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Nissan relança Frontier Attack, mais esportiva e cara, para valorizar o que já tem

Divulgação
Nissan Frontier SE Attack: veículo dispensa tecnologia para mostrar disposição Imagem: Divulgação

Claudio de Souza

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/08/2011 22h36

A Nissan apresentou nesta sexta-feira (12) a Frontier Attack, pacote de itens complementar às versões SE e LE da picape média, e que, segundo a fabricante, não tem data para acabar -- ou seja, SE Attack e LE Attack viraram sub-versões do veículo.

O nome retoma uma série especial da Frontier que durou de 2005 a 2008 e que teve boa aceitação entre os consumidores brasileiros. Sua reoferta, neste momento, mostra que a marca japonesa, agora empenhada no plano de chegar a 8% do mercado automotivo mundial, não pretende abandonar seus modelos mais caros em favor dos mais populares (como Tiida e March).

Traduzindo, a configuração Attack aumenta o preço da Frontier. Veja:

Nissan Frontier SE Attack 4x2 -- R$ 93.900
Nissan Frontier SE Attack 4x4 -- R$ 100.990
Nissan Frontier LE Attack 4x4 -- R$ 127.490


A picape sempre é dotada do motor turbodiesel 2.5, mas na versão-base SE o câmbio é manual de seis marchas e potência e torque ficam em 144 cavalos e 36,3 kgfm; já a LE Attack tem calibragem diferente no propulsor e câmbio automático de cinco marchas, que rende 172 cv e 41,1 kgfm. Este acerto é o mencionado na infame propaganda dos pôneis malditos -- que, aliás, exalta a potência, quando numa picape como essa o torque é muito mais importante (e o da Frontier é excelente, diga-se). 

A gama da Frontier começa com a versão XE (4x2), a R$ 85.390. A LE Attack virou a top. Todas têm apenas cabine dupla -- mas parece inevitável que, no futuro, a Nissan pense numa Frontier de cabine simples, ou mesmo num novo modelo com essa opção. O fato é, hoje em dia, um dono de Frontier troca espaço de caçamba -- de apenas 1,51 metro, num veículo de 5,23 metros -- por bom conforto a bordo para quatro pessoas.

Os itens específicos da configuração Attack são rodas de liga aro 16 na cor titanium (uma espécie de cinza-chumbo), a qual é repetida na grade, maçanetas e retrovisores; pneus de uso misto (50/50 para asfalto e off-road); faróis com máscara negra; parachoque traseiro preto ou cromado (este na LE); sistema de som duplo DIN que, na versão LE, inclui tela de 4,3 polegadas e permite controle até do iPod via comandos no volante; manopla do câmbio e volante revestidos em couro; etc. A identificação da série é feita por meio de adesivos nas laterais da caçamba. 

Segundo a Nissan, a idéia é que os carros com a configuração Attack respondam por algo entre 30% e 40% do total de vendas da Frontier, que estão em ascensão e este ano já chegam a 6.691 até o final de julho (cerca de 8,48% do segmento), ante 23.344 da Chevrolet S10, 16.875 da Toyota Hilux, 12.195 da Mitsubishi L200 e 7.814 da Ford Ranger. Os números são da Fenabrave (associação dos distribuidores).

DO PÓ AO PÓ
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participou de um breve test-drive com a Frontier Attack, sempre 4x4, mas com câmbio manual (SE) e automático (LE). A cabine da picape é agradável e tem bom espaço para quatro pessoas. Itens como o rádio double din com tela de 4,3 polegadas conferem uma sensação de quase-luxo -- a ressalva é que há peças de desenho algo antiquado, como o painel de instrumentos.

O teste dinâmico consistiu num interessante percurso off-road, e a Frontier saiu-se bem nas tarefas de galgar barrancos, descer pirambeiras e atravessar trechos de terra com erosão. O ângulo de ataque de 32 graus é adequado e os pneus all-terrain ajudam a evitar patinadas.

O interessante é que a Frontier é, de certo modo, um carro pré-tecnológico. A picape da Nissan vai para cima dos obstáculos com a cara e a tração, dispensando a miríade de sistemas eletrônicos encontráveis, por exemplo, no Mercedes-Benz Classe G -- citado aqui por ser o mais recente trator de luxo que experimentamos.

Mesmo a tração 4x4 é on-demand, ou seja, ela só entra em ação quando o motorista julga necessário. É possível engatá-la com a Frontier trafegando a até 80 km/h, e não há limite de velocidade para seu uso. Já a reduzida, necessária para os desafios mais duros, exige que a Frontier esteja parada e com o câmbio em ponto morto (N, na versão A/T), e com ela em uso não convém acelerar em demasia. Todas essas operações são feitas por meio de um seletor giratório no painel frontal.

SEM PEDAL
Os trilheiros mais calejados provavelmente vão sempre preferir uma Frontier com câmbio manual, mas o fato é que este tem engates "sutis" como os de um caminhão -- especialmente a ré, dura e quase em cima do joelho do passageiro. Além disso, em reduzida a embreagem tem de ser acionada com cuidado para evitar trancos em primeira e segunda marchas.

Já o câmbio automático proporciona uma utilização mais racional do freio-motor, oferecendo a limitação das marchas até a 3ª, ou 2ª, ou 1ª. Para descer uma rampa, por exemplo, basta acionar a reduzida, colocar a alavanca na posição 1 e deixar a Frontier seguir sozinha, sem sequer pisar no freio para domar suas 3 toneladas. Preocupar-se com embreagem e chatear-se com câmbio duro são contrassensos numa viagem de aventura e lazer. Ainda mais porque alguns hábitos da condução urbana não se aplicam às trilhas.

Obviamente, o pacote Attack não tem nada a ver com essa interessante performance dinâmica da picape. Por fora, serve para dar um visual mais parrudo ao modelo, e por dentro reforça os mimos aos ocupantes. São argumentos melhores do que a zombaria sobre concorrentes que ainda vendem muito mais.
 

 

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