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Ícone comunista e piada no Brasil, Lada Laika deve ter produção encerrada

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O Laika vendido no Brasil: até hoje, Lada foi a única russa a se aventurar no país Imagem: Reprodução

RODRIGO LARA

Da Redação

09/08/2011 12h40

Os fãs do Lada Laika têm motivos de sobra para querer que o ano de 2012 demore muito para chegar. E isso não tem nada a ver com o possível fim do mundo apontado por alguns calendários de civilizações antigas, e sim porque o carro russo quarentão deverá ter sua produção encerrada no final de 2011.

Baseado no Fiat 124, o Lada 1200 foi lançado na então União Soviética em 1970. O pequeno sedã -- que logo ganhou a companhia de uma station wagon -- tinha a função de ser um veículo acessível e robusto. Cumpriu essa missão tão bem que, mesmo sem ser atualizado de maneira significativa (as poucas mudanças que diferenciam o modelo inicial, de código VAZ-2101, do atual, o VAZ-2107, ocorreram nos conjuntos ópticos), acumulou fãs e vendeu mais de 16 milhões de unidades (no Brasil, onde chegou em 1990, foram cerca de 33 mil).

"É, sem dúvida, um carro histórico. Além de bem concebido, tinha na confiabilidade mecânica um dos seus pontos mais fortes. Por ter tração traseira, também é gostoso de dirigir. Prova disso é que o Laika foi muito utilizado em diversos tipos de competições, tanto no asfalto quanto em ralis", aponta Flávio Gomes, jornalista e, declaradamente, fã do modelo russo.

Gomes, que participa de competições automobilísticas a bordo de um Laika 1991, defende que o carro, hoje produzido pela Avtovaz na cidade russa de Togliatti, foi um injustiçado no Brasil. "Basicamente, a fama de 'mico' que o modelo ganhou por aqui tem mais a ver com o final das importações, quando o valor do carro despencou e achar peças de reposição ficou muito difícil, do que propriamente pelos atributos do modelo. Prova disso é que o Lada Niva, outro carro que veio para cá no início dos anos 1990, mantém até hoje uma ótima fama entre os jipeiros".

Engana-se, contudo, quem pensa que a Lada sobreviveu apenas vendendo (em quantidades altas) o Laika. No álbum abaixo é possível ver os carros que a marca russa, pertencente a Avtovaz, produziu no decorrer da sua história:

IMUTÁVEL
O fato de não ter mudado pode ser um atestado de que o Laika parou no tempo. Flávio Gomes, contudo, tem outra explicação. "Tanto pelo contexto histórico quanto pelo regime da então União Soviética, não havia a necessidade de mudanças em um carro criado para custar barato e que não tinha a concorrência de outros modelos".

Mesmo com a queda do comunismo, cujo maior símbolo foi a destruição do Muro de Berlim, em 1989, o Laika se manteve como o carro mais barato a venda na Rússia, afastando qualquer possibilidade de mudanças.

Caso se confirme (todo cuidado é pouco, afinal trata-se da Rússia e de um carro de quase meio século de vida), o encerramento da produção do Laika põe fim a uma era da indústria automotiva mundial. Símbolo de um regime e de um estilo de vida, o pequeno sedã colecionou fãs por todo o mundo, ainda que no Brasil ele tenha sido vítima da falta de planejamento e do final abrupto das importações, o que colaborou para o seu nome virar sinônimo de "carro-problema" no país.

Mas, se alguém se interessar, é possível encontrar no Brasil unidades do Laika oferecidas por cerca de R$ 7.000 em sites de compra e venda de carros.

 

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