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Escola alemã adota modelo de carro urbano, masculino e conectado

Murilo Góes/UOL
Volkswagen Beetle 2012: nova geração está mais masculina e fiel ao clássico dos anos 1940 Imagem: Murilo Góes/UOL

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO
MURILO GÓES

Enviados especiais a Frankfurt (Alemanha)

16/09/2011 16h59

Se você entrar agora na página alemã da Volkswagen na internet vai dar de cara com a imagem do pequenino Up! e, com um clique, com o Beetle do Século 21. São duas interpretações de um mesmo mito automotivo, a do carro do povo, intrínseco ao assunto a ponto de nomear a marca que os colocou no mundo. Mas o que são carros populares?

Esqueça qualquer noção rasa, que trate apenas do baixo valor pago, embora o Up! venha exatamente com esta missão (reveja aqui). Popular é o carro que cai no gosto do coletivo, recebe apelidos ao redor do mundo por "ficar íntimo" das pessoas, atrai tanto a homens quanto a mulheres (não apenas a eles ou só a elas) e entrega o que o comprador quer e pagou para ter. A lição decorada com fervor pela Volks parece servir também para quem tem alma "premium", como Audi (esta é controlada pela primeira), Mercedes-Benz e BMW, a ponto de definir os principais lançamentos destas marcas no Salão de Frankfurt.

O FUSCÃO VOLTOU
Espartano a ponto de parecer um carro básico encontrado em lojas do Brasil (leia "pelado" se quiser, embora não haja comparação em termos de materiais e segurança embarcada), o Up! pode ser configurado ao gosto do cliente e ficar mais recheadinho. Essa multiplicidade vai permitir ao Up! ser o primeiro carro de muita gente por aí, assim como ocorreu com o Fusca no passado, graças ao preço inicial baixo (menos de 9 mil euros no Velho Continente). 

Mas ele não tem cara de Fusca. Só outro Fusca poderia ter. Essa herança fica com o Beetle 21st Century, nova geração do New Beetle, que por sua vez era a releitura cult e feminina feita em 1997 do "besouro" original, criado em 1940 e perpetuado por décadas. O problema do New Beetle estava justamente em tentar sofisticar algo que deveria ser simples por natureza. O renovado Beetle volta às origens para agradar aos fãs: nada de vasinho para flores junto ao volante.

ADESIVO NELE!

  • Eugênio Augusto Brito/UOL

    Na imagem, página especial do Beetle na internet, que já permite a escolha de acessórios, faixas e até emblemas, todos típicos do velho Fusca e adaptados ao mundo atual

O visual não é tão arredondado, tem um certo achatamento que o deixa mais dinâmico, como todo dono de Fusca acha que seu carro é. Esquece o atual painel padrão da Volks, que todo carro do Gol ao alemão Passat têm. O Beetle exibe uma atualização do painel antigo dos "fuquetas", com mostradores dentro de um semicírculo, rádio quadradinho ao centro e porta-luvas com cantos arredondados. Só faltou ter a alça para mãos sobre o painel -- aquela que todos no Brasil conhecem pelo apelido "PQP" por ser utilizada quando alguma coisa está errada com o motorista -- mas ela é bem substituída pelos airbags. Dono de Fusca gosta de som? Este pode ter o sistema da Fender, a fabricante de guitarras. Gosta de rodas? Há várias, com aros que vão do 16 ao 20. Gosta de banco diferente? Tem também, e são baixos como o do "chusca". Gosta de meter a mão no motor? Agora são três opções a gasolina -- 1,2 litro de 105 cv, 1,6 l de 160 cv e 2 litros de 200 cv (essa a mais cotada para o Brasil) -- e uma de 1,4 litro a diesel com 105 cv, todas com turbo e injeção direta de combustível. Sim, você ouviu turbo e o Beetle mostra a reação do motor em relógios sobre o painel. Só faltou o adesivo "Nem me viu", né? Faltou, mas se quiser pode colocar um adesivo oficial da Volks com o nome "Fusca", que já fica legal. O Beetle deve chegar em breve ao país, via México, sem pressão do novo IPI para importados

ATARRACADO

  • Murilo Góes/UOL

    Nova geração do Mercedes-Benz Classe B perde bastante do antigo aspecto de minivan

ASTRO DE 3 PONTAS
Essa pressão, no entanto, cai como uma bomba sobre as marcas premium alemãs, embora seu comprador tradicional possar arcar com mais gastos no momento de colocar mais um carro na garagem.

Uma delas é a Mercedes-Benz, que tenta se livrar do estigma de seus carros familiares -- os modelos Classe A e Classe B sempre foram mal-vistos pelos puristas e pouco entendidos pelos público em geral. Pois numa só tacada a marca anunciou a mudança de ambos, que perderam totalmente o jeitão feminino (Classe B) e de família (Classe A), e abrem alas a uma nova linha de carros compactos, que ainda terá uma perua, um cupê de quatro portas e um SUV abaixo do atual GLK. Eles não serão mais baratos que o atual Classe C, pois devem ser muito mais equipados, embora menores.

O novo Classe B perdeu o degrau interno que o deixava altinho e as feições de minivan, sendo agora quase um hatch. O novo Classe A, que também será um hatch para combater o Audi A1, deve chegar à Europa em setembro de 2012 e na sequência ao Brasil. Havia a esperança de esse novo modelo ter sua produção (mesmo que em SKD) feita no país, em resposta à fábrica que a BMW deve abrir no país, mas a Mercedes não confirmou (embora seus executivos tenham dito estudar a ideia). O grande problema, agora, vem da falta de incentivo do governo.

ROYAL FLUSH DA AUDI
Além do conectado A2, que permite ligações a rede Wi-fi, 3G e Bluetooth a todos os seus ocupantes, a Audi apresentou a trinca S5, S6 e S8 em seu estande gigantesco. Poderosos e vermelhos como o naipe de copas, cor principal de apresentação da série, devem se juntar ainda ao S4 e ao S7 no desembarque ao Brasil, que será feito escalonadamente ao longo do próximo ano.

BMW
Os executivos da marca foram instruídos a não responder a qualquer pergunta sobre a fábrica brasileira. Mas confirmaram a chegada ao país até janeiro do remodelado Série 1, que tem novo motor de 1,6 litro e 186 cv e mais espaço interno, mas ficou com visual esquisito. O preço deve partir dos R$ 100 mil.

CARSALE MOSTRA EM VÍDEOS OS DESTAQUES DA BMW

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