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MG, hoje chinesa, chega ao Brasil com modelos 'exóticos' e acima de R$ 90 mil

Murilo Góes/UOL
MG6 Turbo: sim, dá para entortar o carro e ainda bater um papo ameno com o passageiro Imagem: Murilo Góes/UOL

Claudio de Souza

Do UOL, em São Paulo (Sp)

14/07/2011 17h22

A fabricante britânica Morris Garages, mais conhecida como MG, estava para chegar ao Brasil desde meados de 2010, quando colocou um exemplar do sedã 550 Turbo para ralar durante evento automotivo em Interlagos. O visual meio esquisitão do modelo, com grade de Nissan e faróis que parecem um telefone de 1970, não era um bom presságio -- como não era também o fato de a marca, fundada em 1924 em Oxford, na Inglaterra, ter mudado de mãos pela segunda vez: depois de uma temporada sob a BMW e unida à Land Rover (desde 1994), passou ao domínio chinês em 2005 e hoje pertence à poderosa Saic, baseada em Xangai.

Agora a MG se instala defintivamente no Brasil, com apenas uma loja (em São Paulo; há outras nove a caminho até 2012) e a meta de vender, no período de um ano, cerca de 1.200 unidades. Os modelos da estréia são o citado MG 550 Turbo e o MG6, este bem mais interessante em termos de estilo, como veremos adiante. No futuro virão um sedã grande e um compacto. Seguem os preços:

MG 550 Turbo -- R$ 94.789
MG6 Turbo -- R$ 99.789


São valores audaciosos para carros que ninguém no país conhece direito, uma característica que pode ser virada do avesso para tornar-se apelo de venda: difícil ser mais exclusivo nas ruas do que a bordo de um MG.

Na Inglaterra, o MG6 parte de 15.890 libras com pintura metálica e todos os impostos pagos. Isso equivale, em "tradução literal", a R$ 40.500.

MG 550 e MG6 partilham o mesmo trem de força: um motor 1.8 turbocomprimido com quatro cilindros, que, graças à sobrealimentação, entrega potência e torque de 2.5 aspirado: são 170 cavalos a 5.500 giros, e quase 22 kgfm na faixa entre 2.500 e 4.500 giros. A gerência dele fica por conta de uma transmissão automática com cinco velocidades e opção de trocas sequenciais -- na alavanca ou em aletas atrás do volante.

Um verdadeiro pacotaço de equipamentos chama a atenção: ambos têm seis airbags, controle de tração, sensores de chuva e de luz, ar-condicionado digital de duas zonas de resfriamento, bancos em couro (os dianteiros com regulagem elétrica), câmera de ré, teto solar elétrico, piloto automático, tela de LCD de 6,5 polegadas, som com MP3 e entradas USB e auxiliar, DVD player, persiana traseira etc. Os freios são a disco (autolimpantes, diz a MG) nas quatro rodas e contam com ABS (antitravamento), EBD (distribuição da força) e BAS (auxílio em emergência). Os pneus de medida 215/50 calçam rodas de 17 polegadas.

Esse conteúdo está na versão única dos dois modelos à venda no Brasil, e apesar de fornido corresponde apenas à configuração básica deles na Inglaterra. Note-se que por lá o MG6 é vendido com o apelido GT, de gran turismo, comumente atribuído a carros esportivos com dois lugares; a definição mais acurada para o estilo de sua carroceria curvilínea montada sobre base de sedã é a de fastback. Mas fica tudo bem se você o chamar de cupê de quatro portas.

Só por aí já se nota que o carro tem personalidade -- o que o conjunto da traseira, vagamente reminiscente da BMW, não chega a atrapalhar. Na dianteira, faróis invocados com secções internas bem definidas, parachoques robustos e grade frontal estreita emoldurando o octógono da MG garantem um visual nervoso e instigante. 

ESTICADO
A MG promoveu esta semana um escasso test-drive do 550 e do 6 num kartódromo na Grande São Paulo. UOL Carros optou por experimentar, desta vez, somente o segundo modelo, cujo apelo esportivo combina melhor com uma pista (qualquer pista).

Antes de acelerar, pudemos apreciar uma cabine bem-acabada (com couro e demais partes em preto; há opção de interior claro) e confortável, com bastante espaço horizontal garantido pelo entre-eixos de 2,7 metros, mas com algum sacrifício do conforto vertical, já que o teto segue a curva de um cupê -- e, de resto, o MG6 é baixo, com 1,48 metro de altura. O desenho de alguns instrumentos nos pareceu estranho, como os diminutos mostradores do painel, bem como a misteriosa posição W no câmbio.

Seguindo a orientação do piloto profissional que nos acompanhou a bordo, dirigimos o fastback com a transmissão no modo Sport. Assim, todas as trocas aconteceram quase nos 7.000 giros, e o sistema simplesmente ignorou os comandos manuais via aletas. Verdade que a idéia é mesmo esticar as marchas, mas o aumento na velocidade não foi exatamente em ritmo de emoção. A direção é bem direta, mas levíssima, e no geral foi delicioso sair de traseira em TODAS as curvas que contornamos -- apesar do controle de tração.

Por ora, não dá para dizer mais nada sobre o carro, mas ficou a impressão de que a revista Motor Trend acertou ao publicar que o MG6 "provavelmente representa o estado-da-arte no que se refere à fabricação de carros controlada por chineses e voltada ao mercado global". Lembrando que trem de força, suspensão e rodas dos MG são feitos na Inglaterra; todo o resto, inclusive a montagem, fica com a China.

  • Murilo Góes/UOL

    Ao contrário do belo MG6, visual do 550 é prejudicado por faróis esquisitos e grade insossa

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