será mantido em produção e não morre com a chegada do Versa.

Não falta espaço no interior do carro. Mesmo com os bancos dianteiros totalmente recuados, apenas ocupantes muito altos rasparão seus joelhos no encosto de que quem vai na frente. É algo digno de carros de segmentos (bem) superiores, como o trio alemão Audi/BMW/Mercedes-Benz, e faz com que o Versa supere -- e muito -- seus principais concorrentes. A folga se repete no espaço para os ombros e cabeças dos ocupantes e também no porta-malas: o espaço leva ótimos 460 litros de bagagem.

O VERSA, ANDANDO
Antes de falar sobre o comportamento dinâmico do Versa, tratemos de quem é o responsável pelo carro se mover. Debaixo do capô está um motor 1.6 16V bicombustível, dotado do que a Nissan chama de CVVTCS. A sopa de letras significa Continuosly Variable Valve Timming Control System, ou seja, um propulsor dotado de abertura variável de válvulas feitas por meio de variador de fase. Trocando em miúdos: o sistema faz com que o motor, mesmo tendo 16V, não seja sonolento em baixas rotações. Curiosamente, essa unidade rende a mesma potência e o mesmo torque com gasolina ou etanol. São 111 cavalos de potência a 5.600 rpm e torque de 15,1 kgfm a 4.000 rpm.

Ao volante, o carro não transforma a boa oferta de espaço em incômodo. Não é preciso atenção extra para guiar os 4,45 metros de comprimento e o 1,69 metro de largura do carro. A visibilidade é boa em todas as direções e o comportamento do carro é neutro. Mas não pense em abusar nas curvas, já que é possível ouvir os pneus reclamando mesmo em velocidades baixas, longe do limite de aderência do carro. A suspensão é voltada para o conforto e o câmbio tem engates suaves e marchas bem escalonadas.

Com pouco mais de uma tonelada, o Versa não emociona em acelerações. A nítida impressão é de que o motor está ali apenas para cumprir o mínimo necessário e nada mais. A Nissan anuncia a aceleração de 0 a 100 km/h em 10,7 segundos com etanol, marca um tanto otimista. Devido ao breve percurso com o carro, não foi possível estimar o quanto esse propulsor consome.

Ao final do teste, o Versa deixou uma boa impressão. O pacote do carro reúne preço altamente competitivo e espaço de sobra para praticamente toda situação que um veículo do tipo pode enfrentar. Para se dar bem no mercado, entretanto, ele precisará que seus futuros compradores exercitem o lado esquerdo do cérebro. Racionalidade é a palavra que define o Versa e, nesse quesito, ele supera todos os seus concorrentes.

Viagem a convite da Nissan do Brasil

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