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Fiat 500 ganha 2ª chance no Brasil com motor flex e preço de popular

Divulgação
Fiat 500 (na foto, a Prima Edizione, de 500 unidades): preço da versão básica começa com 3 Imagem: Divulgação

Claudio de Souza

Do UOL, em Miami (EUA)

24/08/2011 18h51

Depois de aplicar uma dose de “rebadging” na veia do Dodge Journey, transformando o crossover ianque em Freemont e baixando seu preço para mercados fora da América do Norte, a Fiat submete o 500 a um procedimento que, no Brasil, é quase de ressuscitação.

Sofrendo de um caso crônico de vendas baixas, o carrinho retrô -- que você pode chamar de Quinhentos ou Cinquecento, à italiana -- parecia destinado ao caixão do esquecimento em nosso país.

Pequenino, importado da Polônia com conteúdo de gente grande (sete airbags) e comportamento de moleque (a infeliz adaptação do câmbio Dualogic), o 500 desembarcou no Brasil há dois anos com o habitual preço absurdo: começava em R$ 62.870.

O consumidor encarregou-se de fazer o diagnóstico: irrisórias 2.200 unidades do Fiat 500 foram vendidas no país em dois anos. Um contraste com seu bom desempenho global, de 700 mil carros emplacados no mesmo período.

RENASCIMENTO
O anúncio de que a Fiat produziria carros na fábrica da Chrysler em Toluca, no México, foi o primeiro indício de que o mal do 500 no Brasil poderia ter cura -- reforçado quando se soube que o modelo retrô fora efetivamente escolhido pela marca italiana como símbolo de sua volta ao mercado dos EUA, de onde saiu nos anos 1980 sob vaias de público e crítica.

A fábrica de Toluca tem capacidade de produção suficiente para abastecer diversos países, inclusive o Brasil. Como não há taxa de importação a partir do México (de 35%), o preço do 500 tinha tudo para cair. Dependia só de a Fiat local se comprometer a fazer uma megacirurgia no produto -- atingindo motorização, valor, marketing, pontos de venda etc. E assim aconteceu.

Ao menos no bolso do consumidor o baque é de dose cavalar. Na verdade, o 500 mexicano mais caro custa hoje menos que o 500 polonês mais barato no lançamento deste, em 2009. Seguem os valores da nova gama do Cinquecento no Brasil:

Com motor EVO 1.4, 8 válvulas, bicombustível, igual ao do Novo Uno:
500 Cult manual – R$ 39.990 
500 Cult Dualogic – R$ 42.990 


Com motor Multiair 1.4, 16 válvulas, a gasolina, inédito no Brasil:
500 Sport Air manual – R$ 48.800 
500 Sport Air automático – R$ 52.800 
500 Lounge Air AT – R$ 54.800  
500 Prima Edizione – R$ 50.400


Veja também a lista de equipamentos completa de cada versão.

CORREÇÃO DE ROTA
A reinvenção do Fiat 500 para o Brasil inclui mudar seu público-alvo, ou ao menos a posição de tiro.

Na apresentação do carro à imprensa da América Latina, realizada em Miami (EUA) ao longo desta semana, executivos da marca disseram que, em pesquisas qualitativas, os consumidores brasileiros descreveram o 500 como bonito, interessante, completo (em suma, muito desejável), mas com preço acima do razoável. Aparentemente, só a Fiat não sabia disso...

Agora que o 500 está mais barato, seu preço básico rivaliza inclusive com modelos da casa, como Punto (maior vítima do “fogo amigo”) e Novo Uno e Palio em suas versões mais completas e com opcionais. Glamour zero, como se vê. 

Desviando o assunto dos modelos “de imagem” que eram os rivais globais do 500 em 2007 (Volkswagen New Beetle e Mini Cooper, basicamente), a Fiat do Brasil declarou como inimigos contemporâneos do Cinquecento uma lista de hatches compactos "comuns", entre eles, Citroën C3, Peugeot 207, Chevrolet Agile e Renault Sandero.

Nenhum tem o mesmo nível de equipamentos do 500. Mas todos levam quatro pessoas adultas com conforto (cinco, no caso do Sandero), o que é impossível no carrinho da Fiat.

Com duas portas e entre-eixos de 2,3 metros, ele continua sendo ótimo para dois adultos; um terceiro, acomodado no banco de trás, pode ter de viajar meio de lado, a depender de sua altura. O porta-malas do 500 é de escassos 185 litros.

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    Motor MultiAir 1.4 16V equipa o Fiat 500 nas versões Sport e Lounge: bebe apenas gasolina, mas gera 105 cavalos com economia de combustível e redução de emissões; pode ser aliado ainda ao câmbio automático de seis marchas da Aisin, com trocas sequenciais

NOVIDADE SOB O CAPÔ
Se o debate for técnico, o Cinquecento tem um trunfo: o novo motor Multiair de 1,4 litro, assim batizado porque a admissão de ar na câmara de combustão é gerenciada eletronicamente.

O sistema atua no regime de abertura das válvulas e pode, por exemplo, retardar a admissão do ar; quando ela acontece, o ar entra com velocidade maior, o que melhora sua mistura com o combustível. De certa forma, é o avesso da injeção FSI do grupo Volkswagen, outro sistema que atua na câmara de combustão, mas pulverizando a gasolina.

Segundo os dados da Fiat, o motor Multiar alia economia de combustível e redução de emissões (ambas entre 10% e 15%) a potência de 105 cavalos (mais típica de blocos 1.6) e torque máximo de 13,6 kgfm a 3.850 rpm. O conhecido motor Fire EVO, por sua vez, consegue apenas 88 cavalos com a mesma capacidade -- mas tem a vantagem comparativa de beber gasolina e/ou etanol.

Outra boa novidade é o câmbio automático de seis marchas, de série na versão Lounge Air e opcional na Sport Air. Dotado de conversor de torque, ele “conversa” bem com o propulsor e oferece trocas quase imperceptíveis.

VÍDEO DE DIVULGAÇÃO DO FIAT 500

IMPRESSÕES
UOL Carros experimentou nesta quarta-feira (24), sob o inclemente sol de Miami (35 graus, com sensação térmica de uns 40 graus), algumas variações do Cinquecento mexicano. O test-drive foi ligeiro e em pistas com pavimentação exemplar, mas foi possível registrar as seguintes impressões:

500 Cult manual - Versão que deve vender mais, segundo a Fiat, já sai de fábrica com itens como ar condicionado, direção elétrica, freios com ABS (antitravamento), EBD (distribuição de força) e ASR (antiderrapagem), controle de estabilidade (ESP), vidros e trava com acionamento elétrico, controle de saída em aclive, computador de bordo, entre outros. A cabine tem acabamento cuidadoso e bom gosto no desenho de instrumentos, teclas e seletores, que propõem um respeitoso diálogo entre antigo e moderno. Na condição ideal de uso, ou seja, com duas pessoas a bordo, há muito espaço e conforto -- este, incrementado para o motorista com a posição elevada da alavanca de câmbio. Em marcha, o 500 “basicão” com o conhecido motor 1.4 EVO entrega o desempenho possível: o motorista se sente dirigindo uma espécie de “Uno superluxo”, com um câmbio mais firme, menos ruído interno e mais botõezinhos para apertar.

500 Cult Dualogic - A transmissão automatizada da Fiat vem melhorando aos poucos, mas ainda deixa a desejar. Agregada ao pacote básico do Cinquecento, é paradoxal: poupa o pé esquerdo, mas sobrecarrega a paciência do motorista com trancos que ainda são muito sentidos entre 1ª e 3ª marchas; daí para cima o funcionamento é mais suave. A tecla Sport, que adia as trocas de marcha e deixa o carro mais firme (de forma impressionante na direção) ajuda um pouco.

500 Sport Air manual - Aqui, o pacote do Cult ganha, por fora, parachoques mais agressivos, defletor de ar, pinças do freio pintadas em vermelho e faróis de neblina, e no recheio são incluídos itens como revestimento parcial em couro nos bancos e total no volante multifuncional; airbags laterais; piloto automático; e apoio de braço dianteiro. A Prima Edizione, de 500 unidades, é montada sobre essa versão. O motor MultiAir é (muito) mais barulhento que o EVO, mas compensa na disposição e no bom entendimento com o câmbio manual -- dá para arriscar uma condução mais esportiva sem se decepcionar. A Fiat promete 183 km/h de velocidade máxima e um 0 a 110 km/h em 10,2 segundos (172 km/h e 11,8 s no EVO com etanol), mas para além dos números fica o elogio ao conjunto bem acertado dessa versão. Ela seria nossa escolha.

500 Sport Air A/T - Por R$ 4.000 extras em relação à versão Sport manual pode-se conhecer a nova transmissão automática da Fiat, assinada pela japonesa Aisin. Com seis marchas, ela entrega um funcionamento relativamente suave, explorando o motor MultiAir quase como se houvesse um motorista hábil no comando. É possível fazer trocas sequenciais, mas apenas na alavanca. O preço parece salgado, mas convém lembrar que o câmbio Dualogic acrescenta R$ 3.000 à versão Cult. Seria ótimo, aliás, que o novo equipamento virasse opcional em carros como Bravo e Freemont... Os comentários desta versão valem para a Lounge Air A/T, que não dirigimos e que traz teto de vidro fixo e rodas de 15 polegadas (contra 16 da Sport).

O QUE MAIS?
Há uma lista interessante de opcionais e acessórios, com destaque para o sistema de som Bose, que é de alto nível, mas certamente não é o “mais perfeito já feito para um carro”, como descrito por um executivo da Fiat aqui em Miami; e vale citar também o ar condicionado digital e o teto solar com acionamento elétrico.

A oferta de cores segue generosa, com nove opções (ainda com nomes bobos, em italiano), e há várias combinações possíveis para o interior da cabine, a depender do revestimento dos bancos. São 72 combinações entre exterior e interior, garantido um bom grau de exclusividade para o proprietário.

VAI ROLAR?
A Fiat do Brasil quer vender mil unidades por mês do 500 até o final do ano, e trabalha com a meta de 1.500 por mês ao longo de 2012. Note-se que o megaevento de lançamento à imprensa aqui nos EUA é apenas a ponta de um iceberg midiático que promete muito barulho -- até o consagrado ator Dustin Hoffman foi convocado para os comerciais de TV.

Vai dar certo? Por R$ 40 mil, o Cinquecento Cult com visual vintage (o carro original, lembre-se, é dos anos 1950), porte de Ford Ka, motor de Uno e conteúdo de sedã sênior já é uma proposta tentadora. Por R$ 48.800, o Sport Air oferece motor de última geração, mais mimos e carinha de bravo, e com ele a proposta fica quase irresistível -- se você é jovem, se já tem outro carro, se não pretende constituir família ou ter filhos...

Melhor não apostar contra essa ressurreição do 500 no Brasil. E, se levarmos em conta que o carrinho mexicano surgiu em função da estratégia da Fiat para os EUA, também fica tudo certo se você o chamar de Five Hundred.

Viagem a convite da Fiat do Brasil

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